Falou-se muito nestas últimas semanas sobre a imensa carga de lixo "importado" da Inglaterra que chegou aos portos brasileiros de Santos (SP) e Rio Grande (RS). Não vou me ater aos detalhes do ocorrido, que todos aqui devem ter lido exaustivamente nos jornais e também visto na televisão. O que eu gostaria de debater aqui é a falta de foco de todas estas reportagens e da visão que a população em geral tem. Ouviu-se manifestações calorosas, como "lixo imperialista" ou "é assim que os países desenvolvidos tratam o terceiro mundo", etc.
Bem, talvez nem a mais ampla investigação da Scotland Yard chegue aos culpados ou desvende os reais motivos desta estranhíssima importação. O fato é que todos nós (e a imprensa incluída) devem parar de taxar o lixo como meramente lixo, ou coisas imprestáveis, que não sirvam a nada mais. E também parar de culpar os países desenvolvidos por todos os males que atingem este mudno. Não que eles não tenham culpa. Têm e muito! Mas o Brasil produz muito, mas muito lixo. E em sua maioria estas montanhas de lixo não são dispostas adequadamente. Aliás, nem deveriam ser dispostas da forma como estão. Isso ocorre tanto por descaso de nossas autoridades quanto por falta de consciência da população; que não separa nem limpa o lixo que pode ser reaproveitado, não exige das autoridades soluções e, em muitas vezes, essa população joga lixo dentro de rios e matas! Depois, quando as enchentes de verão chegam, essa mesma população vem reclamar dos "governantes", que esqueceram deles! Claro, eles esquecem, mas se cada um não colaborar, as tragédias continuarão a acontecer.
Vivemos um sistema extremamente irracional em relação ao lixo. O homem simplesmente estoca toneladas destes materiais em locais inadequados, ficando ali para servir apenas a... poluir mais e mais o meio-ambiente! E acreditem, esse sistema perverso com certeza enriquece muita gente, e muitas empresas (por que será que as coletoras de lixo ganham por tonelada das prefeituras? com isso vai haver um interesse, por parte delas, em reduzir este lixo? fica a pergunta no ar..).
O lixo é a matéria-prima que mais aumenta no planeta (cerca de 10% ao ano, segundo algumas estimativas). Todas as outras matérias primas estão se exaurindo rapidamente da superfície terrestre. É fácil reparar na qualidade de certas embalagens de alimentos ou quaisquer outros produtos que compramos em supermercados. Sejam plásticas, metálicas ou de papel, nota-se serem extremamente resistentes, pergunta-se por que elas precisam servir apenas àquele momento efêmero entre a compra e o consumo do que está dentro dela? Quantas outras utilidades ela poderia ter, seja utilizando-a em sua integridade para outro fim ou mesmo triturando-a e processando-a quimicamente para formar outro produto?
Em primeiro lugar, ao fazermos uma compra, temos que pensar se todas estas embalagens que envolvem o produto que optamos são necessárias. Algumas estão lá por mero marketing. E nós pagamos por isso! E pagamos para que isto seja descartado em poucas horas? E depois esta embalagem fique lá, no depósito, junto com milhões de outras, demorando séculos para se degradar? É uma perda incomensurável de espaço e até de tempo!
Em diversas grandes cidades (e em algumas pequenas e médias também) os aterros sanitários estão além do limite. A cidade de Curitiba, por exemplo, já deu prazo para encerrar o aterro da Caximba. E não encontra novas áreas na região metropolitana para destinar o lixo de 4 milhões de habitantes. Nem deveria procurar! A solução única é a reciclagem, o reaproveitamento de todo o lixo possível. O orgânico serve para adubação e geração de energia. O não-orgânico possui múltiplas utilizações através da reciclagem.
Um grande exemplo de solução amplamente viável, que eu sugiro aos leitores deste blog conhecerem, foi proposto pelos arquitetos Márcia Macul e Sérgio Prado, de São Paulo, através do projeto de lei "Programa Lixo Zero, Arquitetura Sustentável, Energia Renovável". É um programa bastante abrangente, que desenvolveu excelentes materiais para construção a partir do lixo. É algo totalmente exeqüível, que deveria entrar em produção agora, pois além de baratear custos habitacionais, dá uma destinação ao lixo gerado pelas cidades, diminuindo, ainda, as emissões de gás carbônico e despoluindo a terra, os mananciais, etc - que se livrarão de toneladas de detritos. O site onde vocês encontram este projeto é o :
http://www.curadoresdaterra.com.br/projetos-de-lei.html
Precisamos ajudar a divulgar idéias como estas e fomentá-las para que se tornem realidade!
