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sábado, 24 de março de 2012

FHC defende restrição ao desmate

Caros amigos,
Sei que pode parecer muita "falta de imaginação" publicar matérias prontas, tiradas de outros sites, por aqui. Mas eu não poderia deixar de apoiar nosso ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pela lucidez com que tratou a questão ambiental, envolvendo esta pressa injustificada pelas mudanças do Código Florestal, mudanças estas que visam favorecer a apenas um setor, o do agronegócio, sendo que os congressistas não ouvem nem a população (que em grande é contra as mudanças) nem a comunidade científica. Para piorar, o debate agora repousa sobre meras questões partidárias, envolvendo até mesmo a Lei Geral da Copa e trocas de favores entre políticos. É muito triste que questões grandes e que impactam toda a população do País fiquem restritas aos interesses de um grupo tão pequeno..Com isso perde-se a oportunidade de criar uma verdadeira "economia ambiental" no Brasil. E nós poderíamos ser vanguarda nisso, dar o exemplo ao mundo! Enfim..fiquem com as palavras de FHC, as quais, neste quesito, eu assino embaixo:

FHC defende restrição ao desmate

Ex-presidente criticou tramitação do novo Código Florestal no Congresso e uso político da questão ambiental

23 de março de 2012 | 20h 02

Giovana Girardi, Enviada Especial, Manaus
O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso disse ontem ser a favor do desmatamento zero no Brasil. "Já me manifestei a favor. Porque acho que não há por que se aceitar o desmatamento como uma técnica de utilização da floresta.
'Se é meio ambiente, é uma discussão nacional, não de partido', diz Fernando Henrique Cardoso - Arquivo/AE
Arquivo/AE
'Se é meio ambiente, é uma discussão nacional, não de partido', diz Fernando Henrique Cardoso
Existem experiências com comunidades extrativistas que demonstram que se pode conviver com a floresta e dar sentido econômico a ela, sem destruí-la. E a Amazônia não é só floresta, pode-se plantar onde não tem floresta, mas onde tem um bem tão grande, é melhor manter a posição mais estrita", afirmou durante o 3.º Fórum Mundial de Sustentabilidade, em Manaus, onde fez uma apresentação sobre os desafios do desenvolvimento sustentável.
Questionado sobre sua posição em relação à mudança do Código Florestal, disse que "tem de continuar firme. Tem de manter de toda a maneira as restrições para preservar o meio ambiente". Depois, quanto à votação, mandou uma espécie de recado ao Congresso em relação à disputa de partidos que se formou em torno da questão. "Eu tenho medo que a votação seja utilizada para outros fins que não de dizer se é bom ou mau. Nessa matéria acho que a gente tinha de ter uma posição de convergência nacional. Se é meio ambiente, é uma discussão nacional, não de partido."
FHC lembrou que desde 1972, quando os problemas do meio ambiente começaram a ganhar destaque, com a conferência de Estocolmo, o mundo avançou na compreensão do problema e na aceitação de que ambiente e crescimento não são discordantes. "Já sabemos que é possível ter desenvolvimento e respeito à natureza juntos.
Sabemos o que tem de ser feito e como ser feito. Mas o problema é que isso é urgente. E isso ainda não foi entronizado pela sociedade brasileira nem pelas sociedades de outros países. E ainda não vi muita clareza nessa questão, não há um projeto nacional que entrelace as duas coisas. Não é uma questão se vai ganhar mais ou menos com isso, é um desafio moral, porque o valor que tem nisso é o valor da vida."
O ex-presidente também falou sobre as expectativas para a Rio+20. Segundo ele, o foco deveria ser nos problemas ambientais. "A questão social está ligada à questão ambiental, mas tem de fazer essa ligação. Na África, em Durban (na conferência do clima da ONU no ano passado), os africanos insistiram na pobreza, na questão social, e isso vai aparecer no Rio, mas não podemos perder o foco. Se não cuidarmos do ambiente, quem vai pagar o pato são os mais pobres. A questão central é a do efeito estufa, não temos políticas adequadas até hoje em compatibilizar desenvolvimento e respeito ao ambiente. É uma questão moral, e por isso política."
FHC comentou ainda sobre a proposta de se substituir o PIB por uma outro tipo de medida que leve em conta o capital natural. Disse que de fato é preciso levar em conta o efeito do crescimento sobre a qualidade de vida. "As pessoas comparam que não crescemos como a China. Mas não precisamos crescer como a China. Nos últimos 10 anos, tivemos um crescimento de 4%, não é tão alto, mas houve uma mudança grande nas condições de vida. Só crescemos 10% no regime militar. São Paulo crescia e a pobreza aumentava" E emendou sobre como isso pode ser relacionado com o momento de crise econômica. "Já que temos o desafio de fazer a economia funcionar de novo, que seja de um modo novo, da economia verde."
Nesse sentido, ele lembrou que é preciso também pensar com antecipação sobre a necessidade energética, quando questionado sobre o que achava da construção da usina de Belo Monte. "Há 20 anos, 30 anos, teríamos de ter pensado em uma matriz que não precisasse de tantas hidrelétricas com grande inundação, em aumentar a energia eólica, ou fazer uma poupança de energia. Não fizemos isso. E como precisamos de energia para manter um certo nível de crescimento econômico, não tem outro jeito e lá vai Belo Monte.
Mas o problema é que se não começarmos a pensar já em alternativas a nossa matriz energética, daqui a pouco precisaremos de outra Belo Monte. A tendência no Brasil é de que é melhor usar o potencial hídrico porque ele é grande, é renovável e é energia limpa. É verdade, mas vamos tentar usar melhor. Se fala muito, mas não se faz. As pequenas quedas d'água, em conjunto, podem ser tão eficientes quanto uma grande usina, mas não fazemos isso. Falamos, mas não fazemos."

FONTE:
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,fhc-defende-restricao-ao-desmate,852515,0.htm 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Haverá chances para nossas florestas?



Nota aos Amigos,
Desculpem-me a minha ausência neste blog. Não sei se os "quase 6 leitores" que o blog deve ter sentiram minha falta (risos). Estive estudando muito para minha especialização em Economia e Meio Ambiente, dentre outras atividades. Bem, vamos então retomar os assuntos do momento.


