segunda-feira, 4 de abril de 2016

Cotolengo : recuperação humana NOTA 10. Preservação ambiental NOTA 0

A capela do Pequeno Cotolengo,antes sombreada por lindas árvores,
agora ardia sob um sol de 33 graus.
A instituição Pequeno Cotolengo Paranaense comemora, neste mês, 51 anos de atuação em Curitiba. Trata-se de uma organização não-governamental exemplar no apoio, tratamento e recuperação de seres humanos com necessidades especiais e temos que parabenizá-los imensamente por toda esta linda história ao longo de 5 décadas.
Devido justamente a este trabalho tão importante para a melhoria do ser humano que eu me espantei com as cenas (algumas retratadas nestas fotos) que presenciei no último domingo (03/04/2016), durante o tradicional churrasco beneficente que a instituição promove mensalmente: um antigo bosque, presente no terreno com mais de 120.000m² no bairro Campo Comprido (Curitiba, PR) onde está instalada a sede do Pequeno Cotolengo Paranaense, foi totalmente destruído! Este bosque - composto com mais de 100 árvores centenárias - era utilizado como estacionamento sombreado aos domingos. Aconteceu que neste último dia 03, o calor era imenso em Curitiba em pleno outono (a temperatura beirava os 33 gaus) e o frescor das árvores foi substituído por carros, muitos carros soltando fumaça... Enfim, praticamente um deserto, difícil até de olhar, tamanha a feiura dos tocos no chão e o reflexo que o sol causava, devido à lataria dos veículos.
Eram dezenas de árvores que sombreavam os veículos no estacionamento. Agora, restam apenas calor, desolação, tristeza..
A atitude de uma instituição exemplar foi bastante extremista. Praticamente um extermínio das árvores. Em resposta a um questionamento em sua página numa rede social, o Pequeno Cotolengo afirma que as árvores estavam "apodrecidas". Bem, não é o que se vê nos tocos que restaram no chão. Além do mais, como dezenas de árvores iriam "apodrecer" ao mesmo tempo? Alega-se que foi feita análise e que a Prefeitura de Curitiba autorizou. Até acredito que uma poda e até corte de um ou outro exemplar poderia ser justificado por um laudo técnico. Mas a simples eliminação de TODO o bosque, que compunha o complexo arquitetônico da instituição, formando um parque, foi muito estranha.

No bosque destruído haviam árvores de diversos portes.
O que justificaria a eliminação de todas elas?
Atitudes como esta depõe contra qualquer instituição que atende à comunidade. É óbvio que nada desmerece o lindíssimo trabalho realizado ao longo destas cinco décadas, como registrado no início deste texto. Porém, é preciso entender que não basta apenas a recuperação humana. A preservação ambiental faz parte, também, da nossa própria sobrevivência. De nada adianta realizar fisioterapias, tratamentos medicamentosos, ressocialização, etc. se estas pessoas que ali residem não tiverem o seu meio-ambiente preservado.
Além disso nós, cidadãos frequentadores e colaboradores da entidade, nos sentimos mal que decisões como estas sejam tomadas à revelia. A impressão que fica é que o Pequeno Cotolengo cometeu uma agressão contra todos nós. O ambiente realmente ficou inóspito no local. No lugar do frescor do bosque via-se apenas a lataria dos carros brilhando sob um sol escaldante (em plena era das mudanças climáticas), com muita fumaça e poeira, que agora não são mais filtradas pelas árvores, porque elas simplesmente não existem mais!

Visão geral do estacionamento,que antes era sombreado por lindíssimas árvores
Talvez a sociedade, em geral, nem se importe tanto com a preservação das árvores, mesmo com toda informação disponível hoje em dia sobre ilhas de calor formadas nas grandes cidades devido, justamente, à ausência de verde (causando, inclusive, grandes tempestades). Os realmente preocupados são minoria, pois vê-se muitas árvores serem totalmente destruídas pelos moradores nos bairros de Curitiba. Outras, a prefeitura também ajuda a destruir sem justificativa plausível, conforme já mostramos em alguns posts aqui deste blog. Uma ação violenta como a empreendida por tão notável instituição só serve para "deseducar" ainda mais a população e banalizar ainda mais a derrubada das árvores, fazendo com que os cidadãos pensem que isso é "normal" e "necessário" (levando-os a pensar que, se eles derrubam, eu também posso derrubar árvores). Tudo isso aliado à impunidade vigente em nosso país, está formado o ambiente propício para a não-sobrevivência do verde.
É uma pena. O país com a maior biodiversidade do Planeta, despreza suas florestas, seus bosques, seus rios, seus animais nativos... E nosso maior patrimônio vai acabando. Com ele, nossas vidas.
Preservar vidas humanas é necessário. Mas preservar a natureza é ainda mais, pois os seres humanos fazem parte dela e sem ela não sobrevivem!

