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sábado, 2 de julho de 2011

No Ano das Florestas, autorizada sua destruição





Já faz mais de um mês, quando, no final de maio, a câmara dos deputados, em Brasília, aprovou o "novo código florestal" brasileiro. Ironicamente estamos no "Ano Internacional das Florestas" e, apesar de todas as comprovadas evidências científicas das tragédias que o desmatamento têm causado e também do amplo clamor popular pela defesa das florestas, os congressistas brasileiros não quiseram ouvir ninguém além do relator Aldo Rebelo e sua corja de ruralistas com a mentalidade mais atrasada que se possa imaginar. Mentalidade esta que remete à época da colonização do Brasil, quando a ordem vigente era “cortar o mato, queimar,plantar e abandonar”. Até hoje tem-se a idéia de que o Brasil é a terra das matas infinitas e ainda atribui-se, infelizmente, a preservação ao atraso. Não é preciso mencionar que este tipo de agricultor – os mesmos que hoje abrem “fronteiras agrícolas” na base da bala, da motosserra, do correntão e do foto no Centro-Oeste e Norte do Brasil, ignorando sua biodiversidade e as leis ambientais – não aprendeu com o esgotamento de diversas regiões antes agricultáveis no Brasil, como foi o caso do Vale do Paraíba (entre SP e RJ), onde a cafeicultura arrasou as terras no século XIX e hoje em dia nem capim cresce.
Foi feito um grande movimento de lavagem cerebral – capitaneado pelo relator Aldo Rebelo – para desmerecer o trabalho de tantos anos do nosso movimento ambientalista em demonstrar que a preservação e o desenvolvimento sustentável a todos beneficiam. Nunca ouviu-se tantas besteiras, como desmerecer as Reservas Legais e as Áreas de Preservação Permanentes, alegando que os “países desenvolvidos” nunca as respeitaram e desmataram tudo o que podiam. Mitos como o de que “vai faltar comida ao povo brasileiro” também foram plantados por estes deputados representantes da classe rural mais atrasada do Brasil, dentre muitas outras baboseiras.
Primeiramente, não podemos nos basear nos erros dos outros. Se os “países desenvolvidos” desmataram ao longo de séculos suas florestas, hoje eles as replantam, tentando desesperadamente reparar estes equívocos, pois sofrem as conseqüências deste “hiper desenvolvimento” por que passaram. São tornados como nunca vistos antes no meio-oeste dos Estados Unidos, inundações no vale do rio Mississipi; bem como ondas de calor extremo e tempestades que acontecem nos verões europeus, coisa que não se via antes. Vale dizer que a Europa já enfrentou as mais diversas pestes quando da expansão de sua agricultura e de suas cidades da Idade Média em diante. Então, os desastres ambientais estão aí e não são novos. Por que não aprender com eles?
Não indo muito longe, aqui no Brasil recente temos inúmeros casos de desabamentos e inundações já bastante comentados aqui (como no Vale do Itajaí, SC e na região serrana do Rio de Janeiro), intimamente ligados ao desmatamento de encostas de morros e ocupações das margens dos rios. Ambos os casos são previstos com Áreas de Preservação Permanente no código florestal atual.
Outra mentira que os ruralistas contam é que o Código Florestal de 1965 já está defasado e que ele foi criado por ambientalistas. Primeiramente ele não está defasado porque é uma lei que foi criada a frente de seu tempo. Os anos 1960 e 1970 foram marcados pelo “desenvolvimentismo” no Brasil, que bradava slogans como “Ninguém segura este país”, “O País do Futuro”, etc. Na época a propaganda governamental era claramente integrada por árvores caindo, demonstrando que o homem estava “colonizando” a Amazônia ou por fábricas soltando fumaça preta no Sudeste, demonstrando que nossa indústria nos levava a sermos um país desenvolvido. Então, uma lei criada para proteção das florestas ia, no mínimo, na contramão daquilo que se passava na época. E sequer havia “movimento ambientalista” no Brasil nos anos 60 (se houvesse seria proibido pelos militares). Este código foi criado, na verdade, por agrônomos, com a intenção de proteger as propriedades agrícolas, que já sofriam com assoreamento, terras inférteis, rios secando, etc. Houve também o componente da “Segurança Nacional”, muito utilizado pelos militares, da manutenção estratégica das florestas para proteger fronteiras, estradas, etc. Mas em suma, o Código Florestal é mais voltado à proteção agrícola do que ambiental propriamente dita (como se as duas coisas se dissociassem, mas não se dissociam). O que foi criado para proteger os ruralistas, eles mesmo querem destruir.
Toda esta lavagem cerebral envolvendo a falta de alimentos também é infundada. O mundo produz sim alimentos suficientes para sua população (até em demasia – o desperdício é grande). O fato da fome ainda existir no mundo decorre de má distribuição destes alimentos, em função de diversos fatores econômicos, governamentais, etc. que deveriam ser resolvidos em outras esferas e por diversos países. O aumento da produção agrícola brasileira é perfeitamente possível utilizando-se áreas já desmatadas e aumentando a produtividade nas áreas existentes. Além do mais, os grandes produtores rurais não se interessam em produzir alimentos para o dia a dia dos brasileiros. Seu interesse maior é na exportação principalmente de grãos (a soja como campeão de vendas) e carne, para alimentar a indústria alimentícia da Europa, da China, etc. Se eles puderem, não deixarão “um grão” sequer em terras brasileiras.
Quem produz alimentos para a população brasileira é, em sua maior parte, os pequenos e médios produtores. O tradicional “arroz-com-feijão” provém da pequena propriedade. E este preserva, em grande parte, o meio ambiente, por ser fator estratégico para manutenção da fertilidade de sua terra, do fornecimento de água, da polinização, etc. Enfim, os serviços naturais, os quais são gratuitos, têm grande valor econômico. Com o novo código florestal o pequeno produtor poderá, infelizmente, ser desestimulado a preservar as poucas florestas que restam em suas propriedades (importantíssimas como bancos de biodiversidade também). Programas de mata ciliar tão bem elaborados, como foi feito pelo Instituto Ambiental do Paraná ou pela Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo ou também o programa “Produtores de Água”, de Minas Gerais, poderão ser abandonados se o “liberou geral” do novo código vier a acontecer. Enfim, quem preservou não será recompensado, o que vai na contramão de uma Economia Ambiental que deveria já estar vigente. Vale lembrar que no código atual (de 1965) o pequeno produtor já tem certa maleabilidade para manejar sustentavelmente suas reservas legais, até plantando árvores frutíferas, dentre outros usos autorizados. Então os grandes ruralistas e congressistas dizerem que eles estão “amarrados” pela Lei atual é uma grande inverdade.
A reforma no Código Florestal seria interessante se incorporassem o componente da Valoração dos Recursos Ambientais dentro dele. Aí sim, criar-se-ia um “mercado florestal” no Brasil, mas um mercado de “florestas em pé”. Quem as preservasse ganharia e isso poderia gerar negociações entre proprietários, governos empresas e até em bolsas de valores. As florestas vivas seriam objetos cobiçados e isso fomentaria o plantio de novas florestas. Conseqüentemente este inútil embate entre ambientalistas e desenvolvimentistas acabaria. Ambos os grupos devem se unir para encontrar soluções economicamente viáveis e ambientalmente sustentáveis. Isso é perfeitamente possível. Não se deve proibir tudo nem liberar tudo. No meio termo está a Eco Economia.
Ainda temos o embate no Senado, onde há chances de aprimorar o Código. Na última quinta-feira (dia 30/06/2011) houve um debate entre os senadores e a ministra do meio ambiente que sinalizou possibilidade de revisão da criminosa liberação de APPs para desmatamento, da proteção aos manguezais (que havia sido retirada no novo código por solicitação dos criadores ilegais de camarão no Nordeste) e até questões sobre os incentivos à recomposição florestal. Espera-se que tais debates tornem-se boas notícias ao meio ambiente, em meio a esta tempestade de más notícias recentes, como a do aumento do desmatamento em 144% na Amazônia nos últimos meses, até com uso das armas químicas iguais às da guerra do Vietnã e dos destruidores correntões; bem como as conseqüências das novas usinas hidrelétricas no rio Madeira, que estão trazendo muita destruição à Rondônia, etc.
Vamos esperar, estamos de olho e não podemos perder as esperanças!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Vivemos um grave crise de percepção




O pouco que eu sei sobre o que o cientista Fritjof Capra denominou uma "Crise de Percepção" que, segundo ele, o mundo atual vive, percebo que aqui no Brasil está mais que exacerbado do que nunca.

Vivemos uma gravíssima crise ambiental e a percepção do povo brasileiro (refletido em seu irresponsável governo) é que nada demais acontece. Inclusive toma-se decisões exatamente na direção contrária.

Alguns podem achar que é excesso de pessimismo do autor deste blog (que inclusive ficou um tempo sem escrever aqui tamanho o baixo índice de melhora que se vê na área de preservação ambiental no Brasil).