Como todos sabem, estamos em vias de aprovação das modificações no Código Florestal brasileiro, modificações que estão praticamente em sua totalidade a serviço dos grandes produtores rurais, que são os verdadeiros articuladores deste verdadeiro atentado à biodiversidade brasileira, descaracterizando uma das legislações ambientais mais avançadas do mundo, como já discutimos várias vezes neste espaço.

As sociedades, sindicatos, partidos e demais agremiações representativa do agronegócio mais retrógrado existente no mundo estão, infelizmente, muito bem articuladas (talvez mais do que o movimento ambientalista) e utilizando-se de técnicas bastante visíveis de lavagem cerebral para justificar suas mentiras. Utilizam-se, inclusive, do discurso de defenderem o "pequeno produtor rural", quando na verdade estão defendendo a eles mesmos. Ao pequeno produtor interessa a preservação das florestas em sua propriedade ou mesmo próximo a ela, visto depender delas para manutenção da terra fértil, da água abundante, da polinização, dentre muitos outros serviços "gratuitos" que a natureza presta (mas que possuem - e muito - valor).

Outra mentira deslavada deste setor da economia que há mais de cinco séculos desmata nossas florestas é o de que eles são praticamente os "guardiões" da alimentação do povo brasileiro, para justificar mais desmatamentos em troca de produção de mais comida. A verdade é que o brasileiro alimenta-se mais da produção das pequenas propriedades, pois nosso prato sempre foi bastante variado. O problema da fome não se deve à falta de terras para plantar e sim à má distribuição de renda e ao desperdício de comida. Felizmente com as tecnologias atuais é possível ampliar a produção agropecuária sem destruir mais áreas com matas nativas. Há muitos campos abandonados pelo Brasil afora e os atualmente em uso podem ter sua produtividade ampliada bastante, inclusive consorciada com florestas próximas, beneficiando-se da biodiversidade e utilizando menos agrotóxicos. A única intenção dos grande http://www.blogger.com/img/blank.gifprodutores rurais é aumentar a exportação de seus commodities, principalmente para o país com maior crescimento econômico e voraz consumidor de recursos naturais, que é a China. Vale dizer que o valor agregado da soja, da carne e outros produtos in natura que são exportados trazem muito pouco valor agregado à economia brasileira, do que se exportássemos produtos tecnológicos ou mesmo produtos agrícolas processados industrialmente. Em suma, o que os ruralistas querem é dinheiro fácil e infinito. Querem garantia de terras para expandir suas culturas sem limite (e o correntão deles aumenta cada vez mais o desmatamento amazônico). Mas não existe crescimento infinito nem crescimento sem sustentabilidade. Tudo tem um limite e um dos limites mais claros da economia são os recursos naturais, os quais se não repostos, se esgotam.

Outra grande tática ruralista para justificar a modificação da Lei visando absurdos como diminuir reservas legais, anistiar desmatadores, etc. é dizer que toda manifestação em prol do meio ambiente - mesmo as espontâneas como esta aqui - provém de "ONGs internacionais que não querem o desenvolvimento do Brasil". É um festival de besteiras sem fim. Da minha parte aqui quero esclarecer que eu sou um cidadão brasileiro como você, leitor, que leio e estudo o assunto e tenho consciência da importância das florestas preservadas para nossa própria qualidade de vida e para a manutenção das próximas gerações. Hoje diversos estudos comprovam isto. Quando os portugueses chegaram aqui à América do Sul essa "abundância de mato" que havia no território brasileiro talvez não valesse nada para eles, então a ordem era queimar tudo, plantar, abandonar e ir para outra área que pudesse ser queimada. Infelizmente a nossa classe rural ainda pensa assim, em sua maioria. O que eles querem com esse "Novo Código Florestal" é mais liberdade para fazerem o que criminosamente já fazem. Basta ver estados como Mato Grosso e Rondônia, onde a Floresta Amazônica está quase extinta. E é sabido que se ela chegar a um grau acima de 20% de sua área desmatada, aí sua regeneração será ainda mais difícil. As secas e incêndios que atingem a Amazônia já fogem dos padrões considerados normais em algumas épocas. O desequilíbrio já dá sinais para todos nós há tempos. Mas alguns insistem em dizer que eles não existem e ainda botam a culpa em "uma grande conspiração internacional". É bem capaz que eles atribuam a mim e a outros cidadãos conscientes e indignados o rótulo de "conspiradores internacionais". Bem que eu gostaria, mas não pertenço a nenhuma organização dessas e nem conheço ninguém que pertença. A indignação é geral, grande parte da população desaprova o "novo código".

O que há é um grande consenso - até um tanto informal - de que não sobreviveremos se não preservarmos, se não mudarmos nossa forma de pensar, se não modificarmos nossa economia de uma maneira geral, premiando aos que preservam, incentivando o aumento dessa preservação. Um novo código deveria fomentar ações positivas por mais preservação e não mais destruição, como quer irracionalmente a classe rural brasileira, de olho apenas nos lucros, sem considerar as consequências.

Mesmo que houvesse essa tal conspiração, não custaria eles ouvirem estes apelos, pois não são ao acaso. O Brasil não é um país isolado no Planeta. Existe a soberania, mas existem tratados e convenções internacionais. Além do mais, se outros países ditos "de primeiro mundo" erraram no passado, desmatando todas as suas florestas originais, nós não precisamos repetir esses erros. Até porque hoje estes mesmos países reflorestam muitas áreas, inclusive às margens de rios, etc., pois sabem da importância estratégica das matas.http://www.blogger.com/img/blank.gif
http://www.blogger.com/img/blank.gif
Quando da época da escravidão, o Brasil foi um dos últimos países (senão o último) a libertar os negros. Chegou-se ao limite. Naqueles fins do século XIX, a Inglaterra fez bastante pressão para que o Brasil libertasse seus escravos. A mesma classe dirigista alegava, à época, interferências internacionais em nossa "soberania", para justificar a perpetuação deste grande atentado aos direitos humanos. Apenas após muito tempo e com boicotes sucessivos a nossas exportações, verificou-se a eficiência muito maior de uma mão-de-obra paga, motivada e com direitos é que os políticos brasileiros "acordaram" para a importância de abolir a escravidão. Espera-se que na questão ambiental estes senadores e deputados comprados não demorem a perceber a verdade, porque as próximas gerações pagarão caro pela destruição! Aliás, as atuais já estão pagando. Basta lembrar as recentes tragédias no Rio de Janeiro, Santa Catarina e outros lugares.. os sinais são evidentes!!

