segunda-feira, 1 de junho de 2009

Todos contra o Meio-Ambiente

Este blog às vezes pode parecer negativo demais, eu reconheço; mas eu pergunto a vocês, amigos, como podemos agir de outra forma diante de tantos absurdos praticados contra o meio-ambiente, principalmente aqui no Brasil?

E o contra-senso é total: em um momento que as tragédias associadas ao Aquecimento Global estão aí, na cara de todos (enchentes ano passado em Santa Catarina e este ano no Nordeste, seca recorde no Sul do país e muitos outros fatores), os governantes, os ruralistas e as televisões parecem associar-se contra a preservação do pouco que resta preservado de nossa natureza. Senão vejamos, resumidamente, algumas ações recentes. Vamos nos concentrar apenas nestes últimos 5 meses ou pouco mais:

- Aprovação do criminoso "código ambiental" em Santa Catarina (deveria se chamar "código de destruição"), o qual permite que as propriedades rurais praticamente não tenham mais mata ciliar (5 metros não é nada), dentre vários outros absurdos;
- A TV Bandeirantes desencadeou campanha deslavada contra as leis ambientais, enganando a população ao dizer que tais leis "travam o desenvolvimento do Brasil";
- Fazem coro junto com este canal de TV o ministro da agricultura Reinhold Stephanes, a ministra da casa civil "mãe do pac" Dilma Roussef, o "ministro americano" Mangabeira Unger e mais uma série de outros funcionários do primeiro escalão do (des)governo, todos contra as leis ambientais e a favor de um "desenvolvimentismo" suicida, típico dos governos militares dos anos 60 e 70;
- O fanfarrão "lulla", o qual se diz presidente, deu voz a esta campanha, com suas blasfêmias de dizer que as obras que "eççe paíz precisa" não vão pra frente por causa do bagre, da perereca, etc., bem como dizer que se existissem leis ambientais nos anos 50, Brasilia não existiria, dentre outras idiotices típicas de quem não estudou e faz discurso sem o menor embasamento;
- Com esse empenho todo, o mesmo presidente decreta lei que permite a destruição de nossas cavernas (o que o país vai ganhar destruindo estes importantes abrigos de biodiversidades quase extintas, bem como de sítios arqueológicos?), autorizando também a "doação" de terras Amazônicas aos mesmos criminosos que destruíram quase 20% da (ainda) maior floresta tropical do mundo (ou seja, ser criminoso neste país realmente continua compensando) e, o pior, aprova leis incentivando a abertura e asfaltamento de estradas nos locais mais remotos e (ainda) preservados da Floresta Amazônica (isto é uma decretação de pena de morte para a floresta);
- Para completar, a bancada ruralista no congresso tenta aprovar lei que dá autonomia a estados e municípios para legislarem da forma que bem entenderem sobre as questões ambientais, o que dá força a absurdos como esta lei catarinense e criará mais uma série de brechas para o desmatamento pelo país afora (como se já não desmatassem sem respeitar nada, imaginem amparados pela lei!).

Eu não estou me lembrando de todos os absurdos dos últimos meses. Sei que, enquanto isso, tenta-se enfraquecer mais um ministro do meio-ambiente, deixando o midiático Carlos Minc ainda mais fraco do que já é em suas ações.

Tem horas que nós, como ambientalistas que somos, perdemos quase todas as esperanças. Foram anos de conquistas de ONGs sérias como SOS Mata Atlântica, Greenpeace, WWF, Ipê, etc., as quais passaram a década de 80 lutando por aprovações de leis que freassem a destruição violenta pela qual a natureza passou nos últimos séculos, e que agora se vêem desmoralizadas por governos e TVs populistas, que de uma hora pra outra resolveram colocar a população contra os ambientalistas, contra a preservação!

O Brasil já é um país cuja população, por natureza, despreza o meio-ambiente. É só ver nas cidades o quanto de árvores são cortadas pelos próprios moradores, sem saber o quanto o verde os beneficia; a imensa impermeabilização das cidades que causa enchentes astronômicas; o descaso com o lixo, que é jogado em ruas, rios e córregos e quase nunca reciclado. Indo para o meio rural, basta ver o desprezo de grande parte dos agricultores pelo "mato", que deve ser cortado e queimado a todo custo. Enfim, práticas que vêm de longe e que mostram que a consciência ambiental tinha que começar na casa, na cabeça de cada um. E o pouco de avanço que podemos ter tido vai por água abaixo com este discurso errôneo de que "preservação ambiental é atraso".