Vista aérea do Pequeno Cotolengo,com o bosque hoje destruído na parte de cima, lado esquerdo da foto.
Fonte: imagens da internet.
A capela, que antes era sombreada, agora sob sol escaldante.
A destruição do verde espalha-se por toda parte.



sábado, 7 de novembro de 2015

No bairro Água Verde,7 árvores destruídas em uma só rua

Já são tantos os crimes ambientais que vêm ocorrendo aqui em Curitiba, que poderíamos rebatizar o apelido da cidade de "capital ecológica" para "tocolândia". Sem nenhum censo de humor, este é o cenário triste que temos presenciado em todos os bairros da capital paranaense, por mais que o marketing oficial da prefeitura (ou "prefs", como dizem no Facebook) esconda isso.

Agora, achei o cúmulo o ocorrido nesta semana, na calçada da rua Samuel Cezar, esquina com a Monsenhor Manoel Vicente, no bairro Água Verde. De uma só vez foram eliminadas 7 lindas árvores nesta calçada, que estavam sadias, sombreavam a rua, atraíam pássaros e portanto, deixavam nossa cidade mais aprazível. Existe uma casa bem na esquina, porém a numeração dela faz frente com a Rua Monsenhor Manoel Vicente (é o número 10). Caso queiram localizar no mapa e ajudar nas denúncias à prefeitura (http://www.central156.org.br/), que precisa apurar este caso.

Vale dizer que a prefeitura de Curitiba ultimamente tem autorizado milhares de cortes de árvores sadias, de forma deliberada. Parece que virou um "liberou geral" na cidade. Até mesmo as araucárias (árvore praticamente extinta e símbolo de Curitiba) tem sido alvo desta destruição. E, é claro, tudo com a cumplicidade dos cidadãos, que muitas vezes envenenam as árvores ou cortam todos os galhos para depois alegarem que estão "doentes".

Outro dia eu li uma frase interessante - não sei o autor - que diz que "A beleza das árvores está nos olhos de quem as vê". Pensei um pouco e a frase diz tudo: nos olhos destas pessoas que estão acabando com o verde em nossa cidade, não há beleza, só há maldade.

Em tempos que a palavra "sustentabilidade" virou moda, nunca se cortou tantas árvores. Não adianta nada as pessoas e empresas se dizerem "sustentáveis" se não ajudam a preservar o verde em nossas cidades. Nas décadas de 1960, 1970, quando carros e indústrias poluíam muito mais, toda casa ou prédio novo que era construído plantava árvores em sua frente ou em seu jardim. Hoje, cada nova construção elimina todo o verde existente o local e não o repõe. O que mais se vê são ruas áridas, casas sem jardins ou apenas com arbustos ridículos. As novas gerações não aprendem a importância do verde, só valorizam os shoppings, os carros, etc. Cadê a tal "sustentabilidade"??

Enfim, vejam as fotos abaixo, do caso que é título deste texto (e é apenas "mais um" caso, entre tantos, infelizmente). As fotos são chocantes, tirem suas conclusões. Elas dizem por si só o tamanho da maldade. Coloquei, também, uma foto do Google Street View, para que todos possam visualizar o quanto era lindo e agradável o local, quando existiam as árvores.

Rua Samuel Cezar,esquina com Monsenhor Manoel Vicente,10
Bairro Água Verde, Curitiba, PR. Destruição total de 7 árvores 
Rua Samuel Cezar,esquina com Monsenhor Manoel Vicente,10
Bairro Água Verde, Curitiba, PR. Destruição total de 7 árvores.

