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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Um apelo aos arquitetos e afins (sobre as árvores)

Em grande parte das postagens deste blog, foram tratadas questões ambientais de ordem nacional e até mundial. Claro que nunca devemos nos esquecer da emergência em que o Planeta se encontra, a qual se deve, sem dúvida, à magnitude dos problemas. Da mesma forma, é óbvio que os grandes problemas resultam de uma série de pequenos impactos, em escala local, em todas as atividades humanas. Portanto o "agir localmente, pensar globalmente" nunca esteve tão em voga como nestes tempos de sustentabilidade. 

Eu poderia debater aqui neste tópico - como já fiz em outros - aspectos da arquitetura sustentável. Sabe-se que este ainda não é, digamos assim, um "tipo" de arquitetura propriamente dito e sequer bem definido. Está em formação, até o momento não passa de um apanhado de sistemas construtivos e formas de projetar os quais, sendo mais ou menos utilizados, transformam uma construção em sustentável (ou não).

Na verdade a questão que eu quero tratar aqui, mais como um desabafo, é da ausência e até da eliminação das árvores na maior parte dos projetos arquitetônicos desenvolvidos (e executados) hoje em dia no Brasil. Ressalva-se que não quero aqui criticar o trabalho dos colegas, longe disso. Sei que muitas vezes este desprezo quase generalizado pela arborização decorre de falta de visão ou de costume e até influência de clientes mal orientados.  Sei que há exceções e parabenizo os profissionais e clientes que valorizam a arborização.

 Também não quero afirmar que o plantio e a preservação das árvores, por si só, definam uma arquitetura sustentável. A sustentabilidade é um conjunto de fatores. Nem quero comprovar cientificamente que o plantio de árvores em nossas cidades vá diminuir o aquecimento global. Sei que encontrarei diversos opositores neste quesito, os quais afirmam que as árvores não mudam em nada nosso clima global. Podem até não amenizar as mudanças climáticas a nível mundial (embora EU acredite que elas ajudem sim), mas é no microclima das cidades que seu papel é mais fortemente percebido. Querem um exemplo prático? As tempestades de verão quando atingem a grande São Paulo (o que não é incomum) são muito mais violentas, causando problemas ainda maiores, nas regiões menos arborizadas da metrópole, como é o caso da Zona Leste. Além de ser a área mais povoada, é a mais extensa e tamanha extensão é, em sua maioria, concretada e asfaltada. O que ocorre é que a maior concentração de calor causada por esta imensa faixa de concreto aumenta a intensidade das tempestades sobre este local. Ao mesmo tempo, a ausência de árvores faz com que a água chegue mais rapidamente ao solo. E este solo, por ser totalmente impermeabilizado, não dá vazão à tromba d´água. Isso leva a enchentes catastróficas, com perdas humanas e materiais significativas. Ninguém fez o cálculo ainda, mas é imenso o prejuízo pago (financeiro e emocional) pela população que não planta árvores! Está aí uma das provas (práticas) do quanto as árvores são importantes para nossas cidades, para nosso povo.

 Eu comentei acima um problema de magnitude relativamente grande, que envolve grandes áreas da maior metrópole brasileira. Mas e no nível micro? São inúmeras as vantagens das árvores no dia a dia das pessoas. Elas aumentam a nossa qualidade de vida, proporcionando uma paisagem mais aprazível, agradável aos olhos e a todos os sentidos de um modo geral, visto o microclima do local onde as casas estão localizadas ser muito mais equilibrado, agradável. É só experimentar caminhar, neste verão tropical brasileiro, por uma rua sem árvores e por outra com. A diferença é sensível. Num horário em que estejamos a 30 graus de temperatura ambiente, sob as árvores o alívio chega a até 10 graus a menos, permitindo elas que caminhemos a agradáveis 20 graus célsius! Por aí vemos a falta de caridade consigo mesmo e também com as outras pessoas quando um morador corta a árvore em frente a sua residência: está ele ao mesmo tempo se privando de um clima melhor e ainda por cima condenando todos os pedestres que ali passam a um calor insuportável! O pior é que esta é uma atitude cada vez mais comuns de norte a sul do Brasil. Atitude execrável, que deveria ser severamente punida pelas prefeituras. Mas estas são coniventes, em sua maioria.

 Continuando com as vantagens das árvores para a população em geral, já foi falado da diminuição da velocidade das águas que chegam ao solo nas tempestades. Podemos também citar a regulação, além da temperatura, da umidade relativa do ar, fator importantíssimos nestes tempos de mudanças climáticas em que, além das tempestades fortíssimas, temos tido períodos prolongados de seca inclusive no verão. Não se pode esquecer também da purificação do ar, da beleza das flores, da atração dos pássaros, da barreira contra ventos que elas formam, da fertilização da terra.. enfim, são inúmeros benefícios que elas nos trazem.

Alguns alegam os perigos de quedas de galhos sobre a rede elétrica e sobre veículos estacionados. Realmente isto ocorre, porém o plantio de espécies adequadas, com galhos fortes e feita a manutenção periódica (podas técnicas, corretamente supervisionadas), bem como as inspeções dos técnicos da prefeitura, estes transtornos são evitados. Vale dizer que já passou da hora de nossas cidades terem fiação elétrica enterrada. Ela é muito mais segura tanto do ponto de vista da arborização quanto de outros riscos que os fios expostos causam. E a beleza de não termos aquele emaranhado de fios poluindo visualmente as ruas é incalculável. Além de tudo, deixam as árvores em paz. Existem países mais pobres que o Brasil que já adotaram esta solução para a distribuição de energia, telefonia, etc. Por que aqui ainda não?