Como eu sempre digo, temos muito pouco o que comemorar. Vamos voltar um pouco desde o início do ano. Tivemos os desmoronamentos de encostas devido às gravíssimas chuvas no sudeste em janeiro, conforme vimos em São Luís do Paraitinga(SP) e Angra dos Reis(RJ). Em junho as chuvas atingiram o nordeste do país, deixando mais de 40 mil desabrigados. O mais interessante é que tal volume de chuvas ocorreu em uma região notoriamente seca, mesmo sendo na ironicamente denominada "zona da mata". Ironicamente porque mata não mais existe ali e atribui-se cabalmente a submersão das cidades ao desmatamento ao longo de rios e morros nestes 500 anos de Brasil. O ciclo da cana-de-açúcar do Brasil colonial acabou e deixou este rastro de destruição. Que falta que faz a floresta nativa e ninguém percebe isso!

Agora neste "inverno" de agosto, as temperaturas em todo o Brasil estão acima da média (só para situramos, hoje faz cerca de 30 graus em Curitiba, cidade que era denominada a "capital mais fria do Brasil") e as florestas brasileiras dramaticamente queimam de norte a sul. O estado campeão da motosserra, Mato Grosso, deve se orgulhar também que é primeiro lugar em queimadas. Junto com ele, Pará, Acre, Rondônia, Tocantins e muitos outros estão em chamas. Nem mesmo com os problemas respiratórios das pessoas fazem com que elas percebem a falta que as florestas preservadas fazem! Será que nem mesmo com uma cidade quase inteira destruída pelo fogo em Mato Grosso (Marcelândia) vai fazer a população acordar para a preservação ambiental? Não é apenas a falta de comida que mata! E a falta de água também será uma das conseqüências deste verdadeiro ataque à nossa natureza.

E os ruralistas devem estar comemorando (aliás, estes incêndios estão longe de terem características de "causas naturais" - o que eles terão a dizer?), depois de aprovarem em comissão do congresso o assassinato do Código Florestal, afrouxando suas leis e anistiando quem destruiu até hoje. Uma reforma "tiro no pé", pois sem água, terra e ar de qualidade em breve produtor rural nenhum conseguirá plantar.

Estas entidades agropecuárias, junto com alguns políticos inescrupulosos como Aldo Rebelo, fazem de tudo para distorcer a realidade, aumentando ainda mais esta "crise de percepção". Eles tentam levar a população a pensar que nós, ambientalistas, somos contra o desenvolvimento, somos pagos por "organizações internacionais" (quem me dera) para atrasar o desenvolvimento do Brasil, etc. É um profusão de inverdades que beiram o ridículo, pois provas científicas de que o planeta não agüenta mais tamanho abuso não faltam! Os recursos naturais são finitos e a capacidade de reposição planetária há muito se esgotou, portanto preservar é fundamental à nossa sobrevivência.

Da mesma forma os "desenvolvimentistas" instalados em Brasilia nos empurram usinas hidrelétricas totalmente desnecessárias, que inundarão imensas áreas da Floresta Amazônica e nem gerarão quantidade suficiente de megawatts durante todo o ano, como é o caso de Belo Monte (além do que, com o desmatamento intenso a tendência é que a vazão dos rios diminua mesmo). Fazem tudo sem licitação e sem consultar as populações locais - as mais atingidas. Agem como nos governos militares, ignorando o fato de que um mosaico de energias renováveis poderia ser instalado por toda parte, utilizando recursos abundantes como resíduos, vento, sol, etc. Os investimentos seriam menores e o meio-ambiente seria poupado. Novamente vemos a crise da percepção, pois nossos políticos não têm a capacidade de enxergar que o mundo mudou, as tecnologias mudaram, que há alternativas viáveis e sustentáveis. Querem continuar fazendo tudo da mesma forma que sempre fizeram!

A crise da percepção se dá também na forma do povo enxergar seus dirigentes. Não conseguem ver que estão sendo enganados por este partido que está aí - não só na área ambiental - e que estamos caminhando a passos largos para uma ditadura de partido único, com grave ameaça à liberdade de imprensa. Um povo sem imprensa é um povo sem voz. Como reivindicaremos melhorias na saúde, na educação e no meio-ambiente, se nem mesmo dentro desta crise estupenda que vivemos conseguimos? Ainda temos a imprensa para nos informarmos. Sem ela só saberemos o que acontece diante das tragédias. E mesmo com elas, para muitos é difícil perceber...

Na propaganda governamental vivemos um país quase perfeito e sem problemas. Estas mentiras, repetidas milhares de vezes, tornam-se verdades aos olhos do povo.

Como fazer o povo perceber o que acontece diante de seus narizes??

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

LANÇAMENTO: LIVRO DESTE BLOG !

Caros amigos,
Gostaria de divulgar a vocês que o conteúdo deste blog foi publicado no livro "REFLEXÕES ECOLÓGICAS EM UM MUNDO INSUSTENTÁVEL", conforme foto acima

Os textos foram todos REVISADOS, AMPLIADOS e ainda inserimos TEXTOS INÉDITOS na publicação!

O livro está disponível para compra no site CLUBE DE AUTORES.

Os leitores que quiserem guardar este conteúdo em sua biblioteca ou mesmo dá-lo de presente a amigos, eu ficarei bastante honrado!

A luta do TREES FOREVER por um mundo mais sustentável e por governos mais sérios e atuantes na área ambiental vocês já conhecem. Esta luta é de todos nós e eu agradeço muito por estes quase dois anos de convivência aqui neste ambiente virtual!

Se possível, por favor ajudem-nos a divulgar este livro, enviando o site abaixo a seus amigos, conhecidos, colegas de trabalho, familiares, etc.:

http://clubedeautores.com.br/book/9850--REFLEXOES_ECOLOGICAS

Um forte abraço a todos e muito obrigado!!

Gabriel Bertran

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O Apagão Ambiental


Nesta semana o Brasil sofreu um "apagão" energético, tendo o corte de energia atingido cerca de 18 estados da federação, por volta das 22h da terça-feira (dia 10/11).

Não iremos nos ater aos detalhes do ocorrido, pois a imprensa já nos forneceu notícias suficientes sobre o assunto nos últimos dias.

Nem mesmo podemos atribuir, ainda, culpados pelo desastre. Seria muita irresponsabilidade de nossa parte. Da mesma forma, foi de grande irresponsabilidade o governo federal querer "encerrar" o assunto menos de 48 horas após tamanho transtorno ter acontecido. Bem aos moldes de governos ditatoriais como o da antiga União Soviética, o discurso oficial quis apenas apaziguar os fatos, alegando "estar tudo bem" e atribuindo causas climáticas à queda de energia. Tais discursos vergonhosos foram perpetrados pelo ministro Edison Lobão, das Minas e Energia e pela ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil. É visível a ocultação e a negação de fatos, como por exemplo a tentativa de calr o respeitado INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que em suas investigações meteorológicas não detectou raios no local por onde passa a rede de alta tensão de Furnas em Itaberá (SP), onde alega-se ter ocorrido a causa do blecaute. Leiam mais em http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091112/not_imp465216,0.php

Só gostaria de saber por que esta pressa em afirmar que a culpa são dos raios (sem ao menos investigarem), assim como a pressa em "encerrar o assunto"? Isso sem contar a agressividade da ministra com os jornalistas, tentando se defender e antecipando-se que o "apagão da época do pres.Fernando Henrique foi muito pior". A discussão deveria ser técnica, e não política.

Não vou me estender nas causas do apagão, primeiramente por minha formação não ser em engenharia elétrica nem mesmo áreas correlatas. Segundo porque as investigações nem bem começaram. O que eu quero, como cidadão brasileiro (e acho que boa parte dos leitores aqui também) é que os fatos sejam esclarecidos e providências tomadas, pois nada pode pagar o transtorno que milhões de brasileiros passaram naquela noite. Quero que os dirigentes destas estatais - a maioria apadrinhados do PT e do PMDB e que nada entendem sobre o sistema elétrico - sejam honestos uma vez na vida e expliquem-se. Sei que isto é pedir muito a este (des)governo.

E o que acontece, como sempre, em nosso país, é que o maior prejudicado sempre é o meio-ambiente e, por conseguinte, nós, cidadãos, pois dependemos da natureza equilibrada - por mais que ela não esteja. Estranhamente, o novo "apagão" causou, imediatamente, o apressamento da licença de instalação da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, em plena Amazônia, uma das obras faraônicas e destruidoras ambientais que justamente o Brasil não precisa! Foi bastante estranho tal anúncio e quem perde, como já mencionado, é a natureza, a biodiversidade, nossos rios, nossas florestas... Por mais que aleguem que as novas usinas causam impactos "mínimos" no meio-ambiente, as exigências nunca são cumpridas e obras de tal magnitude levam uma quantidade imensa de imigrantes para o meio da floresta que, após o encerramento delas, ficarão desempregados e depredarão tudo o que estiver a sua volta por falta de opção, pois como sempre, nada é amplamente planejado no Brasil. Tudo é imediatista. Várias experiências com grandes obras como estas nos mostram o cenário de destruição que deixam.

E por falar em imediatismo, ...