Rua Samuel Cezar,esquina com Monsenhor Manoel Vicente,10
Bairro Água Verde, Curitiba, PR. Destruição total de 7 árvores

Rua Samuel Cezar,esquina com Monsenhor Manoel Vicente,10
Bairro Água Verde, Curitiba, PR. Destruição total de 7 árvores

Rua Samuel Cezar,esquina com Monsenhor Manoel Vicente,10
Bairro Água Verde, Curitiba, PR. Destruição total de 7 árvores (vejam como estavam sadias ainda)

Rua Samuel Cezar,esquina com Monsenhor Manoel Vicente,10
Bairro Água Verde, Curitiba, PR. Como era o local antes da destruição total de 7 árvores. Foto: GOOGLE STREET VIEW

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Energia Solar Fotovoltaica:um alívio para nossas represas e nosso ar

A geração de energia elétrica a partir do sol (também chamada fotovoltaica) deveria sair da classificação de “energias alternativas” e ser colocada como protagonista em nossa matriz energética, pois já se trata de uma forma de geração consolidada em diversas partes do mundo e, no caso brasileiro, é o tipo de energia mais abundante e constante em nosso país. Só para termos um fator simples de comparação, a Alemanha, país 23 vezes menor que o Brasil em área, investe pesadamente na energia solar, já gerando quase 20% de sua demanda. No entanto, os locais com pior incidência de raios solares aqui no Brasil (região de Joinville, por exemplo) ainda são infinitamente melhores do que os locais com maior nível de insolação no país europeu . Por aí imaginamos o potencial inexplorado que temos aqui no Brasil.

Além da economia financeira, sobre a qual falaremos a seguir, utilizar energia é uma decisão em prol da preservação ambiental, pois reduz nossa dependência de outras fontes mais agressivas ao meio-ambiente. Senão vejamos, uma usina hidrelétrica necessita, muitas vezes, de milhares de quilômetros quadrados de áreas inundadas, as quais implicam supressão de florestas, demolição de cidades e até diminuição de áreas agrícolas. Tais obras demandam, também, investimentos gigantescos por parte do poder público. Sem contar que, nestes tempos de seca em boa parte do país, devido justamente às mudanças climáticas em curso, muitas usinas hidrelétricas operam com menos de 20% de sua capacidade, ameaçando até pararem suas atividades. O uso intensivo da água para geração energética também priva a população brasileira do bem mais precioso à sua sobrevivência. Devido justamente a estes fatores, a geração hidráulica já não é mais uma opção sustentável nem mesmo economicamente viável em nosso país.

Com a redução drástica no volume de água em diversas represas, nosso país tem abusado da geração em usinas termoelétricas, tendência contrária à de diversos países, que cada vez mais desligam tais tipos de usina devido ao aumento da emissão de gases de efeito estufa (proveniente da queima dos combustíveis fósseis), justamente os gases que alteram nosso clima.

A energia nuclear não é também uma opção viável, porque o perigoso lixo radioativo até hoje não possui uma solução segura à sua disposição pós-uso.

A energia eólica (gerada a partir dos ventos) é uma opção limpa e sem resíduos, no entanto depende de regiões com ventos constantes, as quais são raras. O Brasil possui áreas no nordeste e também no Rio Grande do Sul, onde este potencial tem sido utilizado, apesar de faltar, muitas vezes linhas de transmissão que o governo federal não terminou, para conectar as centrais eólicas com a rede.

A geração energética a partir da biomassa é uma excelente fonte de energia, também praticamente inesgotável, pois os resíduos de todos os tipos só aumentam a cada dia. Só é preciso viabilizar custo, pois as usinas de biomassa também demandam grandes investimentos e também a emissão de poluentes precisa ser devidamente controlada, pois há queima de diversos componentes.