domingo, 28 de março de 2010

O reflorestamento necessário




A importância das florestas na manutenção do Planeta Terra é inegável. Não estou falando nem do seqüestro de carbono que elas realizam diariamente - importância recentemente questionada devido ao fracasso da COP-15, em 2009, e aos esforços da maioria dos países em manter a poluição nos níveis atuais, devido a um medo injustificado de "não se desenvolverem mais" (como se para se desenvolverem precisassem apenas poluir - mas esta discussão fica para outro artigo).

O que quero ressaltar aqui, dentre muitas outras vantagens, é que as florestas, de uma maneira geral, realizam diversos "serviços", muitas vezes imperceptíveis, mas importantíssimos à segurança e manutenção da vida na Terra. Para citar alguns exemplos : controlam a erosão e a perda dos solos (principalmente em encostas); evitam a desertificação; mantém os níveis dos cursos d´água (não deixando que os rios nem sequem e também não extrapolem seus níveis, o que causa inundações); controlam pragar urbanas e na agricultura (através da manutenção da biodiversidade e do equilíbrio ecológico); melhoram o microclima (evitando aquecimentos e tempestades extremas, como é comum acontecer na área mais impermeabilizada da Grande São Paulo, por exemplo) e até mesmo protegem populações contra ventos fortes, criando barreiras naturais contra eles. Além destas, muitas outras vantagens podem ser enumeradas aqui. Como podemos reparar, a purificação do ar, através da retirada dos gases tóxicos, nem mesmo fora mencionada (apesar de ser uma destas vantagens).

Já vê-se diversos efeitos desta superexploração na mais diferentes regiões do Planeta. Recentemente tempestades de areia praticamente apagaram Pequim da visão de seus habitantes. Tal areia é proveniente de desertos bastante distantes desta grande metrópole chinesa. O fato é que tais desertos vêm aumentando ao longo das décadas, devido à destruição de praticamente todas as florestas nativas chinesas, seja para expansão agrícola ou industrial. A ausência dos ecossistemas tem aumentado as regiões arenosas consistentemente. Da mesma forma as Filipinas arrasou com suas florestas nativas e hoje sofre com inundações sem solução. E não precisamos ir longe, para ver que a tragédia catarinense de 2008, com as chuvas acima do normal, foi agravada devido à ocupação desordenada de encostas e beiras de rios, outrora ocupados pela mata-atlântica nativa, a qual continha a terra. Da mesma forma a alta taxa de impermeabilização e ausência de verde na Grande São Paulo causou mais de 40 dias de inundações somente nesta ano de 2010 (sem contar os outros anos). E os exemplos não parariam por aí...

Infelizmente a humanidade quase nunca considerou tais vantagens na hora de explorar as florestas. Apenas o valor econômico imediato da madeira e do uso posterior do solo fora considerado ao longo dos séculos. E deu-se uma exploração desmedida dos recursos florestais, em muitos lugares levando-os à exaustão. A verdade é que o ganho com a exploração de madeira é efêmero, imediatista. Pode-se ganhar muito em pouco tempo, mas a mentalidade de "terra arrasada" não deixa nada a ser feito depois. Uma exploração sustentada, através de selos certificadores como FSC ou CERFLOR, para citar alguns exemplos, é o início. Através destes, garante-se que as árvores foram manejadas de forma a manter a floresta em pé e evitar extinção em massa de espécimes (sem contar, também, a questão social que envolvem). Mas ainda há muito a ser feito. No Brasil é uma ínfima porcentagem das florestas que são exploradas corretamente.

Além disso, apenas 3% das florestas mundiais são plantadas, perfazendo menos de 10% da produção madeireira (dados de 2000), mostrando que ainda consumimos - e muito - madeiras exploradas ilegalmente, de florestas nativas; seja na construção civil, nos móveis ou até em forma de combustível (lenha). O reflorestamento, principalmente no Brasil, serve à indústria de papel e celulose e também à mobiliária (placas de madeira). No entanto, tal reflorestamento baseia-se em espécies não-nativas (como pinus e eucalipto) e é necessário averiguar a quantidade de florestas nativas que estão sendo substituídas pelas invasoras. Claro, esta atividade atenua a pressão sobre florestas nativas. Só que não podemos nos basear somente nelas.

A floresta, como um sistema equilibrado de fauna, flora, água, ar e outros elementos, deve servir de exemplo para diversas atividades humanas. Não podemos ter predominância de uma só espécie. Como nas florestas, o plantio consorciado de diversas espécies (nativas e não-nativas) leva a um equilíbrio maior. Pode-se não ter a produtividade de amplas áreas cultivadas apenas com eucaliptos, onde tem-se uniforimidade de toras, facilitando a exploração rápida. Estas áreas são "desertos verdes", pois nem insetos vivem nelas. Por que, então, na consorciar o próprio eucalipto com espécies brasileiras? É perfeitamente possível e teria-se até outros tipos de madeiras, bem como permitiria a vida de animais dentre elas. Isto é apenas uma idéia, para termos a eficácia florestal implantada, trazendo seus serviços ambientais. Extrapolando um pouco, a agrofloresta seria, ainda uma ampliação das atividades de tais locais, produzindo-se alimentos orgânicos de forma consorciada com as árvores.