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Gabriel Bertran

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Município símbolo de desmatamento agora preserva

Em meio a esta profusão de más notícias que assola nosso país, onde ruralistas lutam para aprovar leis que os permitam desmatar ainda mais do que já o fizeram (quando precisaríamos de mais preservação); ao mesmo tempo que tempestades fora do comum assolam a área mais desmatada do sul do Brasil e ninguém associa uma coisa a outra (isso para ficar só no plano ambiental, que é tema deste blog - nem comentarei helicópteros derrubados enquanto a vida dos traficantes é facilitada pelas leis, etc.) eis que encontrei no site O ECO um fato interessante, que gostaria de compartilhar com vocês: o município de Paragominas, no Pará, que já foi símbolo do desmatamento em décadas passadas, hoje é um dos que menos desmata, devido as ações da prefeitura!

Os detalhes sobre estas ações estão na entrevista abaixo. O que é importante deixar registrado é que é possível conciliar desenvolvimento sem desmatar a Amazônia. Esta economia de ganhos fáceis, mas extremamente predatória, que só deixa terra arrasada e pobreza, precisa acabar. Gostaria de parabenizar o prefeito Adnan Demachki (PSDB) por conseguir conciliar as causas ambientais com o desenvolvimento social, em meio a um território altamente dominado por madeireiros, grileiros de terra, pecuaristas ilegais, etc.

Vamos à entrevista, retirada do site O ECO:


Mudança na fronteira PDF Imprimir E-mail
Andreia Fanzeres
29/10/2009, 14:50
Paragominas, município paraense quase do tamanho de Sergipe que desde a abertura da estrada Belém-Brasília, nos anos 70, virou sinônimo de desmatamento desenfreado na Amazônia, respirou mais uma vez aliviada. No dia 23 de outubro saíram os números do desflorestamento auferidos pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente na Amazônia (Imazon) referentes a agosto de 2009. Dos 1.100.000 hectares que restaram florestados houve desmatamento em apenas 72 hectares em pleno auge da seca. Especificamente em cinco pontos. No comando do município desde 2005, o prefeito Adnan Demachki (PSDB) comemora quase dois anos do pacto ambiental que firmou com empresários e associações de classe no município de 100 mil habitantes para frear o desmatamento, e sabe que seu sucesso não estaria se confirmando agora sem parcerias estratégicas com o Imazon e a TNC (The Nature Conservancy), que colaboram com dados, capacitação e assistência.

Por isso, Demachki virou vitrine, e concilia a agenda na prefeitura com os diversos pedidos de palestras em tudo quanto é evento ambiental no Pará. “Já temos 45% de nossa área desmatada. A conversa da época em que o governo federal estimulava o desmate é coisa do passado. Estamos em outro momento”, diz.

Segundo o prefeito, Pargominas tem hoje 70 mil hectares protegidos por parte da Terra Indígena Alto Rio/Guamá, 80 mil hectares de florestas certificadas pelo FSC Brasil (Conselho Brasileiro de Manejo Florestal), além de mais 200 mil hectares de planos de manejo em vigor. O resto são áreas de reserva legal. Ainda está longe de viver um mar de rosas no quesito ambiental, mas o prefeito pontua, nesta entrevista a O Eco, que é preciso mais do que boa vontade para ver os primeiros resultados concretos de compromissos ambientais que, na boca da maioria dos políticos, são tratados como promessas abstratas.

O Eco: O senhor firmou o pacto ambiental no município em fevereiro de 2008 e em outubro foi reeleito. A bandeira ambiental, que costuma atrapalhar os gestores do arco do desmatamento, desta vez ajudou?

AD: Quando o prefeito se mexe para evitar desmatamento, demonstra preocupação ambiental, geralmente não tem sucesso político. Não quer que isso cause desgaste eleitoral. Em outubro de 2008 tivemos eleições. E eu comecei a monitorar o desmatamento desde fevereiro. Era para eu não ter sido reeleito. Eu tive a maior votação do Pará, com 82% dos votos do município. O segredo foi não empurrar a questão ambiental goela abaixo.

O Eco: Como?

AD: Começamos a conversar, a mostrar que essa história de produzir em área recém desmatada não tem futuro, o mercado quer produto de origem responsável, ninguém vai comprar boi nem madeira de desmatamento. Vamos sair desta confusão. Vamos fazer uma ilha em Paragominas, e conversando conseguimos convencer a sociedade. O projeto não é meu, é de todos. Há anos estamos criando certa consciência ambiental. Quando eu assumi, uma das primeiras ações foi criar uma secretaria municipal de meio ambiente, que aqui existia, mas era junto da pasta de saúde. Agora temos 30 mil crianças nas escolas tendo aulas de educação ambiental. Chamei a sociedade civil, os 10 vereadores, 51 entidades representativas, entre maçonaria, comerciantes, sindicato de trabalhadores, etc. e fizemos um pacto. Isso aconteceu no dia 28 de fevereiro de 2008.

O Eco: Qual é a estrutura da secretaria de meio ambiente de Paragominas?

AD: Temos dois engenheiros ambientais, uma advogada, um engenheiro agrônomo e três ou quatro fiscais. Isso não é suficiente para o município de 100 mil habitantes, mas são os recursos dos quais a prefeitura dispõe. Temos ainda um veículo, e estou pedindo através de um projeto ao Fundo Amazônia para que nossa estrutura melhore. O treinamento dos funcionários foi feito com ajuda do Imazon. Além disso, temos conselho municipal de meio ambiente. Estamos com vários projetos de replantio na zona urbana e na zona rural. Uma meta de 100 milhões de árvores plantadas, e já conseguimos 50 milhões. Nove prefeituras vizinhas vieram conhecer nossa experiência – Município verde – e me parece que o Imazon está preparando algo semelhante para esses municípios. Desde abril deste ano a TNC está nos ajudando com o diagnóstico das propriedades rurais, para conhecermos o passivo ambiental de cada uma. E também queremos ter todas as pessoas incluídas no nosso Cadastro Ambiental Rural (CAR), que começou a funcionar há apenas três meses no estado.

O Eco: Como essa parceria é operada mês a mês?

AD: Todo mês o Imazon manda o relatório Transparência Florestal, exclusivamente para Paragominas. Manda foto de satélite, informando se houve desmatamento, o tamanho e a coordenada. Eu chamo meus técnicos, eles vão a campo validar ou não o desmatamento. Se o desmatamento de fato ocorreu, chamamos o responsável, o sindicato rural ou madeireiro na prefeitura e depois encaminhamos a denúncia ao Ibama ou à Sema (Secretaria Estadual de Meio Ambiente).

O Eco: E isso é suficiente para frear o desmatamento?

AD: O SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento, mecanismo trabalhado pelo Imazon) mexe com imagens recentes. Pega o desmatamento no início. O Ibama quando vai multar aparece na área um ano depois. A gente vai logo em seguida. Desde que começamos esse trabalho temos tido resultados interessantes, com redução do desmate em 43% no primeiro ano, depois 76% no segundo ano. O que temos agora são pequenos focos, em assentamentos e invasões. Não temos mais o médio nem o grande produtor desmatando.

O Eco: O que o faz acreditar que a sociedade está mais consciente agora, que isso não é uma contingência do mercado, que não é passageiro?

Laboratório da Amazônia



Paragominas reúne características que tornam o desafio da adequação ambiental peculiar. Segundo explica Paulo Amaral, pesquisador do Imazon, o município já experimentou todas as atividades produtivas da Amazônia. Teve intensa pecuária, forte atividade madeireira, experimenta o ciclo da agricultura e da mineração. Tudo isso trouxe conseqüências. “O município entrou na lista dos maiores desmatadores da Amazônia, os produtores não puderam mais acessar as linhas de crédito, então a população local não viu alternativa, tinha que reduzir o desmatamento. É uma questão econômica, de sobrevivência”, considera Amaral.

Essa predisposição, aliada a uma forte liderança política – a prefeitura – viabilizou diálogos e parcerias para a construção de um novo projeto para o município, caso contrário os efeitos mercadológicos de rejeição de produtos com origem duvidosa ou oriundos de desmatamento iriam fatalmente comprometer o desenvolvimento econômico local.

No caso de Paragominas, o fato de o município ainda ter cerca de metade de sua cobertura florestal não é fator a se comemorar. Na verdade, para adequar-se à legislação, seria preciso ter 80% preservado. Isso representa um déficit de cerca de 30%, que deve agora ser recuperado para que os proprietários voltem a ter acesso a crédito. “O município só vai sair da lista dos grandes desmatadores quando reduzir o desmatamento a patamares menores que cinco anos atrás e se 80% das propriedades estiverem no Cadastro Ambiental Rural (CAR)”, lembra o pesquisador.
AD: Vou lhe contar um caso que aconteceu dois meses atrás. Os sindicatos vieram me procurar na prefeitura, dizendo que a SEMA tinha liberado licença de desmatamento de mil hectares em Paragominas. Os sindicados vieram me pressionar, porque se o primeiro fizer desmatamento, outros vão fazer. Fizemos um documento, mandamos para a SEMA e para o ministro (do meio ambiente) Carlos Minc. Na verdade, este era o caso de um proprietário que tinha 100% de sua área com floresta, então pela lei ele podia desmatar 20% e esses 20% equivaliam a mil hectares. Juntos, no final das contas, conseguimos evitar este desmatamento. Foi mérito da sociedade.

O Eco: E o velho argumento de que se a economia do desmatamento ilegal e fácil acabar, vai haver desemprego? Isso não apareceu?