Enquanto isso, num plano macro, não se investe em energias alternativas, como solar e eólica. Só se fomenta inundações dantescas na Floresta Amazônica para construir hidrelétricas (que além de acabarem com a floresta, geram gás metano e levam pobreza e sujeira às regiões próximas); fomenta-se mais usinas termoelétricas, queimando óleo e carvão; investe-se no transporte rodoviário até em áreas preservadas, quando o ferroviário poluiria menos e não impactaria as margens da via; etc.

Como se vê, o movimento ambientalista está sendo sistematicamente atacado e enfraquecido.
...

Caros amigos,
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Gabriel Bertran


sábado, 4 de abril de 2009

Canal de TV faz campanha contra ambientalismo



Nossos canais de televisão nunca foram totalmente imparciais em suas coberturas jornalísticas. Eu sempre preferi me informar mais pela mídia impressa do que pela televisiva, quase sempre sensacionalista e, muitas vezes, tendenciosa, até pelo nível de cobertura que atingem na população em geral. Esta grande influência da televisão às vezes é até positiva, em alguns casos, mas muitas vezes serve mais à manipulação da grande massa, e temos inúmeros exemplos disso ao longo dos nossos mais de 50 anos de televisão no Brasil.

Destes canais, um dos que eu considerava que tinha um jornalismo um pouco mais independente era a TV Bandeirantes, principalmente frente ao jornalismo "chapa branca" da líder TV Globo (até por esta ser, em geral, sempre aliada dos governos em exercício, sejam eles quaise forem, com raras exceções). Mas o pouco de admiração que eu tinha pela Band está caindo por terra.

Tenho acompanhado neste canal uma crescente campanha contra o ambientalismo no Brasil. Primeiro por matérias tendenciosas em seus jornais, como a que pede mudanças no Código Florestal Brasileiro, para que este seja mais permissivo aos agricultores (como se até hoje não se tivesse desmatado nada - já perdemos quase todos os nossos grandes biomas e agora o Amazônico é a ultima fronteira que está sendo pilhada sistematicamente).

O maior flagrante desta campanha "anti-ambientalista" é a repetição sistemática, durante a programação, de trechos de uma destas reportagens, mostrando produtores rurais mineiros que foram presos por crimes ambientais (talvez um caso isolado, pois raramente prende-se por este tipo de crime no Brasil). Não vou nem discutir a medida tomada pelas autoridades mineiras, talvez houvessem meios menos radicais de punir os agricultores, através de recomposição de matas, educação ambiental, etc. O problema é o tom dramático que a Bandeirantes imprime a esta verdadeira propaganda anti-ambientalista, com orquestração de fundo e dando a entender que somente os produtores rurais teriam razão, não indo a fundo na questão ambiental. E terminam a campanha com o slogan : "Se o código florestal não mudar, o Brasil vai parar".

Complementa-se a campanha com amplas matérias mostrando a precariedade das estradas que cortam o norte do Mato Grosso, atrapalhando o transporte da soja. Bem, para começar, estas estradas nem deveriam estar lá, pois aumentam a pressão sobre a Floresta Amazônica e o estado do Amazonas (o mais preservado por enquanto) será a próxima vítima. Mas isto nem é cogitado. O jornalismo da Bandeirantes parece trabalhar apenas em nome do "desenvolvimentismo", modelo este que já se viu falido, com muitos exemplos na Grande São Paulo e Baixada Santista, por exemplo, regiões que acabaram com seus rios e florestas em nome de um desenvolvimento industrial a qualquer custo, deixando um passivo de terras e águas tão poluídas que talvez nem em 100 anos consigam ser limpas. Hoje as enchentes e a poluição atmosférica são apenas a ponta do iceberg no que resultou este "desenvolvimentimo". Desenvolvimentismo que acabou com as florestas de araucárias no Paraná, em menos de 50 anos de exploração intensiva, alterando sensivelmente o clima, acabando com a biodiversidade e hoje deixando milhares de agricultores sem água, principalmente no oeste do estado. Os mesmos que desmataram são os que reclamam do "clima" hoje. Ninguém conta os serviços ambientais gratuitos que as florestas trazem! E, finalmente, o exemplo mais visível de todos, a tragédia das enchentes e desabamentos em massa em Santa Catarina, causadas pela combinação das mudanças climáticas mundiais com o desmatamento local, que acabou com a capacidade do solo de absorver a água e com as florestas de protegerem as encostas. E ainda por cima vêm os parlamentares catarinenses e aprovam, na semana que passou, uma lei para diminuir as reservas legais! Tudo na contra-mão, e esta lei vai de encontro com o que a TV Bandeirantes prega: diminuir as reservas legais em todo o País! Isso para, supostamente, "beneficiar" o agricultor! Ao contrário do que estes irresponsáveis jornalistas pregam, esta diminuição vai deixar a lavoura com menos água e com terra de pior qualidade. No estado de São Paulo alguns agricultores que recompõe a mata em suas propriedades já colhem os ganhos de produção. Não é preciso plantar em toda a área, mas se deixar eles plantam até dentro dos rios! A solução passaria por educação ambiental, programas de qualificação de propriedades para a agricultura orgânica e ecológico, mas nisso ninguém fala na televisão!

