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segunda-feira, 1 de junho de 2009

Todos contra o Meio-Ambiente

Este blog às vezes pode parecer negativo demais, eu reconheço; mas eu pergunto a vocês, amigos, como podemos agir de outra forma diante de tantos absurdos praticados contra o meio-ambiente, principalmente aqui no Brasil?

E o contra-senso é total: em um momento que as tragédias associadas ao Aquecimento Global estão aí, na cara de todos (enchentes ano passado em Santa Catarina e este ano no Nordeste, seca recorde no Sul do país e muitos outros fatores), os governantes, os ruralistas e as televisões parecem associar-se contra a preservação do pouco que resta preservado de nossa natureza. Senão vejamos, resumidamente, algumas ações recentes. Vamos nos concentrar apenas nestes últimos 5 meses ou pouco mais:

- Aprovação do criminoso "código ambiental" em Santa Catarina (deveria se chamar "código de destruição"), o qual permite que as propriedades rurais praticamente não tenham mais mata ciliar (5 metros não é nada), dentre vários outros absurdos;
- A TV Bandeirantes desencadeou campanha deslavada contra as leis ambientais, enganando a população ao dizer que tais leis "travam o desenvolvimento do Brasil";
- Fazem coro junto com este canal de TV o ministro da agricultura Reinhold Stephanes, a ministra da casa civil "mãe do pac" Dilma Roussef, o "ministro americano" Mangabeira Unger e mais uma série de outros funcionários do primeiro escalão do (des)governo, todos contra as leis ambientais e a favor de um "desenvolvimentismo" suicida, típico dos governos militares dos anos 60 e 70;
- O fanfarrão "lulla", o qual se diz presidente, deu voz a esta campanha, com suas blasfêmias de dizer que as obras que "eççe paíz precisa" não vão pra frente por causa do bagre, da perereca, etc., bem como dizer que se existissem leis ambientais nos anos 50, Brasilia não existiria, dentre outras idiotices típicas de quem não estudou e faz discurso sem o menor embasamento;
- Com esse empenho todo, o mesmo presidente decreta lei que permite a destruição de nossas cavernas (o que o país vai ganhar destruindo estes importantes abrigos de biodiversidades quase extintas, bem como de sítios arqueológicos?), autorizando também a "doação" de terras Amazônicas aos mesmos criminosos que destruíram quase 20% da (ainda) maior floresta tropical do mundo (ou seja, ser criminoso neste país realmente continua compensando) e, o pior, aprova leis incentivando a abertura e asfaltamento de estradas nos locais mais remotos e (ainda) preservados da Floresta Amazônica (isto é uma decretação de pena de morte para a floresta);
- Para completar, a bancada ruralista no congresso tenta aprovar lei que dá autonomia a estados e municípios para legislarem da forma que bem entenderem sobre as questões ambientais, o que dá força a absurdos como esta lei catarinense e criará mais uma série de brechas para o desmatamento pelo país afora (como se já não desmatassem sem respeitar nada, imaginem amparados pela lei!).

Eu não estou me lembrando de todos os absurdos dos últimos meses. Sei que, enquanto isso, tenta-se enfraquecer mais um ministro do meio-ambiente, deixando o midiático Carlos Minc ainda mais fraco do que já é em suas ações.

Tem horas que nós, como ambientalistas que somos, perdemos quase todas as esperanças. Foram anos de conquistas de ONGs sérias como SOS Mata Atlântica, Greenpeace, WWF, Ipê, etc., as quais passaram a década de 80 lutando por aprovações de leis que freassem a destruição violenta pela qual a natureza passou nos últimos séculos, e que agora se vêem desmoralizadas por governos e TVs populistas, que de uma hora pra outra resolveram colocar a população contra os ambientalistas, contra a preservação!

O Brasil já é um país cuja população, por natureza, despreza o meio-ambiente. É só ver nas cidades o quanto de árvores são cortadas pelos próprios moradores, sem saber o quanto o verde os beneficia; a imensa impermeabilização das cidades que causa enchentes astronômicas; o descaso com o lixo, que é jogado em ruas, rios e córregos e quase nunca reciclado. Indo para o meio rural, basta ver o desprezo de grande parte dos agricultores pelo "mato", que deve ser cortado e queimado a todo custo. Enfim, práticas que vêm de longe e que mostram que a consciência ambiental tinha que começar na casa, na cabeça de cada um. E o pouco de avanço que podemos ter tido vai por água abaixo com este discurso errôneo de que "preservação ambiental é atraso".