AD: Apareceu, mas não foi tão forte porque o nosso sindicato rural já trabalha com boas práticas agropecuárias em Paragominas, com ajuda da TNC, da Embrapa. O que tem sido mais difícil é conseguir apoio do estado e da União, porque não tem sido fácil convencer os pequenos a não desmatarem para fazer carvão e mandar para as guzeiras.

O Eco: Apesar do que já foi feito, a economia irregular do carvão no leste do Pará ainda é a grande pedra no sapato de Paragominas...

AD: Tivemos um desmatamento num local chamado Colônia Oriente. Mandei meu pessoal verificar e eles encontraram dois caminhões de carvão. Prenderam os veículos, que estavam sem nota, com tudo ilegal, e levavam o carvão para as guzeiras de Marabá e Açailândia. Resultado: as guzeiras deixaram de comprar carvão dessa colônia. Semana passada, cerca de 200 pessoas dessa colônia me procuraram na prefeitura reclamando de que elas precisavam trabalhar. Eu fiquei das 9h até as 16h conversando com eles, dizendo para tentar trabalhar na área aberta sem ter que desmatar. Mas meus recursos são limitados. Minha receita é pequena. Os assentamentos rurais não têm apoio do Incra. Então a minha dificuldade são os pequenos. Eles derrubam a floresta não porque querem, mas um caminhão de carvão vale cinco mil reais. Isso é muito dinheiro para eles. A tentação é grande. Temos que levar renda para a pequena propriedade.

O Eco: As tentativas de geração de renda e empregos do governo federal nos municípios críticos de desmatamento na Amazônia não deram resultado?

AD: A operação Arco Verde passou aqui por Paragominas e eu não conheço nenhum emprego gerado.

sábado, 15 de agosto de 2009

Mudanças Climáticas desconsideradas

É incrível o que acontece atualmente, mas muita gente parece viver em "outro planeta", mesmo estando aqui nesta Terra inundade de informações e evidências, que nos mostram, claramente, que as mudanças climáticas estão aí.

Pegando algumas evidências das últimas semanas (sem considerar outros meses ou anos) dá pra ver claramente que algo não anda bem. No Vale do Itajaí, em Santa Catarina, as chuvas atípicas de julho voltaram a deixar a região em estado de alerta devido a deslizamentos e inundações. Claro que em 6 meses desde a última enchente não iam consertar os estragos ambientais de décadas, mas vê-se que algo continua muito errado por lá. Em Goiânia (GO) tivemos a maior temperatura média para o mês de julho desde 1937. Na Ásia tivemos tornados acomanhados de chuvas fortíssimas nas últimas semanas que produziram estragos incomensuráveis, com dezenas de milhares de desabrigados na Índia, na China, em Taiwan, etc.

E mesmo assim, a maior parte dos países signatários da Convenção do Clima, que estiveram reunidos esta semana em Bonn, na Alemanha, nos preparativos para a para a COP 15 do final do ano, relutam em reduzir suas emissões aos níveis recomendados pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima), que giram em torno dos 40%. É incrível como fazem um jogo de "empurra-empurra", como se a questão climática não fosse emergencial! A União Européia, por exemplo, propõe reduzir 20% suas emissões e, dependendo do que os Estados Unidos propuserem, podem chegar a 30%! Alguns países não querem reduzir NADA, como é o caso do Brasil e da China, que alegam serem "países em desenvolvimento"... É lamentável, pois a China já é o maior poluidor global e o Brasil está oscila em torno do quinto lugar, devido às queimadas na Amazônia! Com discursos populistas, vêm afirmar que irão perder empregos e divisas; quando poluição não é sinônimo de desenvolvimento, de forma alguma.

Isso se deve ao fato dos custos ambientais não serem computados em cálculos macro-econômicos, como o do PIB (Produto Interno Bruto) dos países, por exemplo. Não se mensura o número de vidas e de patrimônio perdido em tragédias ambientais (alguns economistas equivocadamente até consideram tragédias como "oportunidades de crescimento econômico"), nem mesmo o custo aos sistemas de saúde com o tratamento das pessoas afetadas pela poluição atmosférica ou da água. Sem contar os serviços ambientais gratuitos que as florestas nos prestam com sua biodiversidade. Estes são apenas alguns exemplos do que se perde com a degradação ambiental, o que com certeza é muito mais do que os empregos perdidos com a redução da poluição, porque estes podem ser compensados com novas funções que o setor ambiental está criando e continuará a criar. É uma nova economia, uma "eco-economia" que o mundo não consegue enxergar!

Existe uma proposta a ser discutida e aprovada na Conferência do Clima que ocorrerá em Copenhage, no final do ano, que é da certificação REDD (Redução de Emissões por Degradação e Desmatamento). Esta certificação complementa a do atual Protocolo de Kyoto, por incentivar a preservação das florestas nativas intactas, como forma de reduzir as emissões. No Brasil, por exemplo, a maior parte das emissões são causadas na mudança do uso do solo florestal, desmatando e queimando a vegetal nativa e depois revolvendo o solo para plantar. Nas três operações há liberação de carbono. Agora os serviços ambientais que a biodiversidade nos presta, ainda que difíceis de serem mensurados, são tão ou mais importantes do que a manutenção do carbono na floresta. Isto o REDD assegura, que estes serviços continuarão a serem prestados. Mas, por incrível que pareça, o (des)governo brasileiro se coloca contra esta norma REDD! Seria a solução para preservar a Amazônia, com o aporte de recursos estrangeiros em sua preservação! Mas, injustificadamente, os representantes do lulo-petismo no exterior apresentam seus discursos populistas, com medo da Amazônia ser invadida, etc. e tal, para, mais uma vez, não assinar acordos internacionais que preservem nossos recursos naturais! Ou seja, mais uma vez, tudo na contra-mão do que deveria ser!

Isso sem contar o não-investimento em energias alternativas (só incentiva-se grandes hidrelétricas que desmatam e inundam áreas imensas de florestas), a abertura de estradas em áreas ainda preservadas, o desmantelamento do Código Florestam em nome de ruralistas inescrupulosos que já destruíram quase tudo o que podiam e o que não podiam, etc.

O tempo está se esgotando. Talvez não consigamos reverter o aquecimento global e suas conseqüências. Mas ao menos estabilizar o clima talvez fosse possível com algumas medidas que não significam tanto sacrifício quanto nossos dirigentes afirmam serem necessários. Mesmo assim, nada de novo é feito. Apenas reuniões que acabam decidindo que fiquemos do mesmo jeito. Só que o mundo já não é mais o mesmo. Será que iremos acompanhar estas mudanças?

sábado, 8 de agosto de 2009

Repúdio à Censura

Caros amigos,
Hoje falo aqui, com muito pesar, sobre uma notícia que ocorreu há cerca de uma semana (já está defasada, portanto), mas que não deve ser esquecida, dada sua importância.
Como vocês já devem saber, o jornal O Estado de São Paulo foi censurado pela família de José Sarney, através de recurso judicial dado por um desembargador amigo desta família de coronéis nordestinos. Não vou me ater aos detalhes da notícia, a qual vocês podem ler no link abaixo:

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,justica-obriga-grupo-estado-a-retirar-gravacoes-de-sarney,411711,0.htm

O que quero ressaltar neste espaço é que a liberdade de imprensa não pertence aos jornais, ela pertence a todos nós, que temos o direito de saber o que ocorre por toda parte.

O mais interessante é que, no meio da maior das roubalheiras que já se viu "neççe paíz" (como diz nosso presiMENTE), o único punido é um meio de comunicação sério como o Estadão! Ou seja, pune-se quem fala a verdade. Tenta-se calar a nossa voz. Tenta-se tirar da população o seu direto à informação! E tudo isso em um período de nossa história que se diz democrático. É uma sombra do regime de exceção que o país viveu entre 1964 e 1985 - justamente quando, ao final deste período ditatorial, este mesmo José Sarney tornou-se presidente, por um acidente do destino - provavelmente ele nunca quis deixar de exercer o "pudê", pois até hoje está em evidência e não quer saber de sair do vergonhoso cargo que ocupa.

Parece que a aliança entre os "bolivarianos" da América Latina e os "coronéis" do Nordeste brasileiro se consolidou no governo lulla (vale lembrar que lulla já afirmou que a Venezuela tem "muita democracia" - e todas as semanas vemos fechamento de veículos de imprensa por lá - imagine se aquele país não fosse uma "democracia"). As piores e mais retrógradas forças dirigentes, as quais só pensam em obter vantagens para si mesmos, continuam no comando do Brasil. O lulla adula tanto os ditadores estrangeiros quanto os corruptos brasileiros. Todos que, quando ele era candidato, fazia questão de xingar com as palavras mais baixas! Quantas vezes lulla chamou sarney e collor de ladrões, sendo que hoje os defende como "pessoas incomuns"? É uma inversão total de valores.