Frente aos problemas das outras fontes, a energia solar junta diversas vantagens tanto ao meio-ambiente quanto à economia de uma maneira geral, tais como:
- Os captadores de luz solar (placas fotovoltaicas) podem ser instalados em quaisquer áreas ociosas, tais como topos de edifícios, coberturas de galpões industriais, coberturas de estacionamentos e também telhados residenciais. Até mesmo no chão eles podem ser instaladas, em áreas ociosas como pastos improdutivos;
- Sua geração pode ser distribuída pelas cidades, ficando cada edificação cadastrada como unidade geradora de sua própria energia, jogando-se o excedente na rede elétrica, onde esta energia será redistribuída entre outros imóveis, possibilitando descontos na conta de quem abriga os painéis em até 100% de seu valor (em alguns países, como na Alemanha, este crédito volta em forma de pagamento por parte da distribuidora – no Brasil a ANEEL só permite os descontos);
- Um equipamento eletrônico instalado após a entrada de luz do imóvel - chamado inversor - faz automaticamente toda a comunicação das placas solares com a rede elétrica, analisando quanto foi consumido de energia solar e quanto de energia da rede distribuída precisou ser “puxada” ou deixou de ser consumida (gerando créditos), tudo isso sem interferência do proprietário, sem precisar “ligar e desligar”, etc. E toda esta atividade ainda pode ser monitorada via internet de qualquer computador ou dispositivo móvel, através de uma controladora (opcional) acoplada ao sistema de geração, que manda os dados para a rede;
- O sistema de geração solar necessita de muito pouca intervenção física nos imóveis existentes, por utilizar-se das instalações elétricas disponíveis e pesar muito pouco sobre a cobertura, podendo adaptar-se a qualquer tipo de telhado, laje, etc.;
- Trata-se de um sistema já homologado, no Brasil, pela ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica, segundo a resolução 482/2012, a qual regulamenta a microgeração e a minigeração de energia elétrica distribuída, permitindo descontos em conta de luz. Algumas empresas já trabalham dentro desta resolução, fornecendo equipamentos e serviços necessários à instalação do sistema.
Importante ressaltar que a microgeração vai até 100 kWh/mês. Acima deste valor e abaixo de 1 Megawatt trata-se de minigeração. Acima de 1 Megawatt a legislação trata como usina geradora, a qual pode ser pleiteada em leilões específicos. A maior parte das residências e empresas situa-se na faixa da microgeração, permitindo que cada pessoa ou empresa gere sua própria energia e redistribua os excedentes na rede elétrica.


Apesar desta excelente iniciativa em regulamentar a geração particular de energia, até por aliviar todo o sistema com um todo, o governo brasileiro ainda incentiva muito pouco a iniciativa. O Brasil ainda é pobre em linhas de financiamento para compra dos equipamentos e até mesmo em desoneração fiscal para os mesmos. Diversos países desenvolvidos já incentivam este tipo de geração energética há décadas, vendo a população como um parceiro estratégico da política energética. Aqui no Brasil, mesmo frente à falta d´água crônica, ao aumento da poluição, dentre outros fatores que ameaçam as formas tradicionais de geração energética, ainda não se vê uma política séria de incentivo à diversificação de nossa matriz (mesmo tendo o sol como grande “aliado” nesta luta). Ao invés disso, pune-se o consumidor com sucessivos aumentos nas tarifas de energia. Estes aumentos são um incentivo, de certa forma negativo, para mais pessoas aderirem à microgeração. Mas deveriam haver linhas de crédito públicas, incentivo a mais fábricas de painéis, inversores e componentes instalarem-se no Brasil, dentre outros facilitadores. Fica a sugestão.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Uma moda de extremo mal gosto:acabar com os galhos das árvores

Uma moda macabra, de extremo mal gosto e infelizmente comum Brasil afora parece estar aumentando aqui em Curitiba: é a de "podar" drasticamente e sem critério algum todos os galhos e folhas das árvores das ruas, sem autorização da prefeitura nem supervisão técnica. Isso é feito principalmente por comerciantes, mas também por moradores e deixam a paisagem da cidade cada vez mais feia. Não sei qual "beleza" essas pessoas vêem nestes atos, em acabar com o verde, com a sombra nestes dias tão quentes, desalojar pássaros que se abrigam nas árvores, etc. Sem contar a falta de cidadania, pois as árvores das calçadas a todos pertencem. Eu não me sinto bem em ver estas cenas e passar por estas calçadas. O espetáculo de terror repete-se dentro de propriedades, como já relatado aqui.