Por todos estes diversos fatores é que me entristece cada vez mais os arquitetos, engenheiros e construtoras da atualidade não contemplarem a arborização em seus projetos. Em cada imóvel que é reformado a primeira coisa que se faz é, de forma deliberada e ignorante, cortar todas as árvores. E no caso de construções novas, então.. se no terreno existem árvores, elas raramente são poupadas. Após finalizada a nova casa (ou edifício), não se planta nada além de arbustos baixos (em muitos deles corremos o risco de tropeçar, de tão baixos) ou palmeiras importadas da Indonésia ou outra localidade asiática (sendo que o Brasil é um dos países mais diversos neste tipo de planta). Vale aqui abrir um parênteses: eu não sou contra as palmeiras, definitivamente. Elas até estão em extinção em nossa mata atlântica, devido à extração criminosa do palmito. Mas as palmeiras devem ser plantadas em um contexto, em conjunto com outras árvores nativas do Brasil. Não apenas palmeiras isoladas, como é bastante comum. Nos novos empreendimentos imobiliários parece haver uma "ditadura das palmeiras". Elas sozinhas não proporcionam quase nenhuma sombra e os pássaros não conseguem viver nelas. É necessário resgatar a biodiversidade inclusive em nossos jardins e calçadas, combinando diversas espécies de árvores, arbustos, etc.

Não se sabe se essa tal "moda" de jardins desprovidos de árvores e erroneamente chamados de "limpos" (e horríveis, diga-se de passagem) é passageira. Espero que seja, porque estão enfeiando por demais nossas ruas, avenidas, estradas. Vale dizer que nos bairros das cidades norte-americanas as árvores são regra, e não exceção. Ao abrir-se novos loteamentos uma das primeiras providências, junto com a pavimentação, é o plantio de árvores. Assim deveria ser aqui no Brasil. E as leis para sua preservação deveriam ser mais rígidas, bem como os incentivos à preservação das existentes (como isenção de IPTU, por exemplo) tinham que ser amplamente divulgadas e utilizadas. Inclusive deveriam propor nas câmaras leis para preservação dos "meios de quadra". São redutos do verde, amplamente arborizados, resquícios dos quintais de antigamente, que muitas vezes estão presentes em áreas densamente povoadas. Os construtoras simplesmente ignoram isto, construindo em toda a superfície possível, eliminando esta biodiversidade tão importante em nossas cidades. Conseguimos construir muito (até aumentando o potencial construtivo), preservando o verde.

 Não é somente nos parques que o verde precisa estar presente. Temos sim carência de parques em nossas cidades e eles são importantíssimos como áreas de lazer e convívio. Basta ver como ficam cheios de famílias aos domingos! Então por que ao invés dos parques estarem na cidade, a cidade não passa a estar dentro do parque? Pensem nisso arquitetos e construtores, antes de projetarem relegando o verde ao segundo plano. Vamos colocar as árvores como prioridade. Vamos lançar a moda dos "jardins biodiversos"! Comentem e divulguem essa ideia. Formemos uma corrente em prol de mais árvores em nossas casas,  edifícios, condomínios, empresas, indústrias, ruas, avenidas, estradas, etc.

domingo, 28 de março de 2010

O reflorestamento necessário




A importância das florestas na manutenção do Planeta Terra é inegável. Não estou falando nem do seqüestro de carbono que elas realizam diariamente - importância recentemente questionada devido ao fracasso da COP-15, em 2009, e aos esforços da maioria dos países em manter a poluição nos níveis atuais, devido a um medo injustificado de "não se desenvolverem mais" (como se para se desenvolverem precisassem apenas poluir - mas esta discussão fica para outro artigo).

O que quero ressaltar aqui, dentre muitas outras vantagens, é que as florestas, de uma maneira geral, realizam diversos "serviços", muitas vezes imperceptíveis, mas importantíssimos à segurança e manutenção da vida na Terra. Para citar alguns exemplos : controlam a erosão e a perda dos solos (principalmente em encostas); evitam a desertificação; mantém os níveis dos cursos d´água (não deixando que os rios nem sequem e também não extrapolem seus níveis, o que causa inundações); controlam pragar urbanas e na agricultura (através da manutenção da biodiversidade e do equilíbrio ecológico); melhoram o microclima (evitando aquecimentos e tempestades extremas, como é comum acontecer na área mais impermeabilizada da Grande São Paulo, por exemplo) e até mesmo protegem populações contra ventos fortes, criando barreiras naturais contra eles. Além destas, muitas outras vantagens podem ser enumeradas aqui. Como podemos reparar, a purificação do ar, através da retirada dos gases tóxicos, nem mesmo fora mencionada (apesar de ser uma destas vantagens).

Já vê-se diversos efeitos desta superexploração na mais diferentes regiões do Planeta. Recentemente tempestades de areia praticamente apagaram Pequim da visão de seus habitantes. Tal areia é proveniente de desertos bastante distantes desta grande metrópole chinesa. O fato é que tais desertos vêm aumentando ao longo das décadas, devido à destruição de praticamente todas as florestas nativas chinesas, seja para expansão agrícola ou industrial. A ausência dos ecossistemas tem aumentado as regiões arenosas consistentemente. Da mesma forma as Filipinas arrasou com suas florestas nativas e hoje sofre com inundações sem solução. E não precisamos ir longe, para ver que a tragédia catarinense de 2008, com as chuvas acima do normal, foi agravada devido à ocupação desordenada de encostas e beiras de rios, outrora ocupados pela mata-atlântica nativa, a qual continha a terra. Da mesma forma a alta taxa de impermeabilização e ausência de verde na Grande São Paulo causou mais de 40 dias de inundações somente nesta ano de 2010 (sem contar os outros anos). E os exemplos não parariam por aí...