Alguns perguntarão o que este blog, voltado ao meio-ambiente, tem a ver com isso, com essa politicagem toda? Bem da verdade, tudo o que ocorre prejudica sim o nosso meio-ambiente. Até porque a manutenção de tudo como está retroalimenta esse sistema de destruição da Amazônia, que é intimamente ligado a políticos corruptos (que drenam milhões em recursos que poderiam ser aplicados em preservação, para o bolso delles). Bem sabemos que grande parte deles têm fazenda da gado na área da Amazônia Legal (inclusive o filho do presidente lulla). Por aí vemos que não há o menor interesse na preservação. A aliança delles com os ruralistas é visível. E em todas as reuniões internacionais sobre mudanças climáticas de que o Brasil participa, nunca existe boa vontade em reduzirmos nosso desmatamento e nossas emissões. Tudo em nome de um pseudo-desenvolvimento, que é altamente destrutivo.

E até nesta área existem censura: os números do INPE referentes ao desmatamento são sistematicamente manipulados pela propaganda oficial do (des)governo, com o claro intuito de mostrar que está tudo bem e que estamos reduzindo o desmatamento! Mas na prática quase nada se fez de concreto. O que for feito de bom nós iremos apoiar (apesar deste blog NÃO apoiar o governo atual, já criticamos a oposição também, como no caso das Marginais em São Paulo). Mas queremos ver resultados práticos, não mera propaganda enganosa.

Estamos de luto pela censura neste país. É um episódio triste, que se se repetir, poderá levar-nos a uma situação institucional realmente perigosa. Se hoje eles já fazem o que querem, imagine sem liberdade de informação! Que fique o alerta registrado.

domingo, 12 de julho de 2009

Não são as licenças ambientais que travam os investimentos

Gostaria de mencionar aqui esta reportagem que saiu no caderno de Economia do Estadão de domingo passado (05/07/09), intitulada "Máquina federal trava investimentos", a qual menciona estudo do economista Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Tal estudo constata que as restrições ambientais são um dos fatores que menos pesam no fato dos investimentos do famoso "pac" da Ministra Dilma não decolarem!

Ou seja, todo este discurso do lulla, culpando "bagres" e "pererecas" para que as obras do (des)governo não andem é balela. Discurso este endossado por algumas emissoras de TV e pela bancada ruralista no congresso, bem como pelos falsos desenvolvimentistas de plantão.

A questão é meramente administrativa. Grande parte das obras do tal "pac" não passam de placas anunciando as mesmas, além de caríssimos comerciais em TVs, jornais, etc.

Claro que algumas obras absurdas em meio à Amazônia, como duplicações/pavimentações de rodovias, como a BR 319 e a BR 163, não deveriam nem ser cogitadas, devido à ameaça às últimas áreas preservadas da maior floresta tropical do mundo (investimentos em transportes ferroviário e aquaviário - bem menos impactantes em suas margens - sequer são cogitados e está comprovado que rodovias em meio à Amazônia são sentenças de morte à floresta). Mas creio isto ser assunto para outro tópico.

Mas fica aí o alerta desta reportagem, que "botar a culpa de tudo no meio-ambiente" é um grande erro. Só serve para desmoralizar o trabalho sério de algumas instituições ambientalistas, que nada fazem além de alertar-nos que chegamos ao limite e precisamos repensar o modo de nos "desenvolvermos".

P.S.:caso alguém não tenha conseguido clicar no link acima, copie e cole conforme abaixo, para ler a notícia:

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090705/not_imp397949,0.php

Caros amigos,
Para continuar a ler este e outros textos, gostaria que vocês conhecessem este livro.
Ele possui todos os TEXTOS deste blog REVISADOS E AMPLIADOS , bem como TEXTOS INÉDITOS também!
O livro "REFLEXÕES ECOLÓGICAS EM UM MUNDO INSUSTENTÁVEL" vocês podem adquirir clicando na imagem acima, no site CLUBE DE LEITORES.

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Um forte abraço a todos e muito obrigado!!

Gabriel Bertran

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Boas e más notícias no Dia do Meio-Ambiente

Pois é, amigos, chegamos a mais um "Dia do Meio-Ambiente" (5 de junho) e novamente eu pergunto: há o que comemorar.

Bem, relembrando, o texto anterior deste blog deu uma pincelada sobre as últimas ações nesta área nos últimos tempos, que foram, em sua maioria, contra o meio-ambiente. Podemos eleger como a "pior de todas" esta medida provisória que praticamente entrega as terras amazônicas a seus desmatadores, aos grileiros, aos bandidos que durante décadas só causaram destruição e miséria à região! Isso só vem provar que o crime compensa no Brasil. Seja este crime praticado por grandes fazendeiros ou pelos "pobres" (SIC) sem-terra. Todos grilam, desmatam, queimam e abandonam. E agora ganham. É lamentável. Nós, ambientalistas, estamos de luto neste dia, como bem colocou o site do Greenpeace. Nem vou me ater muito a esta medida provisória, pois acredito que todos têm lido nos jornais/internet ou assistido muito sobre ela na TV.

Agora, para melhorar um pouco o astral, nem tudo são más notícias nesta semana que se passou. Apesar de que esta boa notícia que citarei agora (muitos já devem saber dela) decorre de um absurdo injustificável que continua ocorrendo no Paraná e em Santa Catarina: o desmatamento da flores ombrófila mista (matas com araucárias), da qual restam menos de 1% preservados, conforme comentamos aqui diversas vezes. Devido a este descalabro ainda continuar, ocorreu nesta semana a prisão de alguns prefeitos, vice-prefeitos, secretários e parlamentares de municípios da região sul do Paraná, em operação conjunta da Polícia Federal com o Ibama e com o Instituto Ambiental do Paraná. Leiam a reportagem completa do jornal Gazeta do Povo clicando ou copiando o link abaixo:

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=892876&tit=Politicos-sao-presos-por-desmate

Por um lado é um avanço alguém ser preso por crime ambiental no Brasil, ainda mais políticos. Por outro, duas coisas desanimam: este crime ainda continuar num estado que está quase todo desmatado; além de ser difícil confiarmos nas leis brasileiras, cheias de brechas que permitirão que estes políticos se livrem da cadeia e até das multas.

Claro que a solução para o problema vai muito além disso. Programas de incentivo governamental aos proprietários de terras que mantiverem suas matas nativas em pé seria uma das soluções. Valorizar os produtos que evitem o corte das araucárias, como os pinhões comestíveis e as folhas (grimpas), com as quais pode-se fazer madeira (chamada PMGP, um tipo de MDF), conforme outra matéria que publiquei aqui no blog (leiam em http://treesforever.blogspot.com/2008/03/idias-2-novos-tipos-de-madeira-ecolgica.html ).

Mas tudo isso para virar realidade em nosso país... um país que desvaloriza tanto sua natureza, por considerá-la infinita... acabará por perdê-la.

Continuamos de luto por esta semana, mas não vamos perder as esperanças nem vamos deixar de combater tamanhos absurdos!

Feliz Dia do Meio-Ambiente a todos!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Todos contra o Meio-Ambiente

Este blog às vezes pode parecer negativo demais, eu reconheço; mas eu pergunto a vocês, amigos, como podemos agir de outra forma diante de tantos absurdos praticados contra o meio-ambiente, principalmente aqui no Brasil?

E o contra-senso é total: em um momento que as tragédias associadas ao Aquecimento Global estão aí, na cara de todos (enchentes ano passado em Santa Catarina e este ano no Nordeste, seca recorde no Sul do país e muitos outros fatores), os governantes, os ruralistas e as televisões parecem associar-se contra a preservação do pouco que resta preservado de nossa natureza. Senão vejamos, resumidamente, algumas ações recentes. Vamos nos concentrar apenas nestes últimos 5 meses ou pouco mais:

- Aprovação do criminoso "código ambiental" em Santa Catarina (deveria se chamar "código de destruição"), o qual permite que as propriedades rurais praticamente não tenham mais mata ciliar (5 metros não é nada), dentre vários outros absurdos;
- A TV Bandeirantes desencadeou campanha deslavada contra as leis ambientais, enganando a população ao dizer que tais leis "travam o desenvolvimento do Brasil";
- Fazem coro junto com este canal de TV o ministro da agricultura Reinhold Stephanes, a ministra da casa civil "mãe do pac" Dilma Roussef, o "ministro americano" Mangabeira Unger e mais uma série de outros funcionários do primeiro escalão do (des)governo, todos contra as leis ambientais e a favor de um "desenvolvimentismo" suicida, típico dos governos militares dos anos 60 e 70;
- O fanfarrão "lulla", o qual se diz presidente, deu voz a esta campanha, com suas blasfêmias de dizer que as obras que "eççe paíz precisa" não vão pra frente por causa do bagre, da perereca, etc., bem como dizer que se existissem leis ambientais nos anos 50, Brasilia não existiria, dentre outras idiotices típicas de quem não estudou e faz discurso sem o menor embasamento;
- Com esse empenho todo, o mesmo presidente decreta lei que permite a destruição de nossas cavernas (o que o país vai ganhar destruindo estes importantes abrigos de biodiversidades quase extintas, bem como de sítios arqueológicos?), autorizando também a "doação" de terras Amazônicas aos mesmos criminosos que destruíram quase 20% da (ainda) maior floresta tropical do mundo (ou seja, ser criminoso neste país realmente continua compensando) e, o pior, aprova leis incentivando a abertura e asfaltamento de estradas nos locais mais remotos e (ainda) preservados da Floresta Amazônica (isto é uma decretação de pena de morte para a floresta);
- Para completar, a bancada ruralista no congresso tenta aprovar lei que dá autonomia a estados e municípios para legislarem da forma que bem entenderem sobre as questões ambientais, o que dá força a absurdos como esta lei catarinense e criará mais uma série de brechas para o desmatamento pelo país afora (como se já não desmatassem sem respeitar nada, imaginem amparados pela lei!).