Vejam abaixo dois casos desta maldade, que aconteceram nesta semana:

Rua Brasílio Itberê, 4412, esquina com Rua Percy Withers, no bairro Água Verde. Vejam a árvore como estava linda antes. Foto do Google Street View

Rua Brasílio Itberê, 4412, esquina com Rua Percy Withers, no bairro Água Verde. Vejam a árvore como ficou após a violenta poda drástica. Foto do Autor, tirada em 06/11/14

Rua Brasílio Itberê, 4412, esquina com Rua Percy Withers, no bairro Água Verde. Vejam a árvore como ficou após a violenta poda drástica. Foto do Autor, tirada em 06/11/14, de outro ângulo
Como vocês podem perceber, o estabelecimento comercial foi reformado recentemente e uma das "providências" foi acabar com o verde da linda árvore em sua frente. Essa estupidez deve incluir o fato da fachada da edificação ficar mais visível. Mas precisa cometer tamanho vandalismo com o patrimônio público? Seria perfeitamente possível integrar a comunicação visual ao verde. Inclusive o verde valoriza os imóveis, pois os bairros mais sofisticados da cidade são os mais arborizados, em qualquer lugar do mundo. Nos países desenvolvidos as casas e comércios integram-se ao verde. E neste caso acima o proprietário poderia até tirar partido da árvore, pois os clientes que sentariam no deck para comer ou beber seriam privilegiados com a vista (em frente ainda existe uma praça, porém pela mentalidade que nota-se nas pessoas que reformam estes imóveis, se deixassem eles retirariam o verde até da praça!).



O outro caso é ainda mais violento, seguem as fotos abaixo:
Rua Alagoas, 2543, esquina com Rua Santa Catarina, no bairro Guaíra. Vejam como eram as duas árvores em frente ao imóvel de esquina. Foto do Google Street View.

Rua Alagoas, 2543, esquina com Rua Santa Catarina, no bairro Guaíra. Vejam ficou uma das duas árvores em frente ao imóvel de esquina, após poda violenta. Foto do Autor, tirada em 06/11/14.
Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras. Então eu não preciso dizer mais nada sobre o que esta clínica de fisioterapia fez com as lindíssimas árvores de sua frente. Tenho mais questões do que afirmações: a pessoa não tem noção do quanto ficou HORRÍVEL, HORRIPILANTE a frente do prédio agora? A pessoa (aparentemente ligada á área de saúde) transformou o que era VIDA em MORTE por que??? Acho que vou parar por aí. Não há muito o que dizer.

O que podemos concluir é que o Brasil vai mesmo na contra-mão de tudo. Quando a seca nas regiões Sudeste e Centro-Oeste mostrou-se mais árdua do que nunca neste ano, secando quase todas as represas importantes de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, etc. , deveríamos pensar no quanto cada árvore é importante para manter a umidade nas cidades.

O mais incrível é ninguém associar os fatos, ninguém perceber o quanto tudo é conectado na natureza. Mais incrível ainda é ninguém se revoltar ao passar por estes verdadeiros monumentos ao descaso com o meio ambiente, retratados nestas fotos!

Mas, o que vamos esperar de um país cuja população reelegeu os ladrões que nos roubam há 12 anos? Será que teremos que desistir de lutar por mais educação, mais informação, mais verde, mais vida? Ah,acho que são as trevas que "eles" querem...

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Revoluções “de cima pra baixo”

Caros amigos do blog,
Estamos com diversas denúncias de cortes de árvores a fazer e com pouco tempo. Prometo em breve publicá-las aqui. 
Quero abrir agora um parênteses para refletir sobre a perigosa situação que nosso país vive. Segue um texto para reflexão e para deixar registrado aqui. 
Agradeço a todos, desde já, pela paciência na leitura e possível compartilhamento em suas redes sociais e emails.
Abraços,
Gabriel


Revoluções “de cima pra baixo”

    O povo brasileiro está há bastante tempo acostumado a “terceirizar” as grandes mudanças do país para pequenos grupos que estão no poder. Vejamos, resumidamente, alguns casos:

Após diversos movimentos contra a exploração de nosso território pelos portugueses durante o século XVIII, Dom Pedro I faz diversos acordos e promove uma “independência” de Portugal em 1822, mantendo diversos privilégios do país europeu sobre sua ex-colônia, inclusive com a permanência da família real de origem portuguesa no poder.