Infelizmente a humanidade quase nunca considerou tais vantagens na hora de explorar as florestas. Apenas o valor econômico imediato da madeira e do uso posterior do solo fora considerado ao longo dos séculos. E deu-se uma exploração desmedida dos recursos florestais, em muitos lugares levando-os à exaustão. A verdade é que o ganho com a exploração de madeira é efêmero, imediatista. Pode-se ganhar muito em pouco tempo, mas a mentalidade de "terra arrasada" não deixa nada a ser feito depois. Uma exploração sustentada, através de selos certificadores como FSC ou CERFLOR, para citar alguns exemplos, é o início. Através destes, garante-se que as árvores foram manejadas de forma a manter a floresta em pé e evitar extinção em massa de espécimes (sem contar, também, a questão social que envolvem). Mas ainda há muito a ser feito. No Brasil é uma ínfima porcentagem das florestas que são exploradas corretamente.

Além disso, apenas 3% das florestas mundiais são plantadas, perfazendo menos de 10% da produção madeireira (dados de 2000), mostrando que ainda consumimos - e muito - madeiras exploradas ilegalmente, de florestas nativas; seja na construção civil, nos móveis ou até em forma de combustível (lenha). O reflorestamento, principalmente no Brasil, serve à indústria de papel e celulose e também à mobiliária (placas de madeira). No entanto, tal reflorestamento baseia-se em espécies não-nativas (como pinus e eucalipto) e é necessário averiguar a quantidade de florestas nativas que estão sendo substituídas pelas invasoras. Claro, esta atividade atenua a pressão sobre florestas nativas. Só que não podemos nos basear somente nelas.

A floresta, como um sistema equilibrado de fauna, flora, água, ar e outros elementos, deve servir de exemplo para diversas atividades humanas. Não podemos ter predominância de uma só espécie. Como nas florestas, o plantio consorciado de diversas espécies (nativas e não-nativas) leva a um equilíbrio maior. Pode-se não ter a produtividade de amplas áreas cultivadas apenas com eucaliptos, onde tem-se uniforimidade de toras, facilitando a exploração rápida. Estas áreas são "desertos verdes", pois nem insetos vivem nelas. Por que, então, na consorciar o próprio eucalipto com espécies brasileiras? É perfeitamente possível e teria-se até outros tipos de madeiras, bem como permitiria a vida de animais dentre elas. Isto é apenas uma idéia, para termos a eficácia florestal implantada, trazendo seus serviços ambientais. Extrapolando um pouco, a agrofloresta seria, ainda uma ampliação das atividades de tais locais, produzindo-se alimentos orgânicos de forma consorciada com as árvores.

Enfim, até mesmo o reflorestamento visando a não-exploração é extremamente vantajoso para a população em geral. Como já mencionado, controlar a vazão dos rios e prevenir deslizamentos de enconstas é importantíssimo. Em diversos países têm-se casos de reflorestamento muito bem sucedidos. A região da Nova Inglaterra, sudeste dos Estados Unidos, onde a colonização americana teve início, bastante montanhosa, foi reflorestada já durante o século XIX, à medida que a agricultura era expandida para o oeste do país. O leste europeu, outrora degradado pelo regime comunista soviético, passa por processo de reflorestamento até pelo abandono das terras agrícolas após a abertura política de 1990, quando a população saiu em busca de novas oportunidades em outros locais. A Coréia do Sul, empobrecida e arrasada pela guerra dos anos 50, o que a levou a fazer uso de quase todos os seus recursos florestais, passou por amplo programa de reflorestamento - principalmente das encostas - nas últimas 5 décadas (isso aliado a amplo programa educacional e de desenvolvimento industrial de alta tecnologia). Tal programa já têm seus efeitos positivos: enquanto a pobre e comunista Coréia do Norte ainda sofre com inundações pela ausência de florestas, o país do sul vê este problema como algo longínquo. Outros programas semelhantes ocorrem na Turquia (país também montanhoso e que destruiu suas florestas de carvalhos ao longo de séculos) e até na China, onde uma "grande muralha verde" de 4.480 Km é plantada para conter o avanço dos desertos.

Tais reflorestamentos nunca irão recompor a variedade de espécies originalmente existentes em suas áreas. Mas trazem, de qualquer forma, muitos serviços gratuitos, deixando o ambiente muito melhor do que se estiverem com a "terra nua". O Brasil não tem esta mentalidade. Em diversos estados de nossa federação vê-se áreas abandonadas, desprovidas de agricultura e de florestas. Talvez isso venha da mentalidade brasileira de que "mato é atraso". Arrasa-se a terra e abandona. Um exemplo claro desta atitude é a região do Vale do Paraíba, localizada entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Tal região já foi a de maior expansão agrícola, desde o período colonial até o início do século XX, devido ao café, que já foi o maior produto de exportação brasileiro. Plantou-se café sem limites, em todos os morros e vales da região, arrasando com a biodiversidade local. Após a crise de 1929 e também com o esgotamento da terra, tudo foi abandonado e até hoje o Vale do Paraíba, embora tenha tido grande desenvolvimento industrial na segunda metade do século XX, manteve seus morros secos, cheios de erosões e com não mais do que capim crescendo neles. Uma tristeza, verdadeira terra arrasada. O plantio de florestas deveria ser incentivado em regiões como esta, aumentando a biodiversidade, melhorando os indicadores ecológicos e a paisagem de uma maneira geral. Mas nada se faz... E a Amazônia está indo para o mesmo caminho. Em grande parte do Pará já não há mais florestas, apenas terra arrasada. O que se ganha com isso?