Enfim, até mesmo o reflorestamento visando a não-exploração é extremamente vantajoso para a população em geral. Como já mencionado, controlar a vazão dos rios e prevenir deslizamentos de enconstas é importantíssimo. Em diversos países têm-se casos de reflorestamento muito bem sucedidos. A região da Nova Inglaterra, sudeste dos Estados Unidos, onde a colonização americana teve início, bastante montanhosa, foi reflorestada já durante o século XIX, à medida que a agricultura era expandida para o oeste do país. O leste europeu, outrora degradado pelo regime comunista soviético, passa por processo de reflorestamento até pelo abandono das terras agrícolas após a abertura política de 1990, quando a população saiu em busca de novas oportunidades em outros locais. A Coréia do Sul, empobrecida e arrasada pela guerra dos anos 50, o que a levou a fazer uso de quase todos os seus recursos florestais, passou por amplo programa de reflorestamento - principalmente das encostas - nas últimas 5 décadas (isso aliado a amplo programa educacional e de desenvolvimento industrial de alta tecnologia). Tal programa já têm seus efeitos positivos: enquanto a pobre e comunista Coréia do Norte ainda sofre com inundações pela ausência de florestas, o país do sul vê este problema como algo longínquo. Outros programas semelhantes ocorrem na Turquia (país também montanhoso e que destruiu suas florestas de carvalhos ao longo de séculos) e até na China, onde uma "grande muralha verde" de 4.480 Km é plantada para conter o avanço dos desertos.

Tais reflorestamentos nunca irão recompor a variedade de espécies originalmente existentes em suas áreas. Mas trazem, de qualquer forma, muitos serviços gratuitos, deixando o ambiente muito melhor do que se estiverem com a "terra nua". O Brasil não tem esta mentalidade. Em diversos estados de nossa federação vê-se áreas abandonadas, desprovidas de agricultura e de florestas. Talvez isso venha da mentalidade brasileira de que "mato é atraso". Arrasa-se a terra e abandona. Um exemplo claro desta atitude é a região do Vale do Paraíba, localizada entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Tal região já foi a de maior expansão agrícola, desde o período colonial até o início do século XX, devido ao café, que já foi o maior produto de exportação brasileiro. Plantou-se café sem limites, em todos os morros e vales da região, arrasando com a biodiversidade local. Após a crise de 1929 e também com o esgotamento da terra, tudo foi abandonado e até hoje o Vale do Paraíba, embora tenha tido grande desenvolvimento industrial na segunda metade do século XX, manteve seus morros secos, cheios de erosões e com não mais do que capim crescendo neles. Uma tristeza, verdadeira terra arrasada. O plantio de florestas deveria ser incentivado em regiões como esta, aumentando a biodiversidade, melhorando os indicadores ecológicos e a paisagem de uma maneira geral. Mas nada se faz... E a Amazônia está indo para o mesmo caminho. Em grande parte do Pará já não há mais florestas, apenas terra arrasada. O que se ganha com isso?

Um amplo programa de reflorestamento no mundo todo poderia ser coordenado por entidades como Banco Mundial ou FAO. Incentivaria-se globalmente e atuaria-se localmente, com estados, prefeituras, empresas, etc. Atuaria-se tanto visando a produção quanto a preservação. O mundo ficaria mais verde e mais sustentável. Os "créditos de carbono" poderiam ser um incentivo. Mas não o único. As florestas sustentam muito mais que isto. E todos ganham com elas.

FONTE DE PESQUISA (dados): Brown, Lester R. - "Éco-Économie" (Editora Seuil)

sábado, 15 de agosto de 2009

Mudanças Climáticas desconsideradas

É incrível o que acontece atualmente, mas muita gente parece viver em "outro planeta", mesmo estando aqui nesta Terra inundade de informações e evidências, que nos mostram, claramente, que as mudanças climáticas estão aí.

Pegando algumas evidências das últimas semanas (sem considerar outros meses ou anos) dá pra ver claramente que algo não anda bem. No Vale do Itajaí, em Santa Catarina, as chuvas atípicas de julho voltaram a deixar a região em estado de alerta devido a deslizamentos e inundações. Claro que em 6 meses desde a última enchente não iam consertar os estragos ambientais de décadas, mas vê-se que algo continua muito errado por lá. Em Goiânia (GO) tivemos a maior temperatura média para o mês de julho desde 1937. Na Ásia tivemos tornados acomanhados de chuvas fortíssimas nas últimas semanas que produziram estragos incomensuráveis, com dezenas de milhares de desabrigados na Índia, na China, em Taiwan, etc.

E mesmo assim, a maior parte dos países signatários da Convenção do Clima, que estiveram reunidos esta semana em Bonn, na Alemanha, nos preparativos para a para a COP 15 do final do ano, relutam em reduzir suas emissões aos níveis recomendados pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima), que giram em torno dos 40%. É incrível como fazem um jogo de "empurra-empurra", como se a questão climática não fosse emergencial! A União Européia, por exemplo, propõe reduzir 20% suas emissões e, dependendo do que os Estados Unidos propuserem, podem chegar a 30%! Alguns países não querem reduzir NADA, como é o caso do Brasil e da China, que alegam serem "países em desenvolvimento"... É lamentável, pois a China já é o maior poluidor global e o Brasil está oscila em torno do quinto lugar, devido às queimadas na Amazônia! Com discursos populistas, vêm afirmar que irão perder empregos e divisas; quando poluição não é sinônimo de desenvolvimento, de forma alguma.

Isso se deve ao fato dos custos ambientais não serem computados em cálculos macro-econômicos, como o do PIB (Produto Interno Bruto) dos países, por exemplo. Não se mensura o número de vidas e de patrimônio perdido em tragédias ambientais (alguns economistas equivocadamente até consideram tragédias como "oportunidades de crescimento econômico"), nem mesmo o custo aos sistemas de saúde com o tratamento das pessoas afetadas pela poluição atmosférica ou da água. Sem contar os serviços ambientais gratuitos que as florestas nos prestam com sua biodiversidade. Estes são apenas alguns exemplos do que se perde com a degradação ambiental, o que com certeza é muito mais do que os empregos perdidos com a redução da poluição, porque estes podem ser compensados com novas funções que o setor ambiental está criando e continuará a criar. É uma nova economia, uma "eco-economia" que o mundo não consegue enxergar!