A campanha da Bandeirantes culminou na entrevista do ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, no programa Canal Livre do dia 01/03/09. Era notória a tonalidade tendenciosa dos entrevistadores, jornalistas de grande credibilidade como Joelmir Beting, Fernando Mitre e Antonio Teles. Direcionavam as perguntas enfatizando o "absurdo das reservas legais" e a "perseguição aos agricultores", "tornando-os bandidos"; frases proferidas até de forma violenta, para incentivar, ainda mais, o ministro membro das elites agrárias que devastaram o Paraná, a apoiar ainda mais as iniciativas de liberalização do desmatamento! E nos intervalos comerciais (em todos), dá-lhe a mesma reportagem sobre os agricultores mineiros! Lavagem cerebral no telespectador é apelido! Na semana seguinte, no dia 08/03/09, o mesmo programa fez um "mea culpa", chamando o midiático ministro do meio-ambiente, Carlos Minc, mas mesmo assim fazendo alguns "flash-backs" com imagens do ministro da agricultura no programa anterior. O ministro Minc, como sempre saindo pela tangente, conseguiu driblar as perguntas tendenciosas dos entrevistadores, não apresentando (como sempre) soluções definitivas, mas defendendo ao menos a preservação da Amazônia. E o próprio Minc se comprometeu a não endurecer mais o código florestal...

De fato não deveríamos "endurecer" o código, mas simplesmente aplicá-lo, aliado a um bom programa de requalificação de propriedades, até para que os agricultores gerem renda a partir da floresta e ganhem pela preservação. Mas não se fala nisso. Aí é minha opinião, de que nem o governo está certo na aplicação da lei, porque ela está sendo aplicada de forma errada e em muitos casos nem aplicada. E também não estão certos os que combatem esta lei, porque ela está aí é para preservar o pouco que resta de nossa natureza, de forma que nós mesmos, habitantes da nave Terra, sobrevivamos!! Os ambientalistas, em sua maioria, não são sonhadores nem radicais: são apenas realistas e baseiam-se em estudos científicos. O desenvolvimentismo dos anos 60/70 não pode voltar, mas o (des)governo atual tem uma forte tendência para voltar a este modelo, via PAC e outros planos eleitoreiros. O meio-ambiente está em segundo plano. Mas ninguém percebe que ele permeia tudo!

No momento atual temos que tomar cuidado com estas tentativas de retrocesso, como a que presenciamos em Santa Catarina e espalha-se por todo o Brasil. Pode ser nossa última chance de mudarmos para um modelo que a todos beneficia! Mas os que sempre produziram de forma predatória, não querem largar seus costumes, não querem "largar o osso". Mas é questão crucial até para ELES sobreviverem!

Voltando à TV Bandeirantes, não vou nem questionar quem pode estar financiando esta campanha contra o ambientalismo. Não é muito difícil concluir, visto o grupo ter um canal voltado ao meio rural, o "Terra Viva". Mas aí são suposições. De qualquer forma este respeitado grupo de mídia trabalha contra os brasileiros, pois o afrouxamento das leis ambientais condenará todos nós à morte..



Caros amigos,
Gostaria de divulgar a vocês que o conteúdo deste blog foi publicado no livro "REFLEXÕES ECOLÓGICAS EM UM MUNDO INSUSTENTÁVEL", conforme foto acima

Os textos foram todos REVISADOS, AMPLIADOS e ainda inserimos TEXTOS INÉDITOS na publicação!

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Gabriel Bertran


quarta-feira, 1 de abril de 2009

Aprovada Lei contra a Mata-Atlântica em SC !