    Ao longo do século XIX diversas revoltas populares localizadas clamavam pela República. O Exército Brasileiro, insatisfeito com sua relação com o segundo reinado, resolve ele mesmo promover o “golpe da República” em 1889, supostamente cumprindo uma vontade popular, mas tomando para si os privilégios de comandar o País.

    Na chegada aos anos 1930, notando diversas insatisfações país afora com os governos da  chamada Primeira República, Getúlio Vargas reúne seu grupo de apoiadores e toma o governo à força, sob desculpa de ser um governo "popular" (populista, na realidade), para implantar, logo após, uma ditadura inspirada no fascismo italiano que duraria bastante e instituiria, inclusive, o embrião do DOPS e a dura repressão aos seus opositores, com ampla censura à imprensa, negando ao povo brasileiro o direito à informação.

    Em 1964, vendo a insatisfação de parte da população com o governo de João Goulart e o perigo da implantação do comunismo no Brasil, em plena Guerra Fria, novamente os militares se travestem de “defensores do povo” e tomam o poder, não o largando por mais de 20 anos e instituindo a tortura e o terrorismo de Estado como mecanismos oficiais de eliminação das oposições. As liberdades de imprensa e de manifestação são novamente eliminados no Brasil.

    No início dos anos 80, já desmoralizados, os militares resolvem, eles mesmos, fazerem uma “abertura política”, com ampla anistia, supostamente “em nome do povo”. Demorou, mas aos poucos os brasileiros reestabeleceram seus direitos políticos e sua liberdade de expressão, mesmo sob um governo praticamente "nomeado" pelos militares (cujo ex-presidente, José Sarney, até hoje manda no Brasil, indiretamente).

    Junho de 2013, após quase 30 anos da volta da democracia, a população brasileira saiu às ruas em massa, demonstrando clara insatisfação com a má administração dos atuais governos, com a corrupção e a baixa qualidade dos hospitais, dos transportes públicos, das escolas, etc. frente aos altos gastos com a Copa do Mundo de 2014. O governo petista, com alto viés autoritário oculto em seus quadros partidários, resolve colocar nas ruas suas milícias (os pseudo “movimentos sociais”, denominados Black Blocks, PCC, MST, MTST, CUT, etc.) para promover atos de violência, tomando para si as manifestações e assustando o povo, que parou de protestar de forma espontânea, como ocorria um ano atrás.


    Maio de 2014, às vésperas da contestada Copa do Mundo, com o povo já anestesiado pelo espetáculo do futebol, o governo petista institui, em silêncio, a Política Nacional de Participação Social – PNPS (Decreto nº 8243), a qual dará poder total aos tais “movimentos sociais (desde que sejam alinhados com o governo, é claro, diga-se de passagem). E mais golpes vêm por aí, com plebiscitos para mudar a constituição e excrescências do gênero.

 

    Novamente os brasileiros estão sendo vítimas de uma “revolução de cima pra baixo”, como tantas outras. As vítimas serão, como nas outras pseudo-revoluções, a verdade, a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão e de manifestação. Porque nós, cidadãos de bem, trabalhadores e bem informados, não fomos ouvidos e seremos calados. Como sempre aconteceu, apenas os “companheiros do poder” serão chamados a opinar e governar, recebendo altos privilégios em troca, como sempre receberam. Determinados setores serão privilegiados. Quem pertencer a eles sobreviverá. E os que se opuserem?... Verão a volta do DOPS?


  
Embora todos saibam que eu sempre fui um legítimo “anti-PT”, faço aqui um mea culpa: eles não "reinventaram a roda", ou seja, não inventaram este tipo de golpe. De fato apenas estão reeditando algo com que o povo brasileiro está acostumado desde seu descobrimento: a viver e conviver com a mentira. O brasileiro gosta de ser enganado e o está sendo novamente. Se não evitarmos isso, veremos a história se reeditar, talvez de uma forma pior do que antes.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