Enquanto isso, num plano macro, não se investe em energias alternativas, como solar e eólica. Só se fomenta inundações dantescas na Floresta Amazônica para construir hidrelétricas (que além de acabarem com a floresta, geram gás metano e levam pobreza e sujeira às regiões próximas); fomenta-se mais usinas termoelétricas, queimando óleo e carvão; investe-se no transporte rodoviário até em áreas preservadas, quando o ferroviário poluiria menos e não impactaria as margens da via; etc.

Como se vê, o movimento ambientalista está sendo sistematicamente atacado e enfraquecido.
...

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Gabriel Bertran


sábado, 4 de abril de 2009

Canal de TV faz campanha contra ambientalismo



Nossos canais de televisão nunca foram totalmente imparciais em suas coberturas jornalísticas. Eu sempre preferi me informar mais pela mídia impressa do que pela televisiva, quase sempre sensacionalista e, muitas vezes, tendenciosa, até pelo nível de cobertura que atingem na população em geral. Esta grande influência da televisão às vezes é até positiva, em alguns casos, mas muitas vezes serve mais à manipulação da grande massa, e temos inúmeros exemplos disso ao longo dos nossos mais de 50 anos de televisão no Brasil.

Destes canais, um dos que eu considerava que tinha um jornalismo um pouco mais independente era a TV Bandeirantes, principalmente frente ao jornalismo "chapa branca" da líder TV Globo (até por esta ser, em geral, sempre aliada dos governos em exercício, sejam eles quaise forem, com raras exceções). Mas o pouco de admiração que eu tinha pela Band está caindo por terra.

Tenho acompanhado neste canal uma crescente campanha contra o ambientalismo no Brasil. Primeiro por matérias tendenciosas em seus jornais, como a que pede mudanças no Código Florestal Brasileiro, para que este seja mais permissivo aos agricultores (como se até hoje não se tivesse desmatado nada - já perdemos quase todos os nossos grandes biomas e agora o Amazônico é a ultima fronteira que está sendo pilhada sistematicamente).

O maior flagrante desta campanha "anti-ambientalista" é a repetição sistemática, durante a programação, de trechos de uma destas reportagens, mostrando produtores rurais mineiros que foram presos por crimes ambientais (talvez um caso isolado, pois raramente prende-se por este tipo de crime no Brasil). Não vou nem discutir a medida tomada pelas autoridades mineiras, talvez houvessem meios menos radicais de punir os agricultores, através de recomposição de matas, educação ambiental, etc. O problema é o tom dramático que a Bandeirantes imprime a esta verdadeira propaganda anti-ambientalista, com orquestração de fundo e dando a entender que somente os produtores rurais teriam razão, não indo a fundo na questão ambiental. E terminam a campanha com o slogan : "Se o código florestal não mudar, o Brasil vai parar".

Complementa-se a campanha com amplas matérias mostrando a precariedade das estradas que cortam o norte do Mato Grosso, atrapalhando o transporte da soja. Bem, para começar, estas estradas nem deveriam estar lá, pois aumentam a pressão sobre a Floresta Amazônica e o estado do Amazonas (o mais preservado por enquanto) será a próxima vítima. Mas isto nem é cogitado. O jornalismo da Bandeirantes parece trabalhar apenas em nome do "desenvolvimentismo", modelo este que já se viu falido, com muitos exemplos na Grande São Paulo e Baixada Santista, por exemplo, regiões que acabaram com seus rios e florestas em nome de um desenvolvimento industrial a qualquer custo, deixando um passivo de terras e águas tão poluídas que talvez nem em 100 anos consigam ser limpas. Hoje as enchentes e a poluição atmosférica são apenas a ponta do iceberg no que resultou este "desenvolvimentimo". Desenvolvimentismo que acabou com as florestas de araucárias no Paraná, em menos de 50 anos de exploração intensiva, alterando sensivelmente o clima, acabando com a biodiversidade e hoje deixando milhares de agricultores sem água, principalmente no oeste do estado. Os mesmos que desmataram são os que reclamam do "clima" hoje. Ninguém conta os serviços ambientais gratuitos que as florestas trazem! E, finalmente, o exemplo mais visível de todos, a tragédia das enchentes e desabamentos em massa em Santa Catarina, causadas pela combinação das mudanças climáticas mundiais com o desmatamento local, que acabou com a capacidade do solo de absorver a água e com as florestas de protegerem as encostas. E ainda por cima vêm os parlamentares catarinenses e aprovam, na semana que passou, uma lei para diminuir as reservas legais! Tudo na contra-mão, e esta lei vai de encontro com o que a TV Bandeirantes prega: diminuir as reservas legais em todo o País! Isso para, supostamente, "beneficiar" o agricultor! Ao contrário do que estes irresponsáveis jornalistas pregam, esta diminuição vai deixar a lavoura com menos água e com terra de pior qualidade. No estado de São Paulo alguns agricultores que recompõe a mata em suas propriedades já colhem os ganhos de produção. Não é preciso plantar em toda a área, mas se deixar eles plantam até dentro dos rios! A solução passaria por educação ambiental, programas de qualificação de propriedades para a agricultura orgânica e ecológico, mas nisso ninguém fala na televisão!