Um amplo programa de reflorestamento no mundo todo poderia ser coordenado por entidades como Banco Mundial ou FAO. Incentivaria-se globalmente e atuaria-se localmente, com estados, prefeituras, empresas, etc. Atuaria-se tanto visando a produção quanto a preservação. O mundo ficaria mais verde e mais sustentável. Os "créditos de carbono" poderiam ser um incentivo. Mas não o único. As florestas sustentam muito mais que isto. E todos ganham com elas.

FONTE DE PESQUISA (dados): Brown, Lester R. - "Éco-Économie" (Editora Seuil)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Matéria no site da Itambé:O sustentável deve ser acessível

O sustentável deve ser acessível

Seminário ECOARQ detecta que o Brasil tem leis ambientais avançadas, mas que carecem de incentivos para que a cadeia produtiva da construção civil as absorva

O seminário ECOARQ destacou as construções que surgem no Brasil com a certificação LEED

O seminário ECOARQ destacou as construções que surgem no Brasil com a certificação LEED

Curitiba sediou no começo de outubro o 2.º Seminário Brasileiro sobre Arquitetura Sustentável (ECOARQ) . O encontro debateu a união de esforços entre arquitetura, urbanismo, engenharia civil, paisagismo e design de materiais e interiores para colaborar com a minimização do impacto ambiental.

Uma das conclusões é de que o Brasil dispõe de leis ambientais modernas, mas que carecem de incentivos para entrarem no dia a dia da cadeia produtiva da construção civil. É o que revela o arquiteto Gabriel Bertran, um dos organizados do ECOARQ, que sintetiza na entrevista abaixo o que foi debatido no seminário. Confira:

Já há um consenso entre arquitetura, urbanismo, engenharia civil e paisagismo sobre os impactos das obras sobre o meio ambiente? Caso sim, quais medidas estão sendo tomadas?
Creio ainda não haver este consenso. O que existe são ações isoladas em cada uma das áreas, as quais de fato poderiam ser integradas. As medidas que estão sendo tomadas ainda são, em sua maioria, de caráter individual, como, por exemplo, uma minoria de arquitetos e construtoras conscientes construindo de forma sustentável. Há também algumas indústrias que incorporam sustentabilidade em parte de seus processos de produção e também o voluntarismo de alguns empreendimentos que acabam recebendo certificados de sustentabilidade. Quanto ao poder público, há leis ambientais avançadíssimas, mas faltam serem aplicadas de forma mais ampla. Elas carecem de incentivos, como corte de impostos, para que toda a cadeia produtiva utilize mais soluções sustentáveis e se crie realmente uma mudança no mercado para estes produtos e processos a serem usados.

Quais são, hoje, os principais casos de sucesso na construção civil sustentável, seja em Curitiba, no Paraná, no Brasil ou fora dele?
Em Curitiba, está em fase de conclusão o primeiro edifício com certificação LEED (do inglês Leadership in Energy and Environmental Design – Liderança em Design de Energia e Meio Ambiente) no Paraná. A certificação é concedida pelo Green Building Council (GBC Brasil), uma organização mundial sem fins lucrativos que certifica edificações que cumpram determinados requisitos sustentáveis. O edifício é o Curitiba Office Park, no Jardim Botânico. No caso do Brasil, existem cerca de 140 empreendimentos certificados ou em fase de certificação pelo GBC Brasil – a maioria deles em São Paulo e, geralmente, grandes empreendimentos comerciais. Mas isto já mostra uma tendência, pois a sustentabilidade, além de valorizar mais estes empreendimentos, gera economia de energia, água e manutenção em sua operação. Em relação aos empreendimentos residenciais, existem inúmeras ações isoladas, inclusive algumas delas provêm dos anos 70 e 80. Porém, não são catalogadas, a não ser em revistas especializadas. No mundo, mais de 45 países já incorporam a sustentabilidade em construções, sendo os principais França, Alemanha, Espanha, Estados Unidos, Brasil, China, Índia e Japão. Já há mais de mil edificações certificadas como sustentáveis no planeta. Além do selo LEED, existe o selo HQE francês, bem como certificações específicas da Alemanha, Inglaterra e Austrália.

Gabriel Bertrand: “O sustentável deve ser acessível. Assim, a sustentabilidade torna-se mais conhecida.”

Gabriel Bertran

Entre as palestras ministradas no seminário ECOARQ, qual agregou mais riqueza ao debate?
Todas foram de uma riqueza conceitual imensa, inclusive com temas complementares uma a outra. Eu destacaria a palestra dos arquitetos Sérgio Prado e Márcia Macul, os quais propuseram um sistema integrado de gestão de resíduos, chamado “Lixo Zero, Arquitetura Sustentável, Energia Renovável”. Trata-se de um projeto totalmente viável, já com materiais de construção super-resistentes, desenvolvidos a partir de todo tipo de resíduos urbanos, industriais e de construção. Além da inclusão social, tal projeto resolve o problema da poluição urbana pelos rejeitos que a sociedade dispõe. Envolve arquitetura, meio-ambiente, energia e um sistema de gestão para tudo isso. Destacaria também a palestra e o curso do doutor Eloy Casagrande, professor da UTFPR, em que ele demonstrou com exemplos práticos como podemos utilizar inúmeros materiais de construção ecológicos sem gastar muito. Envolve tanto produtos industrializados como também reaproveitados, feitos a partir de materiais que são muitas vezes rejeitados.