Voltando ao "lixo inglês", se já tivéssemos um amplo sistema de processamento de lixo, como proposto acima, receberíamos de braços abertos o lixo de qualquer lugar do mundo, transformando-o em renda para milhões de pessoas! Agora realmente, se isto estiver sendo trazido ao Brasil para ser simplesmente armazenado aqui... não há realmente motivo para aceitá-lo.
Poderíamos, com um programa como este, dar exemplo ao mundo. Exportarmos, além dos produtos, as tecnologias do lixo! Uma imensa oportunidade de crescimento econômico está aí, parada nas periferias das cidades. Isto aliado à limpeza do meio-ambiente, é o melhor dos mundos. Geração de renda e redução da poluição. É nesta direção que o mundo precisa caminhar. E já estamos atrasadíssimos. O lixo é de todos nós. O planeta é um só!
Um espaço para debater sustentabilidade e, por quê não, economia, política e tudo o que pode afetar o meio-ambiente, visando sempre melhorá-lo. É preciso que a humanidade continue progredindo,mas será que esta forma destrutiva de progresso que nós mesmos criamos nunca irá mudar??
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sábado, 25 de julho de 2009
quinta-feira, 20 de março de 2008
IDÉIAS 2 : NOVOS TIPOS DE MADEIRA ECOLÓGICA
Continuando a divulgação de idéias que preservem o meio-ambiente, nesta semana duas notícias chamaram a atenção, mostrando que soluções não faltam para preservar (e poupar) as árvores nativas. O que falta é mudança de mentalidade do consumidor e apoio por parte de investidores e governos.
Na Quarta-feira, 19 março de 2008, na coluna semanal do ambientalista Marcos Sá Corrêa (editor do site O Eco - www.oeco.com.br) no Estadão, intitulada "A maçaranduba é um problema ambiental" (título curioso) ele comenta a dificuldade que o industrial Geraldo Pilz, do Rio de Janeiro, está tendo para "emplacar" seu produto e também para conseguir matéria-prima para fabricá-lo. Trata-se de uma madeira plástica feita a partir de restos de garrafas descartáveis, sacos plásticos e outros suvenires recicláveis. Tais produtos parecem abundantes pelo Brasil afora, dada a falta de consciência de grande parte dos cidadãos, que os descartam em vias públicas, cursos d´água ou mesmo em lixões saturados. Pois bem, por incrível que pareça o empresário encontra dificuldades para comprar estes "insumos" em quantidades industriais, apesar de ter feito convênios com prefeituras, parques, etc.! Fora esta falta de matéria-prima, Pilz não consegue emplacar grandes vendas do produto devido à cultura arraigada na população brasileira, de só querer comprar "madeira maciça". Pois bem,
a "madeira plástica" além de ter aspecto bastante semelhante à natural, não apodrece, podendo ser enterrada, deixada ao relento e é fácil de ser cortada, pregada, etc. Ideal para bancos de praças e até barcos. Agora, está difícil concorrer com a maçaranduba e outras madeiras nativas. Enquanto for mais "fácil e barato" desmatar a Amazônia e a mentalidade do consumidor não mudar, não conseguiremos introduzir novas tecnologias que poupam as florestas nativas. É uma mentalidade que vêm do século XVI, quando os descobridores encontraram "matas infinitas" aqui por estas bandas. Será que ninguém percebe que estas matas estão perto do fim, no ritmo que estamos destruindo-as? Fica o alerta..
Outra grande idéia, dentro da mesma filosofia, saiu no caderno Agrícola, do mesmo jornal O Estado de São Paulo. Um casal de empresários da região de Curitiba (PR) desenvolveu uma placa de madeira feita com a 'grimpa' da araucária (ramos secos que caem das árvores e em geral degradam-se no meio-ambiente ou são queimados por proprietários de terras). A grimpa cai naturalmente do pé e não há necessidade de cortar a árvore. Moreira cita que, entre as vantagens do produto, está o menor gasto de energia para secar, triturar e transportar. Enquanto o processo de transformação do pinus (Pinus elliotis) leva 30 dias, a Produção de Madeira de Grimpa do Pinheiro (PMGP) está pronta em uma semana, pois a umidade é de só 11%. A economia de energia no processo é de 50%. Na compactação do material triturado usa-se também menos resina. Testes certificaram que o produto suportou peso de até 10 mil quilos. Os inventores ainda não definiram qual a linha de trabalho, mas estudam produtos que possam servir para decks de piscina, esquadrias, pisos e paredes. É um produto fantástico, pois além de seu amplo uso, incentivará, após colocado em larga produção, o plantio e a preservação da araucaria angustifolia, árvore ameaçada de extinção devido à ampla exploração de sua madeira durante todo o século XX. Justamente por exigir que as árvores permaneçam "em pé", é um produto ambientalmente sustentável, agregando valor à floresta viva e, com isso, seqüestrando carbono da atmosfera. Desdejo longa vida a esta iniciativa e tomo a liberdade de publicar aqui o email de contato dos inventores da PMGP, o casal Silvio Sepkca Moreira e Marli Bosquet : marli.bosquet@yahoo.com.br
Conseguindo o email também do outro empresário (Geraldo Pilz) colocarei-o aqui!