Existe uma proposta a ser discutida e aprovada na Conferência do Clima que ocorrerá em Copenhage, no final do ano, que é da certificação REDD (Redução de Emissões por Degradação e Desmatamento). Esta certificação complementa a do atual Protocolo de Kyoto, por incentivar a preservação das florestas nativas intactas, como forma de reduzir as emissões. No Brasil, por exemplo, a maior parte das emissões são causadas na mudança do uso do solo florestal, desmatando e queimando a vegetal nativa e depois revolvendo o solo para plantar. Nas três operações há liberação de carbono. Agora os serviços ambientais que a biodiversidade nos presta, ainda que difíceis de serem mensurados, são tão ou mais importantes do que a manutenção do carbono na floresta. Isto o REDD assegura, que estes serviços continuarão a serem prestados. Mas, por incrível que pareça, o (des)governo brasileiro se coloca contra esta norma REDD! Seria a solução para preservar a Amazônia, com o aporte de recursos estrangeiros em sua preservação! Mas, injustificadamente, os representantes do lulo-petismo no exterior apresentam seus discursos populistas, com medo da Amazônia ser invadida, etc. e tal, para, mais uma vez, não assinar acordos internacionais que preservem nossos recursos naturais! Ou seja, mais uma vez, tudo na contra-mão do que deveria ser!

Isso sem contar o não-investimento em energias alternativas (só incentiva-se grandes hidrelétricas que desmatam e inundam áreas imensas de florestas), a abertura de estradas em áreas ainda preservadas, o desmantelamento do Código Florestam em nome de ruralistas inescrupulosos que já destruíram quase tudo o que podiam e o que não podiam, etc.

O tempo está se esgotando. Talvez não consigamos reverter o aquecimento global e suas conseqüências. Mas ao menos estabilizar o clima talvez fosse possível com algumas medidas que não significam tanto sacrifício quanto nossos dirigentes afirmam serem necessários. Mesmo assim, nada de novo é feito. Apenas reuniões que acabam decidindo que fiquemos do mesmo jeito. Só que o mundo já não é mais o mesmo. Será que iremos acompanhar estas mudanças?

domingo, 12 de julho de 2009

Não são as licenças ambientais que travam os investimentos

Gostaria de mencionar aqui esta reportagem que saiu no caderno de Economia do Estadão de domingo passado (05/07/09), intitulada "Máquina federal trava investimentos", a qual menciona estudo do economista Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Tal estudo constata que as restrições ambientais são um dos fatores que menos pesam no fato dos investimentos do famoso "pac" da Ministra Dilma não decolarem!

Ou seja, todo este discurso do lulla, culpando "bagres" e "pererecas" para que as obras do (des)governo não andem é balela. Discurso este endossado por algumas emissoras de TV e pela bancada ruralista no congresso, bem como pelos falsos desenvolvimentistas de plantão.

A questão é meramente administrativa. Grande parte das obras do tal "pac" não passam de placas anunciando as mesmas, além de caríssimos comerciais em TVs, jornais, etc.

Claro que algumas obras absurdas em meio à Amazônia, como duplicações/pavimentações de rodovias, como a BR 319 e a BR 163, não deveriam nem ser cogitadas, devido à ameaça às últimas áreas preservadas da maior floresta tropical do mundo (investimentos em transportes ferroviário e aquaviário - bem menos impactantes em suas margens - sequer são cogitados e está comprovado que rodovias em meio à Amazônia são sentenças de morte à floresta). Mas creio isto ser assunto para outro tópico.

Mas fica aí o alerta desta reportagem, que "botar a culpa de tudo no meio-ambiente" é um grande erro. Só serve para desmoralizar o trabalho sério de algumas instituições ambientalistas, que nada fazem além de alertar-nos que chegamos ao limite e precisamos repensar o modo de nos "desenvolvermos".

P.S.:caso alguém não tenha conseguido clicar no link acima, copie e cole conforme abaixo, para ler a notícia:

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090705/not_imp397949,0.php

Caros amigos,
Para continuar a ler este e outros textos, gostaria que vocês conhecessem este livro.
Ele possui todos os TEXTOS deste blog REVISADOS E AMPLIADOS , bem como TEXTOS INÉDITOS também!
O livro "REFLEXÕES ECOLÓGICAS EM UM MUNDO INSUSTENTÁVEL" vocês podem adquirir clicando na imagem acima, no site CLUBE DE LEITORES.

Os leitores que quiserem guardar este conteúdo em sua biblioteca ou mesmo dá-lo de presente a amigos, eu ficarei bastante honrado!

A luta do BLOG TREES FOREVER por um mundo mais sustentável e por governos mais sérios e atuantes na área ambiental vocês já conhecem. Esta luta é de todos nós e eu agradeço muito por estes quase dois anos de convivência aqui neste ambiente virtual!

Se possível, por favor ajudem-nos a divulgar este livro, enviando o site abaixo a seus amigos, conhecidos, colegas de trabalho, familiares, etc.:

http://clubedeautores.com.br/book/9850--REFLEXOES_ECOLOGICAS

Um forte abraço a todos e muito obrigado!!

Gabriel Bertran

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

EU NÃO FALEI ??? SEM-TERRA SÃO GRANDES DESMATADORES SIM!

No dia 16 de Março deste ano eu havia escrito, aqui neste mesmo espaço, sobre o fato dos sem-terra serem grandes desmatadores, já responsáveis por mais de 15% do desaparecimento da (não sei até quando) maior floresta tropical do mundo, a Floresta Amazônica.

Pois bem, observem o que dizem as manchetes que estão nos jornais e televisões desde ontem (30 de Novembro): simplesmente os seis primeiros lugares entre os grandes desmatadores são de assentamentos do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). São números incontestáveis, que nem perderei tempo em citá-los (leia aqui, na íntegra, uma excelente matéria do jornal O Estado de São Paulo). Tais números estão até causando cada vez mais sustos no novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Agora, sem dúvida, ...

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Um forte abraço a todos e muito obrigado!!

Gabriel Bertran

sábado, 26 de abril de 2008

SEXTA-FEIRA MACABRA

Esta sexta-feira (25 de abril de 2008) foi muito triste para nós, ambientalistas. Talvez poucas pessoas tenham percebido as más notícias deste dia, em função de estarem mais atentas à "novela" televisiva da morte da menina Isabela Nardoni (notícia não menos triste, nem menos importante, porém explorada à exaustão por nossa imprensa).