Como os profissionais da área de construção civil vêm se preocupando com as questões bioclimáticas e ambientais?
Neste sentido, eu destacaria a palestra do arquiteto Tomaz Lotufo como exemplo. Ele pratica em seus projetos, no interior de São Paulo, arquiteturas de baixo impacto, aproveitando os recursos do local, como o barro e os entulhos, por exemplo, para construir casas de excelente qualidade arquitetônica e confortáveis ambientalmente. Foram apresentadas, também, soluções de saneamento natural (tratamento biológico de esgoto), bem como a utilização de tijolos solo-cimento, que não são queimados e, portanto, emitem baixo carbono. Enfim, são soluções simples que trazem qualidade à construção civil e preservam os recursos naturais. Além disso, podem ser executadas por qualquer um. Isto é o que chamaríamos de arquitetura bioclimática. Por enquanto, temos poucos exemplos como este no Brasil, apesar de tais tecnologias estarem presentes, muitas vezes, há séculos em nosso planeta. A questão é divulgá-las melhor, para serem mais utilizadas.

Daria para dizer que os profissionais se preocupam mais com esta questão do que o setor das construtoras?
Tais dados ainda são muito difíceis de serem levantados. Eu diria que as construtoras têm mais acesso a recursos tecnológicos avançados em termos de sustentabilidade e às certificações também, em vista da escala em que trabalham. Isso torna seus empreendimentos “sustentáveis” mais visíveis, porém temos que tomar muito cuidado com maquiagens que nos são apresentadas. Há alguns que se dizem sustentáveis, mas no fundo não são. Já os arquitetos que trabalham com isto estão, aos poucos, aumentando. Muitas vezes os profissionais esbarram no desconhecimento que seus clientes têm do assunto. Até pela falta de opções (devido à falta de incentivos), os produtos sustentáveis são mais difíceis de serem encontrados e por “comodismo” compra-se o trivial. Mas o consumidor tem-se tornado exigente em termos de qualidade e espera-se que se torne, também, na questão ambiental. Para dar um exemplo, comprar uma madeira da Amazônia incentiva o desmatamento e as pessoas precisam estar conscientes disso. Os arquitetos, como formadores de opinião, têm um papel importante neste convencimento.

A palestra sobre Redução dos Gases de Efeito Estufa nas Construções Civis apontou quais soluções para se atingir isso na prática?
Na prática o que esta palestra apontou foi justamente a análise do que especificar em termos de materiais para a construção civil, procurando escolher os que tenham emitido o menor volume de carbono possível, desde a extração de suas matérias primas, passando pela fabricação, transporte, até a obra e também emissões durante sua utilização. É necessário que se analisem todos estes fatores e também o ciclo de vida do material e da edificação. Quanto mais tempo pudermos utilizar a edificação melhor para o meio-ambiente, mostrando que o sustentável também precisa ser durável. Os fatores de gastos energéticos também devem ser levados em conta. Como exemplos, podemos citar as madeiras amazônicas, que causam aumento expressivo das emissões tanto com a supressão das florestas (que armazenam carbono) quanto com o transporte dos materiais do norte ao sul/sudeste do Brasil, emitindo carbono com a queima do diesel. É melhor optar por madeiras plantadas em regiões próximas ao local da obra. Outro exemplo são as tintas, que muitas vezes utilizam produtos químicos altamente poluentes, que emitem CO2 tanto na fabricação quanto após a aplicação nas paredes. São apenas alguns exemplos, dentre inúmeros existentes.

A respeito de materiais e técnicas construtivas, o Brasil está bem posicionado ou ainda precisa rever conceitos?
Ainda precisa rever muitos conceitos. O brasileiro é comodista, pensando no curto prazo, e isso se reflete no mercado. Compra-se o convencional, até por falta de opção. É necessário pensar em termos de custo-benefício: uma solução sustentável vai gerar economia ao longo da utilização do imóvel. Além do mais, o poder público precisa incentivar o desenvolvimento e a fabricação destas soluções, via redução de impostos e outras políticas. O sustentável deve ser acessível. Assim, a sustentabilidade torna-se mais conhecida. E quanto mais for incorporada ao dia-a-dia de todos, melhor para o meio-ambiente. Diversos países já incentivam tais soluções.

Uma política sustentável na área da construção civil faria o Brasil reduzir quanto na emissão de carbono? Já há números sobre isso?
Não há, ainda, números de quanto se reduziria. Mas há números aproximados sobre o impacto da construção civil no meio-ambiente, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas e da União Nacional da Construção. São eles:
- 40% dos recursos naturais extraídos são destinados a indústria da construção civil
- 50% dos resíduos sólidos urbanos são provenientes de construções e demolições
- 50% do consumo de energia elétrica é destinado para operação das edificações (desde a construção até a utilização).
Por aí vemos que qualquer ação que reduza tais impactos será importantíssima. Reduzindo-se os resíduos, a extração dos recursos naturais e o consumo de energia, com certeza ajudará muito na redução do CO2 no planeta.

Entrevistado: gabrielbertran@ecolearning.com.br


Vogg Branded Content – Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330

Esse post foi publicado de quarta-feira, 4 de novembro de 2009 às 14:45, e arquivado em Construção Sustentável. Você pode acompanhar os comentários desse post através do feed RSS 2.0. Você pode comentar ou mandar um trackback do seu site pra cá.