No Água Verde: edifício residencial destrói árvores

Nos últimos anos tem havido um desrespeito muito grande pelas árvores em Curitiba. Temos relatado aqui alguns casos, que estão longe de ser isolados. A destruição está tornando-se uma rotina, apesar de poucos perceberem. Os cidadãos, em suas vidas atribuladas e com pouco conhecimento sobre a importância da preservação ambiental - tanto no "campo" quanto nas cidades, diga-se de passagem - podem até não reparar. Mas todos estão sentindo o verão mais seco e quente das últimas décadas. Geralmente meses chuvosos, em 2014 estamos vivendo, nos dois primeiros meses do ano, uma terrível seca tanto no Sul quanto no Sudeste do Brasil, afetando nossos sistemas de abastecimento de água e energia - fundamentais para a sobrevivência humana. Tudo isso, é claro, é consequência de décadas de degradação ambiental em todo o Planeta. Vale dizer que os desequilíbrios climáticos não ocorrem apenas aqui no Brasil, mas no mundo todo. No entanto este tópico não trata de detalhar tais desordens mundo afora. Estamos relatando um caso isolado, porém que se liga a inúmeros outros que estão tornando nossa Curitiba mais árida. Este é o retrato do desrespeito às árvores, que refrescam o clima nas cidades, atraem pássaros e as tornam mais bonitas. As fotos são tristes e falam por si mesmas. (O TEXTO CONTINUA APÓS AS FOTOS)


Edifício na Rua Murilo do A. Ferreira, 72 - Água Verde, Curitiba. Foto: GOOGLE
Reparem nas duas árvores do jardim, como ainda estavam lindas e sadias.

Edifício na Rua Murilo do A. Ferreira, 72 - Água Verde, Curitiba. Foto:AUTOR.
A destruição estava em andamento no final de janeiro

Edifício na Rua Murilo do A. Ferreira, 72 - Água Verde, Curitiba. Foto:AUTOR.
As árvores já haviam sido destruídas.

Edifício na Rua Murilo do A. Ferreira, 72 - Água Verde, Curitiba. Foto:AUTOR.
Isto é o que restou da linda paineira. Lamentável.

Edifício na Rua Murilo do A. Ferreira, 72 - Água Verde, Curitiba. Foto:AUTOR.
Para completar os proprietários ainda colocaram fogo no que restou desta lindíssima árvore. Pra quê tanto ódio?

Semanas atrás, durante a ação do corte das árvores, indaguei um funcionário do prédio, que varria a serragem, sobre se havia autorização da prefeitura para isso. Ele respondeu que sim, e ainda disse, com indiferença, que as árvores estavam "condenadas". Esta tem sido a desculpa para inúmeros cortes indiscriminados por Curitiba afora. Esta cidade não é a mesma, definitivamente. O título de "capital ecológica" deveria ser retirado peremptoriamente de Curitiba, pois a mesma não o merece, visto a forma que trata sua vegetação, seus rios, seus parques, etc. Conforme relatado neste e em outros blogs, até araucárias sadias estão sendo cortadas. Somente em janeiro tivemos notícias de cinco ou mais ocorrências! Isso porque a araucária é protegida por Leis municipais, estaduais e federais, por ser árvore em claro risco de extinção!

As duas árvores já deviam estar ali antes do edifício ser construído e para isso foram previstas até adaptações na grade, para abrigá-las. Nota-se que os edifícios mais antigos preservavam muito mais. Achei que este caso seria mais um exemplo de preservação. Mas tornou-se um mal exemplo... Além do mais, pelo tamanho do prédio, é mais provável ele cair sobre as árvores do que o contrário. A moderna engenharia consegue conter raízes (as próprias fundações dos edifícios são mais profundas que as raízes das árvores). Por tudo isso (e muito mais), o corte não se justificava. Mesmo plantando-se outras espécimes (o que eu duvido), quantas décadas demorarão para proverem a mesma sombra, atraírem o mesmo número de pássaros, purificarem a mesma quantidade de ar? A perda de uma árvore antiga é algo inadmissível nos dias atuais.

Por outro lado eu pergunto o que as crianças moradoras deste belo edifício irão pensar? Que educação ambiental terão? Provavelmente crescerão pensando que árvores existem para ser cortadas. Existe grande probabilidade de tornarem-se adultos inimigos da natureza, como seus pais devem ser, por aprovarem ato tão vil.

Enfim, vivemos uma época de inversão de valores. Só valoriza-se o consumo exacerbado, a indecência, as músicas mal tocadas, a natureza destruída, o concreto, o dinheiro... O ser humano se distancia da sua essência, que é a própria natureza, quando deveria religar-se a ela com urgência!