Ao acordar, deparei-me, no jornal O Estado de São paulo, com a seguinte notícia :"Senadores querem fim de operação antidesmate". Uma das poucas ações deste desgoverno federal (que nem sabemos se está sendo empreendida a contento), em resposta ao aumento brutal do desmatamento na Amazônia, mesmo nos meses em que costumeiramente a destruição costumava diminuir devido ao clima (alterado pelo tão conhecido aquecimento global), agora é alvo de tentativa de diminuição, senão anulação da mesma. Isso devido ao simples desejo de poder dos senadores, financiados pelos desmatadores, como pode-se constatar no trecho da reportagem : "Pressionados de um lado pelo lobby dos madeireiros, que movimentam a economia de várias cidades e financiam campanhas eleitorais, e de outro por prefeitos que se queixam do “desastre econômico” produzido pela Arco de Fogo, que paralisou o setor a seis meses da eleição municipal, os senadores cobram do governo federal a fatura dos prejuízos.
Para esses parlamentares, o “grande desmatador” não é o madeireiro que atua irregularmente na região, mas o governo federal, com seus programas de assentamento."

Concordo com o fato que os programas de assentamentos de sem-terra são grandes reponsáveis pela
destruição da Floresta Amazônica. Mas não podemos isentar os madeireiros, verdadeiros bandidos, que assaltam terras que não são suas, arrasando-as em nome de um lucro rápido e insustentável, que só deixa um rastro de miséra por onde passa. O que os senadores dizem à respeito do suposto "desastre" na economia local é uma grande inverdade. Esta economia é passageira, pois ao esgotarem os recursos naturais de determinadas cidades, os madeireiros mudam-se para novas "fronteiras", deixando aquelas cidades onde antes estavam estabelecidos na mais absoluta miséria. Já há várias cidades no Pará que em períodos de menos de 10 anos esgotaram suas florestas e hoje não possuem renda. E isso ocorreu aqui, no Paraná, décadas atrás, com o fim da exploração predatória das matas de araucárias em determinadas cidades do estado. Ou seja, a mentalidade do brasileiro é a de destruir, abandonar e seguir em frente, destruindo as próximas florestas. Mas a seguirem este ritmo, haverá um tempo em que não haverão mais florestas. A cultura da abundância é suicida!

Bem, voltando às notícias "macabras" desta sexta-feira, ao abrir a internet, estava na página principal do site UOL a seguinte manchete: "
Desmatar é remédio para crise da comida, diz governador de MT". Achei isso o cúmulo da "cara de pau", por parte do governador do Mato Grosso, o sr. Blairo Maggi, já conhecido como o maior produtor de soja e também maior desmatador do Brasil. Em tempos que o próprio aquecimento global é causa notória da diminuição de áreas agrícolas, devido simplesmente ao desmatamento e à poluição (no Brasil causada principalmente pela queima das florestas), este infeliz vem dizer que é necessário desmatar ainda mais!!! Ou seja, vem corroborar este modelo predador, mencionado acima, de destruir a terra, abandoná-la e sair em busca de mais florestas a serem destruídas! Mas este ciclo é finito, e estamos chegando ao limite dele. Será que os agricultores do Mato Grosso terão que passar por secas de seus rios (que é um conseqüência natural do desflorestamento) para se tocarem do quão importante são as florestas para suas lavouras??? Se possuem terras férteis e bons regimes de chuva por lá, isso se deve
unicamente à presença da Floresta Amazônica, o que significa que sem ela não terão nenhuma das benesses atuais! É um festival de imbecilidade. Como sempre, vivemos no país das imbecilidades! E não sei onde iremos parar com (des)governantes com estes pensamentos!
O mais incompreensível é que, quando mais precisamos de ações para frear, definitivamente, o desmatamento, pois este chegou a um limite insustentável, os defensores desta política antiquada continuam a postos. Será que não percebem que em pleno mês de abril estamos com temperaturas próximas dos 30º no Sul do País, quando há pouco tempo atrás já tínhamos geadas nesta época? Isso é NORMAL??
Quanto à "crise alimentar", há um grande fator especulativo nela, principalmente por parte dos países mais ricos. O mundo tem alimentos de sobra para sua população, ele só é mal distribuído. E se países como a China não conseguem produzir o suficiente, basta ver o modelo de desenvolvimento a todos custo que eles adotaram : quase todas as reservas de água chinesas estão poluídas e paisagens naturais (florestas, etc.) nem pensar mais na Ásia. Agora vêm destruir tudo o que resta aqui. Será que é isso que queremos?? Nossos políticos podem até querer isso, mas não é o que nossa população precisa, definitivamente. O problema é que esta população, comprada por estes mesmos políticos, não se toca de nossos problemas ambientais. Só querem desenvolvimento a todo custo. Até quando suportaremos isto??

quinta-feira, 20 de março de 2008

IDÉIAS 2 : NOVOS TIPOS DE MADEIRA ECOLÓGICA

Continuando a divulgação de idéias que preservem o meio-ambiente, nesta semana duas notícias chamaram a atenção, mostrando que soluções não faltam para preservar (e poupar) as árvores nativas. O que falta é mudança de mentalidade do consumidor e apoio por parte de investidores e governos.