FONTE DESTA PUBLICAÇÃO:
http://www.cimentoitambe.com.br/massa-cinzenta/o-sustentavel-deve-ser-acessivel/?PHPSESSID=d096171f21226d397e70b894e6be9f83

sábado, 24 de outubro de 2009

ECOARQ-Seminário Arquitetura Sustentável

Gostaria de compartilhar com os leitores deste blog uma experiência muito legal pela qual passei, que foi de organizar o Segundo Seminário sobre Arquitetura Sustentável em Curitiba. É um trabalho bastante gratificante, que teve início em 2008, com o primeiro seminário, e com certeza terá continuidade, com a adesão constante de cada vez mais pessoas a esta causa.

Este evento ocorreu entre os dias 30 de setembro e 02 de outubro deste ano no IEP – Instituto de Engenharia do Paraná, promovido pela ECO LEARNING CURSOS, com apoio da Fundação Vanzolini, Centro de Design do Paraná, IAB-PR; dentre outras instituições e empresas.

O evento contou com cerca de quinze palestras e quatro cursos no decorrer de seus 3 dias de realização, trazendo profissionais engajados na causa ambiental e propondo maneiras em que a arquitetura, a engenharia e o design possam colaborar para a redução das mudanças climáticas e da perda da biodiversidade em nosso planeta; assuntos um tanto prementes frente às evidências dos últimos tempos de que a Terra vive mesmo uma situação emergencial.

Os palestrantes, provenientes tanto de Curitiba, Paraná quanto de outros Estados (Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo) refletiram a grande multidisciplinaridade do evento, abordando com independência e precisão didática desde as causas históricas e científicas do aquecimento global, passando pelo planejamento urbano sustentável, pelas certificações de edificações até chegar aos materiais e técnicas sustentáveis de construção já disponíveis para utilização (algumas já há muito tempo inclusive).

O Seminário teve, também, seu lado aplicativo, com demonstração no local de produtos ecológicos desenvolvidos para a construção civil, como foi feito pelos palestrantes Márcia Macul, Sérgio Prado, Beto Mistrorigo e Eloy Casagrande. Destacou-se também a montagem de uma estrutura, em tamanho real, feita com bambu, durante a oficina ministrada pelos arqs. Bruno Fade e Rebeca Kuperstein, especialistas no assunto. Da mesma forma, os arqs. Tomaz Lotufo e Eduardo Maia realizaram exercícios práticos em seu curso, aplicando técnicas e materiais sustentáveis à construção civil.

Foram três dias importantíssimos, em que o IEP abriu importante espaço para a revolução que precisa ocorrer na área da construção civil – a qual ainda é, infelizmente, uma das indústrias menos sustentáveis no mundo. Tal revolução deve começar com a mudança de atitude de cada profissional, enquanto cidadão consciente. Neste quesito, ao fomentar uma mudança de mentalidade e promover tal discussão, o evento cumpriu seu papel, como atestaram alguns dos cerca de 80 participantes, provenientes das mais diversas partes do Brasil e até do exterior.

O evento inclusive gerou um grupo de discussão bastante atuante no Google, que pode ser acessado através do link http://groups.google.com.br/group/ecoarq09?hl=pt-BR

Agradecemos a todos pela participação conosco e no próximo ano esperamos nos encontrarmos novamente, ampliando nossa atuação em busca de mais sustentabilidade na construção civil e em todas as suas áreas adjacentes.


Arq. Gabriel Bertran

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Dois presentes no Dia da Árvore!



Quero agradecer à amiga Érica Sena, do excelente blog 'PENSAR ECO É LÓGICO' pelos dois selos acima, dedicados a este blog.
Leiam mais detalhes no link:
http://pensareco.blogspot.com/2009/09/os-selos-que-ganhei-e-para-quem.html

É muito importante este reconhecimento de outros colegas que pensam e lutam pela mesma causa da preservação ambiental. Nós temos mesmo que estarmos cada vez mais unidos, principalmente neste momento em que, apesar de todos os efeitos da devastação ambiental estarem evidentes, muitas forças lutam para que os avanços na preservação retrocedam. Não podemos deixar isso acontecer, não podemos baixar a guarda!
E estamos numa data bastante propícia a refletirmos, neste 21 de Setembro, DIA DA ÁRVORE! Dia de nossas amigas eternas e tão injustiçadas por este mundo afora! Continuemos a luta pela preservação delas, todos juntos, sempre!

Aproveito para indicar estes dois selos para os blogs abaixo, os quais acompanho e recomendo a leitura:

http://sustentabilidadeurbana.blogspot.com/
http://apatotadopitaco.blogspot.com/
http://estradadobem.blogspot.com/
http://fuscabrasil.blogspot.com/
http://ra-bugio.blogspot.com/
http://carlosrobertomeioambiente.blogspot.com/
http://movimentoordemvigilia.blogspot.com/
http://mundodobem.blogspot.com/
http://pensareco.blogspot.com/
http://por1brasilmelhor.blogspot.com/
http://salveolitoralnorte.blogspot.com/
http://socito-sociedadecivil.blogspot.com/
http://ecocidades.blogspot.com
http://pindamonhangabapedesocorro.blogspot.com/
http://ecoeantigos.blogspot.com/
http://ecoturismoesustentabilidade.blogspot.com/

http://mhp-bio.blogspot.com/
http://www.ecoeacao.com.br/index.php?option=com_frontpage&Itemid=1


Insiram os selos também.
Um forte abraço a todos os editores destes blogs!

domingo, 11 de maio de 2008

PLANO PARA DESTRUIÇÃO DA AMAZÔNIA

Nesta semana, o (des)governo do PT lançou, como sempre em solenidade bastante pomposa, mais um de seus planos vazios de ação. Intitulado "Plano Amazônia Sustentável", ele vem sendo discutido desde 2003 (ou seja, há cinco anos) e o resultado final - só agora apresentado - não representa nem um décimo do que era esperado quando fora anunciado.