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: por favor, compartilhem este e outros textos no Facebook e, se puderem, também denunciem na Central 156 da Prefeitura de Curitiba. O endereço da ocorrência está nas fotos. Quem sabe com a pressão dos internautas conscientes possamos reverter este quadro. Obrigado a todos!

domingo, 1 de dezembro de 2013

Dia da Árvore macabro em Curitiba

   Era dia 21 de Setembro deste ano (sei que este blog está um pouco atrasado!), o Dia da Árvore e início da primavera quando, caminhando por uma das principais avenidas de Curitiba, a República Argentina (no bairro Água Verde), ali pelo número 1215 me deparo com a seguinte cena "macabra", que vocês podem visualizar nas fotos abaixo:



    As imagens "falam" por si mesmas, mas caso alguém não consiga visualizá-las, trata-se de uma cena cada vez mais comum em Curitiba (e sei que, infelizmente, em muitas cidades brasileiras), que é a "poda drástica" de árvores, justamente quando elas estão mais frondosas, floridas, lindas, como foi este caso ocorrido na Auto-Escola das fotos acima. Ironicamente esta violência aconteceu justamente na data em que, simbolicamente, temos que lembrar da importância, cada vez maior, da preservação das árvores em nossas cidades tão áridas.
  Vemos às dezenas estas cenas por diversas ruas da cidade, principalmente em bairros um pouco mais distantes do centro (que não é o caso acima, ocorrido em local de grande movimento), talvez pela baixa fiscalização. O cidadão simplesmente se acha "no direito" de privar as outras pessoas de uma agradável sombra na calçada da via pública, de privar os pássaros de suas moradias e de sua alimentação... enfim, nos privam de belíssimos espetáculos da natureza, relegando apenas esqueletos secos e horrendos, verdadeiros filmes de terror.
  O pior de tudo é que nossa população em geral parece cada vez mais indiferente a tudo isto. Pessoas insensíveis e ignorantes talvez achem "certo" fazer isso. No caso das fotos acima, era caso dos alunos se recusarem a permanecer matriculados nesta instituição de ensino para o trânsito, por não aguentarem um visual tão macabro, justamente na pista de aulas, onde estas árvores inclusive propiciavam uma boa sombra e maior conforto aos candidatos a carteira de motorista!
  Os "podadores drásticos" podem alegar que as árvores causam "sujeira", com as folhas que caem no chão. Pois eu digo que isso é natural e degrada-se com o tempo, além de alimentar a terra. Sujeira de verdade são as garrafas de plástico, latas de alumínio, papéis,etc. que o ser humano joga das janelas dos carros e ônibus nas ruas, nos terrenos baldios, etc. Esta sujeira nunca se degrada. E ninguém parece se importar com nossas cidades cada vez mais emporcalhadas!
  É sabido que, após certa idade, fica cada vez mais difícil para a árvore se recuperar de uma poda drástica. Se fossem feitas podas sob supervisão técnica, eliminando-se galhos maiores e mais perigosos, que possam atingir fios de eletricidade, etc. é aceitável. Mas deliberadamente deixá-la sem folhas para respirar é maldade pura e certeira.
  Enfim... estes fatos me entristecem cada vez mais. A impressão que temos é que as árvores estão mesmo perdendo em Curitiba, outrora "cidade modelo" em preservação ambiental e arborização, hoje não mais. Quando não são cortadas para construírem shoppings, concessionárias de veículos, etc., elas têm todos os galhos sacrificados ou mesmo quando são mudas recém plantadas pela prefeitura, são quebradas por vândalos (ou serão os mesmos que as odeiam quando grandes?).
 Em época de mudanças climáticas, quando o conhecimento humano chegou a níveis tão avançados e a informação está ao alcance de todos, a impressão que fica é que a população brasileira só prioriza fazer compras, andar de carro, ganhar dinheiro e nada mais, importando-se quase nada com suas cidades, que vão ficando abandonadas, cheias de lixo, sem árvores, sem vida; enquanto essas pessoas refugiam-se dentro das prisões dos condomínios ou shoppings, adornados com arbustos baixinhos, horríveis, sem função ambiental nenhuma; enfim, sem conteúdo algum, como essas pessoas são, essa é a verdade!