Eu não estou me lembrando de todos os absurdos dos últimos meses. Sei que, enquanto isso, tenta-se enfraquecer mais um ministro do meio-ambiente, deixando o midiático Carlos Minc ainda mais fraco do que já é em suas ações.

Tem horas que nós, como ambientalistas que somos, perdemos quase todas as esperanças. Foram anos de conquistas de ONGs sérias como SOS Mata Atlântica, Greenpeace, WWF, Ipê, etc., as quais passaram a década de 80 lutando por aprovações de leis que freassem a destruição violenta pela qual a natureza passou nos últimos séculos, e que agora se vêem desmoralizadas por governos e TVs populistas, que de uma hora pra outra resolveram colocar a população contra os ambientalistas, contra a preservação!

O Brasil já é um país cuja população, por natureza, despreza o meio-ambiente. É só ver nas cidades o quanto de árvores são cortadas pelos próprios moradores, sem saber o quanto o verde os beneficia; a imensa impermeabilização das cidades que causa enchentes astronômicas; o descaso com o lixo, que é jogado em ruas, rios e córregos e quase nunca reciclado. Indo para o meio rural, basta ver o desprezo de grande parte dos agricultores pelo "mato", que deve ser cortado e queimado a todo custo. Enfim, práticas que vêm de longe e que mostram que a consciência ambiental tinha que começar na casa, na cabeça de cada um. E o pouco de avanço que podemos ter tido vai por água abaixo com este discurso errôneo de que "preservação ambiental é atraso".

Enquanto isso, num plano macro, não se investe em energias alternativas, como solar e eólica. Só se fomenta inundações dantescas na Floresta Amazônica para construir hidrelétricas (que além de acabarem com a floresta, geram gás metano e levam pobreza e sujeira às regiões próximas); fomenta-se mais usinas termoelétricas, queimando óleo e carvão; investe-se no transporte rodoviário até em áreas preservadas, quando o ferroviário poluiria menos e não impactaria as margens da via; etc.

Como se vê, o movimento ambientalista está sendo sistematicamente atacado e enfraquecido.
...

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Gabriel Bertran


sábado, 4 de abril de 2009

Canal de TV faz campanha contra ambientalismo



Nossos canais de televisão nunca foram totalmente imparciais em suas coberturas jornalísticas. Eu sempre preferi me informar mais pela mídia impressa do que pela televisiva, quase sempre sensacionalista e, muitas vezes, tendenciosa, até pelo nível de cobertura que atingem na população em geral. Esta grande influência da televisão às vezes é até positiva, em alguns casos, mas muitas vezes serve mais à manipulação da grande massa, e temos inúmeros exemplos disso ao longo dos nossos mais de 50 anos de televisão no Brasil.

Destes canais, um dos que eu considerava que tinha um jornalismo um pouco mais independente era a TV Bandeirantes, principalmente frente ao jornalismo "chapa branca" da líder TV Globo (até por esta ser, em geral, sempre aliada dos governos em exercício, sejam eles quaise forem, com raras exceções). Mas o pouco de admiração que eu tinha pela Band está caindo por terra.

Tenho acompanhado neste canal uma crescente campanha contra o ambientalismo no Brasil. Primeiro por matérias tendenciosas em seus jornais, como a que pede mudanças no Código Florestal Brasileiro, para que este seja mais permissivo aos agricultores (como se até hoje não se tivesse desmatado nada - já perdemos quase todos os nossos grandes biomas e agora o Amazônico é a ultima fronteira que está sendo pilhada sistematicamente).

O maior flagrante desta campanha "anti-ambientalista" é a repetição sistemática, durante a programação, de trechos de uma destas reportagens, mostrando produtores rurais mineiros que foram presos por crimes ambientais (talvez um caso isolado, pois raramente prende-se por este tipo de crime no Brasil). Não vou nem discutir a medida tomada pelas autoridades mineiras, talvez houvessem meios menos radicais de punir os agricultores, através de recomposição de matas, educação ambiental, etc. O problema é o tom dramático que a Bandeirantes imprime a esta verdadeira propaganda anti-ambientalista, com orquestração de fundo e dando a entender que somente os produtores rurais teriam razão, não indo a fundo na questão ambiental. E terminam a campanha com o slogan : "Se o código florestal não mudar, o Brasil vai parar".

Complementa-se a campanha com amplas matérias mostrando a precariedade das estradas que cortam o norte do Mato Grosso, atrapalhando o transporte da soja. Bem, para começar, estas estradas nem deveriam estar lá, pois aumentam a pressão sobre a Floresta Amazônica e o estado do Amazonas (o mais preservado por enquanto) será a próxima vítima. Mas isto nem é cogitado. O jornalismo da Bandeirantes parece trabalhar apenas em nome do "desenvolvimentismo", modelo este que já se viu falido, com muitos exemplos na Grande São Paulo e Baixada Santista, por exemplo, regiões que acabaram com seus rios e florestas em nome de um desenvolvimento industrial a qualquer custo, deixando um passivo de terras e águas tão poluídas que talvez nem em 100 anos consigam ser limpas. Hoje as enchentes e a poluição atmosférica são apenas a ponta do iceberg no que resultou este "desenvolvimentimo". Desenvolvimentismo que acabou com as florestas de araucárias no Paraná, em menos de 50 anos de exploração intensiva, alterando sensivelmente o clima, acabando com a biodiversidade e hoje deixando milhares de agricultores sem água, principalmente no oeste do estado. Os mesmos que desmataram são os que reclamam do "clima" hoje. Ninguém conta os serviços ambientais gratuitos que as florestas trazem! E, finalmente, o exemplo mais visível de todos, a tragédia das enchentes e desabamentos em massa em Santa Catarina, causadas pela combinação das mudanças climáticas mundiais com o desmatamento local, que acabou com a capacidade do solo de absorver a água e com as florestas de protegerem as encostas. E ainda por cima vêm os parlamentares catarinenses e aprovam, na semana que passou, uma lei para diminuir as reservas legais! Tudo na contra-mão, e esta lei vai de encontro com o que a TV Bandeirantes prega: diminuir as reservas legais em todo o País! Isso para, supostamente, "beneficiar" o agricultor! Ao contrário do que estes irresponsáveis jornalistas pregam, esta diminuição vai deixar a lavoura com menos água e com terra de pior qualidade. No estado de São Paulo alguns agricultores que recompõe a mata em suas propriedades já colhem os ganhos de produção. Não é preciso plantar em toda a área, mas se deixar eles plantam até dentro dos rios! A solução passaria por educação ambiental, programas de qualificação de propriedades para a agricultura orgânica e ecológico, mas nisso ninguém fala na televisão!

A campanha da Bandeirantes culminou na entrevista do ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, no programa Canal Livre do dia 01/03/09. Era notória a tonalidade tendenciosa dos entrevistadores, jornalistas de grande credibilidade como Joelmir Beting, Fernando Mitre e Antonio Teles. Direcionavam as perguntas enfatizando o "absurdo das reservas legais" e a "perseguição aos agricultores", "tornando-os bandidos"; frases proferidas até de forma violenta, para incentivar, ainda mais, o ministro membro das elites agrárias que devastaram o Paraná, a apoiar ainda mais as iniciativas de liberalização do desmatamento! E nos intervalos comerciais (em todos), dá-lhe a mesma reportagem sobre os agricultores mineiros! Lavagem cerebral no telespectador é apelido! Na semana seguinte, no dia 08/03/09, o mesmo programa fez um "mea culpa", chamando o midiático ministro do meio-ambiente, Carlos Minc, mas mesmo assim fazendo alguns "flash-backs" com imagens do ministro da agricultura no programa anterior. O ministro Minc, como sempre saindo pela tangente, conseguiu driblar as perguntas tendenciosas dos entrevistadores, não apresentando (como sempre) soluções definitivas, mas defendendo ao menos a preservação da Amazônia. E o próprio Minc se comprometeu a não endurecer mais o código florestal...

De fato não deveríamos "endurecer" o código, mas simplesmente aplicá-lo, aliado a um bom programa de requalificação de propriedades, até para que os agricultores gerem renda a partir da floresta e ganhem pela preservação. Mas não se fala nisso. Aí é minha opinião, de que nem o governo está certo na aplicação da lei, porque ela está sendo aplicada de forma errada e em muitos casos nem aplicada. E também não estão certos os que combatem esta lei, porque ela está aí é para preservar o pouco que resta de nossa natureza, de forma que nós mesmos, habitantes da nave Terra, sobrevivamos!! Os ambientalistas, em sua maioria, não são sonhadores nem radicais: são apenas realistas e baseiam-se em estudos científicos. O desenvolvimentismo dos anos 60/70 não pode voltar, mas o (des)governo atual tem uma forte tendência para voltar a este modelo, via PAC e outros planos eleitoreiros. O meio-ambiente está em segundo plano. Mas ninguém percebe que ele permeia tudo!