OBS.: LINK PARA A REPORTAGEM SOBRE A MADEIRA DE PLÁSTICO RECICLADO:
http://arruda.rits.org.br/oeco/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=6&pageCode=77&textCode=26645
Na Quarta-feira, 19 março de 2008, na coluna semanal do ambientalista Marcos Sá Corrêa (editor do site O Eco - www.oeco.com.br) no Estadão, intitulada "A maçaranduba é um problema ambiental" (título curioso) ele comenta a dificuldade que o industrial Geraldo Pilz, do Rio de Janeiro, está tendo para "emplacar" seu produto e também para conseguir matéria-prima para fabricá-lo. Trata-se de uma madeira plástica feita a partir de restos de garrafas descartáveis, sacos plásticos e outros suvenires recicláveis. Tais produtos parecem abundantes pelo Brasil afora, dada a falta de consciência de grande parte dos cidadãos, que os descartam em vias públicas, cursos d´água ou mesmo em lixões saturados. Pois bem, por incrível que pareça o empresário encontra dificuldades para comprar estes "insumos" em quantidades industriais, apesar de ter feito convênios com prefeituras, parques, etc.! Fora esta falta de matéria-prima, Pilz não consegue emplacar grandes vendas do produto devido à cultura arraigada na população brasileira, de só querer comprar "madeira maciça". Pois bem,
a "madeira plástica" além de ter aspecto bastante semelhante à natural, não apodrece, podendo ser enterrada, deixada ao relento e é fácil de ser cortada, pregada, etc. Ideal para bancos de praças e até barcos. Agora, está difícil concorrer com a maçaranduba e outras madeiras nativas. Enquanto for mais "fácil e barato" desmatar a Amazônia e a mentalidade do consumidor não mudar, não conseguiremos introduzir novas tecnologias que poupam as florestas nativas. É uma mentalidade que vêm do século XVI, quando os descobridores encontraram "matas infinitas" aqui por estas bandas. Será que ninguém percebe que estas matas estão perto do fim, no ritmo que estamos destruindo-as? Fica o alerta..
Outra grande idéia, dentro da mesma filosofia, saiu no caderno Agrícola, do mesmo jornal O Estado de São Paulo. Um casal de empresários da região de Curitiba (PR) desenvolveu uma placa de madeira feita com a 'grimpa' da araucária (ramos secos que caem das árvores e em geral degradam-se no meio-ambiente ou são queimados por proprietários de terras). A grimpa cai naturalmente do pé e não há necessidade de cortar a árvore. Moreira cita que, entre as vantagens do produto, está o menor gasto de energia para secar, triturar e transportar. Enquanto o processo de transformação do pinus (Pinus elliotis) leva 30 dias, a Produção de Madeira de Grimpa do Pinheiro (PMGP) está pronta em uma semana, pois a umidade é de só 11%. A economia de energia no processo é de 50%. Na compactação do material triturado usa-se também menos resina. Testes certificaram que o produto suportou peso de até 10 mil quilos. Os inventores ainda não definiram qual a linha de trabalho, mas estudam produtos que possam servir para decks de piscina, esquadrias, pisos e paredes. É um produto fantástico, pois além de seu amplo uso, incentivará, após colocado em larga produção, o plantio e a preservação da araucaria angustifolia, árvore ameaçada de extinção devido à ampla exploração de sua madeira durante todo o século XX. Justamente por exigir que as árvores permaneçam "em pé", é um produto ambientalmente sustentável, agregando valor à floresta viva e, com isso, seqüestrando carbono da atmosfera. Desdejo longa vida a esta iniciativa e tomo a liberdade de publicar aqui o email de contato dos inventores da PMGP, o casal Silvio Sepkca Moreira e Marli Bosquet : marli.bosquet@yahoo.com.br
Conseguindo o email também do outro empresário (Geraldo Pilz) colocarei-o aqui!
OBS.: LINK PARA A REPORTAGEM SOBRE A MADEIRA DE PLÁSTICO RECICLADO:
http://arruda.rits.org.br/oeco/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=6&pageCode=77&textCode=26645
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