A campanha da Bandeirantes culminou na entrevista do ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, no programa Canal Livre do dia 01/03/09. Era notória a tonalidade tendenciosa dos entrevistadores, jornalistas de grande credibilidade como Joelmir Beting, Fernando Mitre e Antonio Teles. Direcionavam as perguntas enfatizando o "absurdo das reservas legais" e a "perseguição aos agricultores", "tornando-os bandidos"; frases proferidas até de forma violenta, para incentivar, ainda mais, o ministro membro das elites agrárias que devastaram o Paraná, a apoiar ainda mais as iniciativas de liberalização do desmatamento! E nos intervalos comerciais (em todos), dá-lhe a mesma reportagem sobre os agricultores mineiros! Lavagem cerebral no telespectador é apelido! Na semana seguinte, no dia 08/03/09, o mesmo programa fez um "mea culpa", chamando o midiático ministro do meio-ambiente, Carlos Minc, mas mesmo assim fazendo alguns "flash-backs" com imagens do ministro da agricultura no programa anterior. O ministro Minc, como sempre saindo pela tangente, conseguiu driblar as perguntas tendenciosas dos entrevistadores, não apresentando (como sempre) soluções definitivas, mas defendendo ao menos a preservação da Amazônia. E o próprio Minc se comprometeu a não endurecer mais o código florestal...

De fato não deveríamos "endurecer" o código, mas simplesmente aplicá-lo, aliado a um bom programa de requalificação de propriedades, até para que os agricultores gerem renda a partir da floresta e ganhem pela preservação. Mas não se fala nisso. Aí é minha opinião, de que nem o governo está certo na aplicação da lei, porque ela está sendo aplicada de forma errada e em muitos casos nem aplicada. E também não estão certos os que combatem esta lei, porque ela está aí é para preservar o pouco que resta de nossa natureza, de forma que nós mesmos, habitantes da nave Terra, sobrevivamos!! Os ambientalistas, em sua maioria, não são sonhadores nem radicais: são apenas realistas e baseiam-se em estudos científicos. O desenvolvimentismo dos anos 60/70 não pode voltar, mas o (des)governo atual tem uma forte tendência para voltar a este modelo, via PAC e outros planos eleitoreiros. O meio-ambiente está em segundo plano. Mas ninguém percebe que ele permeia tudo!

No momento atual temos que tomar cuidado com estas tentativas de retrocesso, como a que presenciamos em Santa Catarina e espalha-se por todo o Brasil. Pode ser nossa última chance de mudarmos para um modelo que a todos beneficia! Mas os que sempre produziram de forma predatória, não querem largar seus costumes, não querem "largar o osso". Mas é questão crucial até para ELES sobreviverem!

Voltando à TV Bandeirantes, não vou nem questionar quem pode estar financiando esta campanha contra o ambientalismo. Não é muito difícil concluir, visto o grupo ter um canal voltado ao meio rural, o "Terra Viva". Mas aí são suposições. De qualquer forma este respeitado grupo de mídia trabalha contra os brasileiros, pois o afrouxamento das leis ambientais condenará todos nós à morte..



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Gostaria de divulgar a vocês que o conteúdo deste blog foi publicado no livro "REFLEXÕES ECOLÓGICAS EM UM MUNDO INSUSTENTÁVEL", conforme foto acima

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Gabriel Bertran


domingo, 1 de junho de 2008

CENSURA E RETROCESSO AMBIENTAL

Ao que parece, a ânsia deste (des)governo atual em desmoralizar e praticamente anular quaisquer políticas favoráveis ao meio-ambiente "nesse país" não tem limites. Com os (vários) exemplos ocorridos nesta última semana de maio, podemos ilustrar este triste quadro. E as florestas brasileiras que se protejam, pois a depender de quem deveria protegê-las...