Para começar que, das 24 páginas entregues à imprensa, ONGs e autoridades, 19 delas falam do famigerado PAC ("plano de aceleração do crescimento"). Só aí começa uma grande contradição: o PAC, ao menos na Amazônia, não passa de um grande "Plano para Destruição da Amazônia". Se não, como podemos falar em amazônia sustentável com esses projetos mirabolantes, típico dos governos militares da década de 70, de abertura de estradas e implantação de usinas hidrelétricas gigantescas em meio ao pouco que resta da (por enquanto) maior floresta tropical do mundo?

Caros amigos,
Para continuar a ler este e outros textos, gostaria que vocês conhecessem este livro.
Ele possui todos os TEXTOS deste blog REVISADOS E AMPLIADOS , bem como TEXTOS INÉDITOS também!
O livro "REFLEXÕES ECOLÓGICAS EM UM MUNDO INSUSTENTÁVEL" vocês podem adquirir clicando na imagem acima, no site CLUBE DE LEITORES.

Os leitores que quiserem guardar este conteúdo em sua biblioteca ou mesmo dá-lo de presente a amigos, eu ficarei bastante honrado!

A luta do BLOG TREES FOREVER por um mundo mais sustentável e por governos mais sérios e atuantes na área ambiental vocês já conhecem. Esta luta é de todos nós e eu agradeço muito por estes quase dois anos de convivência aqui neste ambiente virtual!

Se possível, por favor ajudem-nos a divulgar este livro, enviando o site abaixo a seus amigos, conhecidos, colegas de trabalho, familiares, etc.:

http://clubedeautores.com.br/book/9850--REFLEXOES_ECOLOGICAS

Um forte abraço a todos e muito obrigado!!

Gabriel Bertran

sábado, 19 de abril de 2008

IDÉIAS 3 : MULTA PARA QUEM NÃO PLANTA ÁRVORE NA CALÇADA,EM LONDRINA

Boa tarde, amigos! Estive um pouco "sumido" por quase um mês, com muitos afazeres particulares, mas estamos de volta aí para comentar diversas notícias que têm nos chamado atenção.
Dentre elas destaco desta abaixo, que embora pequena é de grande relevância : a prefeitura da cidade de Londrina, no interior do Paraná, resolveu "fechar o cerco" àqueles moradores que não preservam as árvores em frente aos seus imóveis. Achei a iniciativa fantástica, pois é muito comum no Brasil as pessoas retirarem as árvores de frente de suas casas e, quando não as possuem, nem se preocupam em plantar novos exemplares. Existe um grande desprezo por estes seres vivos que tanto melhoram a qualidade de vida em nossas cidades. As árvores, de espécimes brasileiros, quando adequadamente plantadas nas calçadas, melhoram (e muito) o clima, absorvendo calor, protegem as cidades dos ventos, abrigam pássaros, fertilizam a terra, purificam o ar, controlam a incidência de chuvas, etc. Mas infelizmente a maior parte dos brasileiros não enxerga estes benefícios. Preferem o concreto, o calor, a aridez... enfim, vamos ler a notícia e depois voltamos com mais comentários:

"GAZETA DO POVO
Sexta-feira, 28/03/2008
PARANÁ | LONDRINA publicado na edição impressa de 28/03/2008

Calçada sem árvore dá multa
por FOLHAPRESS


Londrina – A Secretaria Municipal do Ambiente de Londrina decidiu multar em até R$ 1,4 mil os donos de imóveis no município que não cumprirem determinação do plano diretor da cidade, de que cada imóvel deve ter pelo menos uma árvore na calçada. A fiscalização, que começou pelo centro da cidade, gerou 250 notificações a comerciantes e 38 autuações contra os que não cumpriram a norma. “Nosso interesse não é multar, mas sim que a multa tenha efeito pedagógico’’, disse o secretário Gerson da Silva. Pelo plano diretor, todo imóvel deve ter uma árvore a cada 12 metros de calçada. Segundo Silva, as notificações começaram no fim do ano passado e, apesar de o Código de Postura de Londrina dar prazo de 15 dias para o plantio das árvores, o município tem sido tolerante."