Na Quarta-feira, 19 março de 2008, na coluna semanal do ambientalista Marcos Sá Corrêa (editor do site O Eco - www.oeco.com.br) no Estadão, intitulada "A maçaranduba é um problema ambiental" (título curioso) ele comenta a dificuldade que o industrial Geraldo Pilz, do Rio de Janeiro, está tendo para "emplacar" seu produto e também para conseguir matéria-prima para fabricá-lo. Trata-se de uma madeira plástica feita a partir de restos de garrafas descartáveis, sacos plásticos e outros suvenires recicláveis. Tais produtos parecem abundantes pelo Brasil afora, dada a falta de consciência de grande parte dos cidadãos, que os descartam em vias públicas, cursos d´água ou mesmo em lixões saturados. Pois bem, por incrível que pareça o empresário encontra dificuldades para comprar estes "insumos" em quantidades industriais, apesar de ter feito convênios com prefeituras, parques, etc.! Fora esta falta de matéria-prima, Pilz não consegue emplacar grandes vendas do produto devido à cultura arraigada na população brasileira, de só querer comprar "madeira maciça". Pois bem,
a "madeira plástica" além de ter aspecto bastante semelhante à natural, não apodrece, podendo ser enterrada, deixada ao relento e é fácil de ser cortada, pregada, etc. Ideal para bancos de praças e até barcos. Agora, está difícil concorrer com a maçaranduba e outras madeiras nativas. Enquanto for mais "fácil e barato" desmatar a Amazônia e a mentalidade do consumidor não mudar, não conseguiremos introduzir novas tecnologias que poupam as florestas nativas. É uma mentalidade que vêm do século XVI, quando os descobridores encontraram "matas infinitas" aqui por estas bandas. Será que ninguém percebe que estas matas estão perto do fim, no ritmo que estamos destruindo-as? Fica o alerta..

Outra grande idéia, dentro da mesma filosofia, saiu no caderno Agrícola, do mesmo jornal O Estado de São Paulo. Um casal de empresários da região de Curitiba (PR) desenvolveu uma placa de madeira feita com a 'grimpa' da araucária (ramos secos que caem das árvores e em geral degradam-se no meio-ambiente ou são queimados por proprietários de terras). A grimpa cai naturalmente do pé e não há necessidade de cortar a árvore. Moreira cita que, entre as vantagens do produto, está o menor gasto de energia para secar, triturar e transportar. Enquanto o processo de transformação do pinus (Pinus elliotis) leva 30 dias, a Produção de Madeira de Grimpa do Pinheiro (PMGP) está pronta em uma semana, pois a umidade é de só 11%. A economia de energia no processo é de 50%. Na compactação do material triturado usa-se também menos resina. Testes certificaram que o produto suportou peso de até 10 mil quilos. Os inventores ainda não definiram qual a linha de trabalho, mas estudam produtos que possam servir para decks de piscina, esquadrias, pisos e paredes. É um produto fantástico, pois além de seu amplo uso, incentivará, após colocado em larga produção, o plantio e a preservação da araucaria angustifolia, árvore ameaçada de extinção devido à ampla exploração de sua madeira durante todo o século XX. Justamente por exigir que as árvores permaneçam "em pé", é um produto ambientalmente sustentável, agregando valor à floresta viva e, com isso, seqüestrando carbono da atmosfera. Desdejo longa vida a esta iniciativa e tomo a liberdade de publicar aqui o email de contato dos inventores da PMGP, o casal Silvio Sepkca Moreira e Marli Bosquet : marli.bosquet@yahoo.com.br

Conseguindo o email também do outro empresário (Geraldo Pilz) colocarei-o aqui!
OBS.: LINK PARA A REPORTAGEM SOBRE A MADEIRA DE PLÁSTICO RECICLADO:
http://arruda.rits.org.br/oeco/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=6&pageCode=77&textCode=26645

domingo, 16 de março de 2008

SEM-TERRA: GRANDES DESMATADORES

É notória a preferência do governo atual pelos "movimentos sociais", os quais são incentivados e financiados com nossos recursos. Isso se deve à sinergia de pensamentos, que vem de longa data, do PT e seus comparsas com todos os tipos de "revolucionários", como FARC, MST, PCC e outras instituições voltadas à depredação da propriedade privada, à lavagem cerebral das grandes massas de manobra e a práticas ilícitas, tais como seqüestro e expropriação de bens e pessoas.

Dentre estes pseudo-movimentos "sociais", destaca-se o MST e seus assemelhados. A luta dos mesmos não é pela terra, e sim por um projeto político de longo prazo, aos moldes do que está sendo aplicado por Hugo Chávez na Venezuela, o qual visa a extinção da propriedade privada e das liberdades civis e de imprensa. O governo do PT simplesmente tolera do MST, não aplicando medidas legais cabíveis (até porque o MST não existe como figura jurídica), fazendo "vista grossa" aos absurdos que cometem Brasil afora.

Um destes absurdos do MST é a invasão da Floresta Amazônica, que se dá há décadas, até por deficiências na aplicação da "reforma agrária", que desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, se faz erroneamente em meio a áreas florestais, por serem monetariamente mais "baratas" que outras (embora o MST também invada muitas fazendas ditas "produtivas"). Porém o barato para a farsa da "reforma" custa muito caro ao meio-ambiente : é preciso mudar o conceito de "terra produtiva". Na visão tanto de ruralistas quanto de sem-terra, áreas com matas nativas são "improdutivas", fazendo com que os ocupantes das mesmas (que na maior parte das vezes não são donos, em se tratando de Amazônia) ponham fogo e desmatem as mesmas o mais rápido possível. Aí inicia-se uma tragédia que já corrói 15% da Amazônia : a ocupação das mesmas pelos sem-terra.

Baseado nisso, coloca-se os sem-terra na vala comum do agronegócio, que eles tanto combatem : ambos desmatam, e muito, nossas florestas. Os sem-terra largados nos confins da hiléia amazônica fazem acordo com madeireiros "sem tora", os quais, com isso, não têm os custos da terra nem o ônus de suas regularização : simplesmente retiram o que querem de madeira dos assentamentos e vendem tudo ilegalmente. Os sem-terra recebem por isso e ficam com a terra arrasada para logo abandoná-la, porque quase nada pode ser plantado lá, iniciando novas invasões e o ciclo vicioso que acaba com a maior diversidade do planeta.

Agora o cinismo desses pseudo "movimentos sociais" é dizerem que praticam agricultura ambientalmente sustentável e preservam o meio-ambiente, em sua luta contra o agronegócio. É uma incoerência total : eles mesmos combatem o plantio de eucaliptos para produção de celulose no Sul e Sudeste do Brasil (plantio este que poupa milhares de árvores nativas) e ao mesmo tempo, os mesmos movimentos destróem a Amazônia! Eles destróem laboratórios de pesquisa, que trazem inovações na produção de madeira que auxiliam na preservação, mas eles mesmos não produzem nenhum conhecimento na área agrícola. Seus membros nem agricultores são, muito menos são pessoas necessitadas, pois vê-se carros novos estacionados em invasões, de moradores de áreas urbanas que servem como massa de manobra e estão lá para tentarem "conseguir uma terrinha", a qual vendem imediatamente, pois não têm o mínimo interesse e conhecimento para plantar.