No momento atual temos que tomar cuidado com estas tentativas de retrocesso, como a que presenciamos em Santa Catarina e espalha-se por todo o Brasil. Pode ser nossa última chance de mudarmos para um modelo que a todos beneficia! Mas os que sempre produziram de forma predatória, não querem largar seus costumes, não querem "largar o osso". Mas é questão crucial até para ELES sobreviverem!

Voltando à TV Bandeirantes, não vou nem questionar quem pode estar financiando esta campanha contra o ambientalismo. Não é muito difícil concluir, visto o grupo ter um canal voltado ao meio rural, o "Terra Viva". Mas aí são suposições. De qualquer forma este respeitado grupo de mídia trabalha contra os brasileiros, pois o afrouxamento das leis ambientais condenará todos nós à morte..



Caros amigos,
Gostaria de divulgar a vocês que o conteúdo deste blog foi publicado no livro "REFLEXÕES ECOLÓGICAS EM UM MUNDO INSUSTENTÁVEL", conforme foto acima

Os textos foram todos REVISADOS, AMPLIADOS e ainda inserimos TEXTOS INÉDITOS na publicação!

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Gabriel Bertran


quarta-feira, 1 de outubro de 2008

EU NÃO FALEI ??? SEM-TERRA SÃO GRANDES DESMATADORES SIM!

No dia 16 de Março deste ano eu havia escrito, aqui neste mesmo espaço, sobre o fato dos sem-terra serem grandes desmatadores, já responsáveis por mais de 15% do desaparecimento da (não sei até quando) maior floresta tropical do mundo, a Floresta Amazônica.

Pois bem, observem o que dizem as manchetes que estão nos jornais e televisões desde ontem (30 de Novembro): simplesmente os seis primeiros lugares entre os grandes desmatadores são de assentamentos do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). São números incontestáveis, que nem perderei tempo em citá-los (leia aqui, na íntegra, uma excelente matéria do jornal O Estado de São Paulo). Tais números estão até causando cada vez mais sustos no novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Agora, sem dúvida, ...

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Gabriel Bertran

quinta-feira, 5 de junho de 2008

DIA MUNDIAL DO MEIO-AMBIENTE:HÁ O QUE COMEMORAR?

Alguns poderiam dizer que este blog está pessimista demais. Mas, com as notícias que temos tido nas semanas (e principalmente nos dias) que antecederam este "Dia Mundial do Meio-Ambiente"
eu pergunto a todos: há o que comemorar?

Comemora-se sim os recordes de desmatamento na Amazônia, como "nunca antes neççe paíz" (no linguajar chulo de nosso des-presidente). Afrouxam-se leis que prometiam cortar créditos dos produtores rurais que desmatam o bioma amazônico. O novo "ministro-performer" do meio-ambiente anuncia que irá capturar os milhões de bois que invadem a Floresta Amazônica (e contra os donos destes bois, nada se fará?). Isso sem contar que, nas semanas anteriores, a demissão da ministra Marina Silva mostrou que o (des)governo lulla em nada se preocupa com o meio-ambiente e quer é eliminar os poucos que se preocupam dentro de seus quadros funcionais. Tudo em nome de um "nacional-desenvolvimentismo" populista, bem aos moldes dos governos militares dos anos 70, priorizando obras que rasgarão a floresta de forma irrecuperável e em nada beneficiará suas população. E, para completar, o (des)governo elege ONGs e empresários estrangeiros pela destruição da floresta! Não, nós não precisamos de estrangeiros para destruí-la: os brasileiros já fazem isso há décadas, e fazem muito bem, diga-se de passagem. Já são quase 20% do total da floresta desmatada (e com 30% os cientistas afirmam que ela não se sustentará mais climatica e biologicamente: iniciar-se-á o processo de savanização, mas isto é assunto para outro dia). E o lulla ainda vem dizer que a "Amazônia é nossa". É nossa enquanto existir. E neste ritmo, muito em breve não teremos o que chamar de "Amazônia". Mas aí, sabe-se lá se ainda teremos clima e água para sobreviver..

Resumindo, tudo vai na contra mão de como deveria ser. Na contra mão da urgente necessidade de se preservar e, principalmente, valorizar a floresta em pé, como um bem indispensável para a sobrevivência da humanidade. Justamente quando vemos as conseqüências do aquecimento global aumentarem, escancaradamente, o Brasil não faz sua parte!

Não interessa que os ditos "países desenvolvidos" terem poluído o planeta por mais de 100 anos. Nós temos uma rara chance de dar o exemplo ao planeta. Porque o globo ficou pequeno para tanta gente, para tanto asfalto, tanto fogo, tantos veículos. O que resta, nem é garantido que vá manter o clima do planeta. Mas é o que temos. Há que se ampliar as áreas florestais sim, diminuir as emissões, frear as queimadas (75% dos gases emitidos no Brasil provém de queimadas florestais) e ainda assim será pouco, mas precisa ser feito!

Só que, em pleno Dia Mundial do Meio Ambiente, o que vemos é que o brasileiro trava uma guerra cega contra a natureza, desde os grandes centros poluídos até as mais remotas regiões Amazônicas. E o governo acompanha, não educa, não pune, não vigia, é conivente e ainda incentiva as obras destrutivas! Mal pode-se perceber que nós, seres humanos, fazemos parte da natureza... É bom que percebamos isto logo, antes que seja tarde, antes que não haja mais natureza, e conseqüentemente, mais humanidade...

Este foi um desabafo, mas como ainda deve haver esperança, FELIZ DIA DO MEIO-AMBIENTE A TODOS e... PRESERVEM SEMPRE A NATUREZA!

domingo, 1 de junho de 2008

CENSURA E RETROCESSO AMBIENTAL

Ao que parece, a ânsia deste (des)governo atual em desmoralizar e praticamente anular quaisquer políticas favoráveis ao meio-ambiente "nesse país" não tem limites. Com os (vários) exemplos ocorridos nesta última semana de maio, podemos ilustrar este triste quadro. E as florestas brasileiras que se protejam, pois a depender de quem deveria protegê-las...

CENSURA AO INPE
Primeiro vimos, no jornal O Estado de São Paulo, a notícia de que,
para evitar mais polêmica, a direção do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) adiou a divulgação de sua análise sobre desmatamento na Amazônia no mês de abril, que estava marcada para dia 26/05. Pretende debater os resultados com o novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que toma posse hoje. A intenção é divulgar os resultados 'dentro de um contexto técnico-científico' e não em um 'momento político'. Por aí vemos o intuito de censura por trás deste (des)governo. Uma respeitada instituição como o INPE agora tem seu trabalho tolhido e, além de tudo, é impedida de divulgar dados de suma importância para a população não só brasileira, mas mundial! A atitude do (des)governo neste sentido assemelha-se a "destruir o termômetro que mostra o quanto o paciente está febril". Obviamente de nada adiantará ocultar os números (que só aumentam) do desmatamento de nossas florestas. Mas sabe-se que o presidente lulla tem medo da verdade. Isso foi bastante notório neste recente episódio da demissão da Ministra do Meio-Ambiente, Marina Silva, o qual foi fomentado, dentre outros motivos, pela exposição dos números (cada vez maiores) dos desmatamentos da Amazônia.

RECUO EM CORTE DE CRÉDITO
E pelo visto, além das políticas de "ocultação da verdade", empreendidas por lulla e sua corja, após a auto-demissão de Marina, começa agora um programa para a anulação das poucas medidas de preservação ambiental e contenção da devastação que ela conseguiu ao menos dar início (não desmerecendo a capacidade e inteligência da ex-ministra, uma das poucas vozes lúcidas dentre deste desgoverno, mas que infelizmente não pôde fazer quase nada devido justamente à postura populista e pseudo-desenvolvimentista de lulla e sua quadrilha). Agora, por pressão dos ruralistas,
o governo estuda mudanças na portaria 96/2008, do Ministério do Meio Ambiente. A portaria, assinada no dia 27 de março pela então ministra Marina Silva, torna quase impossível a concessão de crédito oficial para todos os municípios do Acre, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima e outros 106 do Maranhão, Mato Grosso e Tocantins que, embora estejam no cerrado, foram incluídos pela ministra no bioma Amazônia. Ou seja, todo aquele estardalhaço feito no início do ano era para "inglês ver", para o (des)governo apenas PARECER que dá respostas rápidas à verdadeira tragédia ambiental que está acontecendo. Assim foi com as operações de apreensão de madeira ilegal: aos poucos foram sendo esvaziadas, à medida que a mídia deixa de dar atenção a elas. É um verdadeiro "fogo de palha". Apenas no momento em que uma verdade aparece, o (des)governo finge movimentar mundos e fundos para combatê-la, e logo após, ameniza as ações, que ficam restritas praticamente àquele espetáculo inicial.