Parabéns à municipalidade de Londrina pela iniciativa! Seria ótimo se outros municípios pelo Brasil afora tomassem iniciativas como esta. Londrina já possui um planejamento inicialmente feito por ingleses, dentro do conceito urbanístico de "cidade jardim". O mesmo conceito foi adotado em alguns bairros de São Paulo, como Jardim América, Jardim Europa, etc. Não é à toa que são regiões valorizadíssimas na capital paulista, devido à sua qualidade de vida. E esta qualidade é trazida pelas... árvores! Elas que permeiam toda a paisagem, como ocorre na maioria das cidades americanas também. Façamos uma ressalva, sobre o fato dos Estados Unidos serem o país que mais polui a atmosfera, realmente. Mas em termos de planejamento de seus subúrbios residenciais, eles estão de parabéns. As árvores simplesmente estão lá, por entre as casas, e lá ficarão, pois a vida é muito melhor entre elas! A impressão que temos nestes bairros é de estarmos no campo, em lugares bastante bucólicos, silenciosos, quando muitas vezes estamos em meio a grandes metrópoles.
Voltando ao Brasil, infelizmente bairros (ou cidades) com este conceito por aqui são exceção. E não deveriam ser privilégio de apenas alguns bairros de classe média e classe alta. Todas as classes sociais deveriam ter direito ao seu porcentual de verde. Mas pela simples falta de cultura, de educação, as pessoas nem mesmo pensam em exigir das autoridades esta qualidade ambiental urbana, pois ela não é percebida pela maior parte da população. Pode-se dar a desculpa de que ainda existem muitas prioridades de que a população brasileira ainda é carente, como hospitais, escolas, redes de esgoto, transportes de boa qualidade, etc. Não podemos negar a falta destes e de muitos outros recursos. Mas vale lembrar que, sem os recursos naturais, nada seríamos e nada seremos. Não há futuro possível sem a preservação e recuperação do meio-ambiente. Portanto todas as ações devem andar juntas. Basta ver o exemplo de São Paulo, onde as maiores incidências de tempestades e inundações no verão são nos bairros com menor área verde por habitante, como os da Zona Leste, por exemplo. A alta concentração de moradias intensamente construídas uma ao lado da outra gerou grandes áreas totalmente impermeabilizadas, facilitando a formação de "bolhas de calor", que geram uma precipitação muito mais violenta das chuvas, castigando estas mesmas áreas com a inundação, porque simplesmente este imenso volume de água não tem para onde escoar! Se houvesse um planejamento prévio de ocupação destas áreas (entremeadas por cursos d´água que foram soterrados ou desviados), com certeza a tragédia não seria tão grande como é. Esta ocupação populacional desordenada e visando apenas o construído hoje torna-se um problema difícil de resolver para as grandes cidades.
O brasileiro ainda parece ter um distanciamento muito grande da natureza. É um característica humana, é claro, que durante séculos desenvolvemos, esta de não nos considerarmos como parte da natureza. Criamos um mundo artificial que nos trouxe muitas vantagens, é claro, mas também muitos equívocos que precisam ser revistos. Esta idéia de que o espaço construído é "bom" e o espaço natural não presta e deve ser destruído é um dos maiores equívocos. É possível (e obrigatório) que ambos convivam em harmonia. Com isso cria-se a "biocidade", em que cada rua forma um corredor verde que a protege, conectando parques e outras áreas verdes que entremeiam os imóveis. Esta seria a cidade ideal, em que se está dentro da urbe, com todos os seus confortos, mas parecendo-se estar em um espaço natural, que pode ser apreciado por todos os lados. Por quê não?
É isso que a lição de Londrina tenta nos passar. Que podemos e devemos conviver bem com as árvores, pois elas melhorarão nossas vidas, trarão mais paz, menos stress.
Infelizmente ainda estamos longe deste ideal.. mas fica a idéia!

sábado, 8 de março de 2008

VELHO NOVO PLANO PARA A AMAZÔNIA

Nas últimas duas semanas, após a divulgação dos já tão comentados números sobre o aumento do desmatamento na Amazônia, o (des)governo federal lançou um novo plano de ações para conter o câncer, que o lulla fez questão de dizer que é apenas "uma feridinha".

Chamaram a TV para mostrar a polícia federal junto com a "força naciona" (até hoje não sei o que é isso) em ação, junto com o Ibama, contra as madeireiras em Tailândia (PA). Viu-se a população incitada pelos bandidos madeireiros para atacar as autoridades, o que demonstra que a tarefa não será fácil, mas convenhamos, ao menos algum esforço foi feito. A pressão da sociedade, da imprensa e da comunidade internacional fez o (des)governo "acordar" para o que estava ocorrendo. Junto com o fechamento das madeireiras vieram ações para coibir crédito para fazendeiros da região e também para recadastramento fundiário, medidas fundamentais, que deveriam ter sido feitas há tempos.

Como já dito, são medidas fundamentais. Mas já esbarram em dois empecilhos: grande parte das terras da região amazônica são públicas, o que faz com que o tal "recadastramento" seja nulo em muitas áreas, pois as mesmas são desmatadas e abandonadas pelos bandidos responsáveis. Outro ponto é que o tal recadastramento não recairá sobre os "cumpanheiros" sem-terra, os mesmos responsáveis por 15% do desmatamento na Amazônia (http://opiniaoenoticia.com.br/interna.php?id=11049). Mas não adianta, os mesmos são "protegidos" pelo (des)governo do PT e em nada serão punidos.

Devemos, de qualquer forma, por mais que sejamos contra o governo atual, apoiar ações como estas, pois por menores que sejam, são mais que necessárias e vêm atrasadas. Mas temos que, ao mesmo tempo, vigiar para que haja continuidade, para que não seja mais um "espetáculo de crescimento da propaganda", como todas as ações já mostradas por lulla e seus comparsas: é muito alarde para poucas realizações. Um exemplo bem claro é o "PAC", o qual não saiu da propaganda. Tivemos também a farsa do "Fome Zero" e assim vai, a lista não caberia aqui.

É bom lembrar que, quatro anos atrás, a Amazônia foi alvo de um outro plano de ações semelhante a este atual, anunciado com muito alarde. De acordo com um levantamento da ONG Greenpeace, divulgado nesta quinta-feira (06 de março de 2008), menos de um terço (10) das 32 ações estratégicas previstas em 2004, quando o plano foi lançado, foi implementado até julho de 2006 - entre elas, apenas três dentro do cronograma. Onze foram parcialmente executadas e 11 nem saíram do papel. Eram novos parques, programas de fomento às atividades sustentáveis, zoneamento econômico-ecológico, plano de gestão da BR-163, etc. que não foram cumpridas, conforme reportagem na seção Vida &, do jornal O Estado de São Paulo de ontem (07/03/08).

Como eu já mencionei, ótimas idéias. Mas precisam ser implementadas. Este é o temor em torno das medidas atuais... Não seria bom, também, revisarem as medidas de quatro anos atrás?

Citando uma outra propaganda do (des)governo na TV: NÓS ESTAMOS DE OLHO!