Então, ao mesmo tempo que o agronegócio da soja e do gado destrói a Amazônia, pois nunca deveria ter chegado lá, os sem-terra praticam o mesmo tipo de crime. Por isso são dois lados de uma mesma moeda. Moeda esta que faz o Brasil e o mundo perderem cada dia mais.

Onde vamos parar com tudo isso?? Estamos sendo roubados por todos os lados!

domingo, 17 de fevereiro de 2008

AJUDA ESTRANGEIRA : SIM OU NÃO?

Muitos consideram este assunto como um tanto delicado. Alguns evitam até mesmo tocar nele. E ao tocarmos neste assunto já nos vêm à mente aqueles comentários como "A Amazônia é nossa", alimentados por boatos de que os Estados Unidos e outras potências possuem planos de internacionalizá-la, que as ONGs estão cheias de agentes infiltrados em meio à selva, que em algumas tribos os indígenas só falam inglês e mais um monte de "lendas urbanas" (ou seriam "lendas selvagens") que entopem nossas caixas de emails ou ouvimos aí pelas ruas.

Não sabemos qual a veracidade destas lendas, mas uma coisa nós sabemos que é verdade: o Brasil não soube e não sabe cuidar da Amazônia! As terras estão entregues ao "Deus dará", tudo se faz por lá, nada se respeita, não existe lei, não existe estado e nada se faz para mudar isso além de discursos muitas vezes cínicos de nossos (des)governantes.

É claro que existem exemplos que deram certo em meio à selva, como reservas extrativistas bem administradas e que preservam o meio-ambiente, ou mesmo o pólo tecnológico de Manaus, que gera renda e evita a destruição da floresta no Estado do Amazonas, por manter grande parte de sua população empregada na capital, e não em meio à floresta.

Mas ainda falta muito para ser feito, embora idéias não faltem. Agora não podemos recusar ajuda internacional para a Amazônia. O atual governo recusa-a veementemente, em nome de um falso patriotismo. Alegar que os países desenvolvidos é que precisam poluir menos, porque sempre poluíram a Terra. Esta é a alegação mais fora de propósito que já ouvi. É óbvio que eles precisam reduzir seus níveis de poluição. Mas não é porque eles não vão reduzir que nós aqui ficaremos de braços cruzados. Afinal de contas, o Brasil já é o quarto maior poluidor. E a maior parte desta poluição provém das queimadas justamente aonde?? Na Amazônia!! Então é hora de nos movermos para reverter este quadro extremamente danoso ao planeta!

Acredito que toda ajuda seja bem-vinda. Existem fundos disponíveis no planeta. Se entidades internacionais pudessem comprar áreas na Amazônia para serem preservadas e bem administradas, ÓTIMO! Mas aí chegam aqueles "defensores da soberania", dizendo que o território nacional está sendo entregue aos estrangeiros, etc. Bem, se nas mãos dos brasileiros este território não foi bem cuidado, o que pode ser pior? E por aí vai, financiamentos à reservas florestais, financiamento para replantio de espécies nativas, tudo com certificação e fiscalização.. sobram idéias, sobra também burocracia ("burrocracia") contra elas.

Da nossa parte, como "meros mortais", o que cada um pode fazer? O consumidor tem muito poder nas mãos e pode fazer muito também, não comprando produtos provenientes dos desmatamentos ilegais. Se não houver o consumidor, não haverá o traficante seja lá do que for! Pra quê construir sua casa ou comprar seus móveis com madeira (fora) da lei proveniente da Amazônia? Exija e compre madeira certificada ou plantada! É possível reverter a situação planetária mudando hábitos e sem abdicar de nosso conforto, porém impactando menos na natureza.

Continuaremos esta discussão ainda, mas já dá pra ir pensando à respeito!

sábado, 26 de janeiro de 2008

DESMATAMENTO AUMENTA NA AMAZÔNIA : NADA MUDOU

Desde que eu me conheço por gente (tenho cerca de 33 anos agora), só ouço notícias sobre o desmatamento na Amazônia aumentando. Isto poderia parecer normal, mas mesmo assim, nunca deixei de me indignar com este absurdo. Aliás, desde criança me alarmam estas notícias e isto foi fazendo com que eu me tornasse um ambientalista.

No início dos anos 80 começavam os alertas sobre efeito estufa e para que o ritmo de desmatamento na Amazônia diminuísse, pois já antevia-se, desde já, que o Planeta Terra estava chegando a um limite. Pode-se chamar isso de 'terrorismo ambiental',de radicalismo ou o que quiser, mas como eu cresci ouvindo estes alertas, considero-os certíssimos e assino embaixo dos mesmos, pois o ser humano provou que só muda diante de catástrofes.


Caros amigos,
Para continuar a ler este e outros textos, gostaria que vocês conhecessem este livro.
Ele possui todos os TEXTOS deste blog REVISADOS E AMPLIADOS , bem como TEXTOS INÉDITOS também!
O livro "REFLEXÕES ECOLÓGICAS EM UM MUNDO INSUSTENTÁVEL" vocês podem adquirir clicando na imagem acima, no site CLUBE DE LEITORES.

Os leitores que quiserem guardar este conteúdo em sua biblioteca ou mesmo dá-lo de presente a amigos, eu ficarei bastante honrado!

A luta do BLOG TREES FOREVER por um mundo mais sustentável e por governos mais sérios e atuantes na área ambiental vocês já conhecem. Esta luta é de todos nós e eu agradeço muito por estes quase dois anos de convivência aqui neste ambiente virtual!

Se possível, por favor ajudem-nos a divulgar este livro, enviando o site abaixo a seus amigos, conhecidos, colegas de trabalho, familiares, etc.:

http://clubedeautores.com.br/book/9850--REFLEXOES_ECOLOGICAS

Um forte abraço a todos e muito obrigado!!

Gabriel Bertran