CENSURA AO INPE
Primeiro vimos, no jornal O Estado de São Paulo, a notícia de que,
para evitar mais polêmica, a direção do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) adiou a divulgação de sua análise sobre desmatamento na Amazônia no mês de abril, que estava marcada para dia 26/05. Pretende debater os resultados com o novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que toma posse hoje. A intenção é divulgar os resultados 'dentro de um contexto técnico-científico' e não em um 'momento político'. Por aí vemos o intuito de censura por trás deste (des)governo. Uma respeitada instituição como o INPE agora tem seu trabalho tolhido e, além de tudo, é impedida de divulgar dados de suma importância para a população não só brasileira, mas mundial! A atitude do (des)governo neste sentido assemelha-se a "destruir o termômetro que mostra o quanto o paciente está febril". Obviamente de nada adiantará ocultar os números (que só aumentam) do desmatamento de nossas florestas. Mas sabe-se que o presidente lulla tem medo da verdade. Isso foi bastante notório neste recente episódio da demissão da Ministra do Meio-Ambiente, Marina Silva, o qual foi fomentado, dentre outros motivos, pela exposição dos números (cada vez maiores) dos desmatamentos da Amazônia.

RECUO EM CORTE DE CRÉDITO
E pelo visto, além das políticas de "ocultação da verdade", empreendidas por lulla e sua corja, após a auto-demissão de Marina, começa agora um programa para a anulação das poucas medidas de preservação ambiental e contenção da devastação que ela conseguiu ao menos dar início (não desmerecendo a capacidade e inteligência da ex-ministra, uma das poucas vozes lúcidas dentre deste desgoverno, mas que infelizmente não pôde fazer quase nada devido justamente à postura populista e pseudo-desenvolvimentista de lulla e sua quadrilha). Agora, por pressão dos ruralistas,
o governo estuda mudanças na portaria 96/2008, do Ministério do Meio Ambiente. A portaria, assinada no dia 27 de março pela então ministra Marina Silva, torna quase impossível a concessão de crédito oficial para todos os municípios do Acre, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima e outros 106 do Maranhão, Mato Grosso e Tocantins que, embora estejam no cerrado, foram incluídos pela ministra no bioma Amazônia. Ou seja, todo aquele estardalhaço feito no início do ano era para "inglês ver", para o (des)governo apenas PARECER que dá respostas rápidas à verdadeira tragédia ambiental que está acontecendo. Assim foi com as operações de apreensão de madeira ilegal: aos poucos foram sendo esvaziadas, à medida que a mídia deixa de dar atenção a elas. É um verdadeiro "fogo de palha". Apenas no momento em que uma verdade aparece, o (des)governo finge movimentar mundos e fundos para combatê-la, e logo após, ameniza as ações, que ficam restritas praticamente àquele espetáculo inicial.

UM MINISTÉRIO DE SEGUNDA CATEGORIA
E assim perece nossa política ambiental, exatamente da forma que assinalou o ex-secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente (na gestão Marina Silva), o biólogo João Paulo Capobianco, em entrevista ao Estado de São Paulo no dia 29 de maio: "A Pasta do meio-ambiente foi tratada como de 2ª categoria no governo Lula". Segundo o ex-secretário, o Planalto queria reduzir o Ministério a um órgão licenciador de obras. Isso fez este ministério ser submetido a um isolamento em relação aos grandes debates nacionais. Isso vai na contra mão das propostas iniciais de "transversalidade", que Marina tanto propagava no início do (des)governo, quando ainda havia a esperança de que ela conseguisse trabalhar. Com o passar do tempo, viu-se queo conceito do "ambientalmente sustentável" não faz parte da visão de conjunto do governo. A prioridade sempre foram as grandes obras, como hidrelétricas, rodovias e ferrovias que rasgam a a Amazônia, bem aos moldes dos governos militares dos anos 60 e 70. O que os governantes atuais não enxergam é que naquela época o conceito de preservação ambiental ainda era incipiente. Hoje está comprovado que as conseqüências da ação devastadora do homem já estão aí, na nossa cara. Mas não adianta explicar isso a "elles", que só pensam no quanto irão faturar com estas obras e nada mais. Não adianta explicá-los que, com um plano de economia de energia como o que FHC executou na época do "apagão", é possível que a população brasileira economize 50% da energia consumida, ou mesmo com a repotencialização das usinas atuais e construção de geradoras de energia renováveis (vento, sol, biomassa, etc.), conseguiríamos mais que duplicar nossa capacidade geradora sem inundar mais nenhuma represa! Isso sem contar outra montanha de absurdos que o governo lulla empreende sem nem considerar nosso meio-ambiente, simplesmente passando por cima de tudo.

Neste contexto, não podemos esperar muito do novo ministro Carlos Minc, "o carnavalesco e carimbador maluco" (aumentou substancialmente a concessão de licensas ambientais no Rio de Janeiro). Não há muito a dizer sobre ele. Mesmo que tenha boas idéias, será que o lulla e a dilma vão deixá-lo trabalhar??