UM MINISTÉRIO DE SEGUNDA CATEGORIA
E assim perece nossa política ambiental, exatamente da forma que assinalou o ex-secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente (na gestão Marina Silva), o biólogo João Paulo Capobianco, em entrevista ao Estado de São Paulo no dia 29 de maio: "A Pasta do meio-ambiente foi tratada como de 2ª categoria no governo Lula". Segundo o ex-secretário, o Planalto queria reduzir o Ministério a um órgão licenciador de obras. Isso fez este ministério ser submetido a um isolamento em relação aos grandes debates nacionais. Isso vai na contra mão das propostas iniciais de "transversalidade", que Marina tanto propagava no início do (des)governo, quando ainda havia a esperança de que ela conseguisse trabalhar. Com o passar do tempo, viu-se queo conceito do "ambientalmente sustentável" não faz parte da visão de conjunto do governo. A prioridade sempre foram as grandes obras, como hidrelétricas, rodovias e ferrovias que rasgam a a Amazônia, bem aos moldes dos governos militares dos anos 60 e 70. O que os governantes atuais não enxergam é que naquela época o conceito de preservação ambiental ainda era incipiente. Hoje está comprovado que as conseqüências da ação devastadora do homem já estão aí, na nossa cara. Mas não adianta explicar isso a "elles", que só pensam no quanto irão faturar com estas obras e nada mais. Não adianta explicá-los que, com um plano de economia de energia como o que FHC executou na época do "apagão", é possível que a população brasileira economize 50% da energia consumida, ou mesmo com a repotencialização das usinas atuais e construção de geradoras de energia renováveis (vento, sol, biomassa, etc.), conseguiríamos mais que duplicar nossa capacidade geradora sem inundar mais nenhuma represa! Isso sem contar outra montanha de absurdos que o governo lulla empreende sem nem considerar nosso meio-ambiente, simplesmente passando por cima de tudo.

Neste contexto, não podemos esperar muito do novo ministro Carlos Minc, "o carnavalesco e carimbador maluco" (aumentou substancialmente a concessão de licensas ambientais no Rio de Janeiro). Não há muito a dizer sobre ele. Mesmo que tenha boas idéias, será que o lulla e a dilma vão deixá-lo trabalhar??

domingo, 11 de maio de 2008

PLANO PARA DESTRUIÇÃO DA AMAZÔNIA

Nesta semana, o (des)governo do PT lançou, como sempre em solenidade bastante pomposa, mais um de seus planos vazios de ação. Intitulado "Plano Amazônia Sustentável", ele vem sendo discutido desde 2003 (ou seja, há cinco anos) e o resultado final - só agora apresentado - não representa nem um décimo do que era esperado quando fora anunciado.

Para começar que, das 24 páginas entregues à imprensa, ONGs e autoridades, 19 delas falam do famigerado PAC ("plano de aceleração do crescimento"). Só aí começa uma grande contradição: o PAC, ao menos na Amazônia, não passa de um grande "Plano para Destruição da Amazônia". Se não, como podemos falar em amazônia sustentável com esses projetos mirabolantes, típico dos governos militares da década de 70, de abertura de estradas e implantação de usinas hidrelétricas gigantescas em meio ao pouco que resta da (por enquanto) maior floresta tropical do mundo?

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Gabriel Bertran

sábado, 26 de abril de 2008

SEXTA-FEIRA MACABRA

Esta sexta-feira (25 de abril de 2008) foi muito triste para nós, ambientalistas. Talvez poucas pessoas tenham percebido as más notícias deste dia, em função de estarem mais atentas à "novela" televisiva da morte da menina Isabela Nardoni (notícia não menos triste, nem menos importante, porém explorada à exaustão por nossa imprensa).

Ao acordar, deparei-me, no jornal O Estado de São paulo, com a seguinte notícia :"Senadores querem fim de operação antidesmate". Uma das poucas ações deste desgoverno federal (que nem sabemos se está sendo empreendida a contento), em resposta ao aumento brutal do desmatamento na Amazônia, mesmo nos meses em que costumeiramente a destruição costumava diminuir devido ao clima (alterado pelo tão conhecido aquecimento global), agora é alvo de tentativa de diminuição, senão anulação da mesma. Isso devido ao simples desejo de poder dos senadores, financiados pelos desmatadores, como pode-se constatar no trecho da reportagem : "Pressionados de um lado pelo lobby dos madeireiros, que movimentam a economia de várias cidades e financiam campanhas eleitorais, e de outro por prefeitos que se queixam do “desastre econômico” produzido pela Arco de Fogo, que paralisou o setor a seis meses da eleição municipal, os senadores cobram do governo federal a fatura dos prejuízos.
Para esses parlamentares, o “grande desmatador” não é o madeireiro que atua irregularmente na região, mas o governo federal, com seus programas de assentamento."

Concordo com o fato que os programas de assentamentos de sem-terra são grandes reponsáveis pela
destruição da Floresta Amazônica. Mas não podemos isentar os madeireiros, verdadeiros bandidos, que assaltam terras que não são suas, arrasando-as em nome de um lucro rápido e insustentável, que só deixa um rastro de miséra por onde passa. O que os senadores dizem à respeito do suposto "desastre" na economia local é uma grande inverdade. Esta economia é passageira, pois ao esgotarem os recursos naturais de determinadas cidades, os madeireiros mudam-se para novas "fronteiras", deixando aquelas cidades onde antes estavam estabelecidos na mais absoluta miséria. Já há várias cidades no Pará que em períodos de menos de 10 anos esgotaram suas florestas e hoje não possuem renda. E isso ocorreu aqui, no Paraná, décadas atrás, com o fim da exploração predatória das matas de araucárias em determinadas cidades do estado. Ou seja, a mentalidade do brasileiro é a de destruir, abandonar e seguir em frente, destruindo as próximas florestas. Mas a seguirem este ritmo, haverá um tempo em que não haverão mais florestas. A cultura da abundância é suicida!

Bem, voltando às notícias "macabras" desta sexta-feira, ao abrir a internet, estava na página principal do site UOL a seguinte manchete: "
Desmatar é remédio para crise da comida, diz governador de MT". Achei isso o cúmulo da "cara de pau", por parte do governador do Mato Grosso, o sr. Blairo Maggi, já conhecido como o maior produtor de soja e também maior desmatador do Brasil. Em tempos que o próprio aquecimento global é causa notória da diminuição de áreas agrícolas, devido simplesmente ao desmatamento e à poluição (no Brasil causada principalmente pela queima das florestas), este infeliz vem dizer que é necessário desmatar ainda mais!!! Ou seja, vem corroborar este modelo predador, mencionado acima, de destruir a terra, abandoná-la e sair em busca de mais florestas a serem destruídas! Mas este ciclo é finito, e estamos chegando ao limite dele. Será que os agricultores do Mato Grosso terão que passar por secas de seus rios (que é um conseqüência natural do desflorestamento) para se tocarem do quão importante são as florestas para suas lavouras??? Se possuem terras férteis e bons regimes de chuva por lá, isso se deve
unicamente à presença da Floresta Amazônica, o que significa que sem ela não terão nenhuma das benesses atuais! É um festival de imbecilidade. Como sempre, vivemos no país das imbecilidades! E não sei onde iremos parar com (des)governantes com estes pensamentos!
O mais incompreensível é que, quando mais precisamos de ações para frear, definitivamente, o desmatamento, pois este chegou a um limite insustentável, os defensores desta política antiquada continuam a postos. Será que não percebem que em pleno mês de abril estamos com temperaturas próximas dos 30º no Sul do País, quando há pouco tempo atrás já tínhamos geadas nesta época? Isso é NORMAL??
Quanto à "crise alimentar", há um grande fator especulativo nela, principalmente por parte dos países mais ricos. O mundo tem alimentos de sobra para sua população, ele só é mal distribuído. E se países como a China não conseguem produzir o suficiente, basta ver o modelo de desenvolvimento a todos custo que eles adotaram : quase todas as reservas de água chinesas estão poluídas e paisagens naturais (florestas, etc.) nem pensar mais na Ásia. Agora vêm destruir tudo o que resta aqui. Será que é isso que queremos?? Nossos políticos podem até querer isso, mas não é o que nossa população precisa, definitivamente. O problema é que esta população, comprada por estes mesmos políticos, não se toca de nossos problemas ambientais. Só querem desenvolvimento a todo custo. Até quando suportaremos isto??

domingo, 20 de abril de 2008

DESMATAMENTO E EPIDEMIAS : TUDO A VER

É sabido por todos que quando o meio-ambiente está em equilíbrio, com a biodiversidade mantida, todos os seres ali no local convivem em harmonia, alimentando-se uns dos outros e, com isso, controlando-se mutuamente. Tem algo a ver com a Teoria de Gaia, na qual todo o planeta é um ser vivo que se auto-equilibra. Mas existe uma espécime, no caso a humana, capaz de mexer profundamente com este equilíbrio. A voracidade do ser humando já tornou-se uma das forças destruidoras da natureza.
Isso faz com que, ao eliminar amplas áreas florestais, como está ocorrendo cada vez mais rápido na Amazônia, ocorra a proliferação de determinados organismos (em grande parte perigosos), devido à morte de seus predadores naturais.
Desde as primeiras incursões na Amazônia, a malária sempre aterrorizou as populações humanas. Acontece que, sem os pássaros ou aranhas que se alimentavam dos mosquitos, suas populações crescem em demasia.
O aumento, a cada ano que passa, da epidemia de dengue no Brasil com toda certeza deve-se a este desequilíbrio. E sabemos que as epidemias não pararão por aí. Basta ver o exemplo da África, onde os desmatamentos também são imensos e vírus como o Ebola e o Marburg (ainda sem cura) proliferam-se sem controle.

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