É incrível, mesmo depois das tragédias de Novembro do ano passado, os catarinenses não aprenderam: querem continuar desmatando a mata-atlântica e agora os deputados estaduais praticamente oficializaram isso: ontem (31/03/09) foi aprovado o Projeto de Lei nº 238/08, que, dentre diversos absurdos, diminui a área de proteção permanente nas beiras de rios de 30 para 10 metros, libera plantações em topos de morro, dentre diversas outras permissões para crimes ambientais ou para legalizar os crimes já cometidos.

Foi escarrado na cara de todo mundo que a infinidade de deslizamentos e enchentes do ano passado se deveu única e exclusivamente à ocupação ilegal e predatória destas áreas que ERAM protegidas, seja no meio urbano ou rural. O Estado de SC foi o que mais desmatou a Mata-Atlântica (bioma em maior perigo no Brasil) entre 2000 e 2007. Como podem aprovar uma lei destas, ainda com o apoio da maioria dos agricultores do estado, provavelmente cooptados por políticos populistas?

Escrevam o que eu digo: agricultor que desmatar, vai colher mais lama daqui para frente. Esta lei é um verdadeiro "tiro no pé". Depois não adianta pedirem ajuda ao Brasil inteiro se os catarinenses não fazem a "lição de casa". É duro dizer isto, mas é a mais pura verdade!

Ficamos de luto mais uma vez pela Mata-Atlântica.. Protestemos contra a Assembléia Catarinense!!

Quem quiser ler a matéria completa sobre a aprovação deste absurdo leiam em:

http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&local=18&section=Geral&newsID=a2460062.xml

quinta-feira, 26 de março de 2009

Guerra contra as nossas reservas florestais!

Bom dia, amigos! Quero compartilhar com vocês o artigo publicado ontem (25/03/2009) no jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, escrito pelo ambientalista Marcos Sá Correa. É importantíssimo que todos atentem à guerra que está se travando no Brasil contra as reservas ambientais, que já são pouquíssimas, além de muito pouco protegidas. É o tiro de misericórdia na preservação ambiental, dado por políticos e grupos interessados na destruição. O que restará depois? Bem , leiam a matéria abaixo, que reproduzo na íntegra, e voltaremos a comentar depois:

____________________________________________
O Instituto Chico Mendes se perde nas Veredas
Marcos Sá Correa *

Sem freio nem motorista, desembestado na contramão, o Brasil está em campanha para se livrar das leis que protegem as últimas relíquias de sua exuberância natural.
Há um anúncio na TV dizendo que “o País vai parar” se elas não mudarem.Mas a publicidade é o de menos.
Santa Catarina disparou na frente e, concretamente, vota até o fim do mês na Assembleia Legislativa o Projeto 0238,que desfigura o Código Ambiental do Estado a ponto de instituir a licença automática de obras não embargadas e reduzir de 30 para 5 metros a barreira de matas ciliares nos cursos d’água. A desculpa dos políticos é alforriar, com o projeto, cerca de 167 mil pequenos agricultores, espremidos pelas faixas de proteção permanente em propriedades de 50 hectares. Mas,na prática, o novo código atende antes de mais nada “os grandes”, avisa o promotor Luís Eduardo Souto, em artigo no site da Apremavi, uma ONG da serra catarinense. Os“grandes”,Souto esclarece, são 1,9% de latifundiários que dominam 32,52% da área cultivada no Estado. O “agricultor familiar”, que lhes serve de pretexto, já conta com a “autorização legal do código vigente para utilizar economicamente as áreas de preservação permanente, desde que o faça mediante sistema de manejo agroflorestal sustentável”.
Mas isso não faz diferença. Mente-se tanto no Brasil em favor dos pobres que dez projetos federais disputam, em Brasília, a honra de amputar 9,5 milhões de hectares de parques nacionais e outros tipos de reserva. Somados pelo repórter Aldem Bourscheit, dos confins da Amazônia às fronteiras do RS, eles dariam para cobrir um Estado do tamanho de SC. Só o deputado Asdrúbal Bentes quer acabar com 6,5 milhões de ha em florestas nacionais e parques no Pará.
O presidente do Instituto Chico Mendes, Rômulo Mello, alega que os projetos dos parlamentares são fracos, “sem informação técnica detalhada”. Seria plausível caso Mello se dedicasse a desmontá-los. Mas não foi isso que fez, no domingo passado, falando em programa de TV sobre o Parque Nacional Grande Sertão Veredas.
Como encarregado oficial de zelar pelas unidades de conservação do governo federal, ele pôs no ar dúvidas estranhas sobre a legitimidade do processo que resultou no parque, estabelecido num lugar “onde tem gente”. E ainda aproveitou as câmeras para propor a revisão do Código Florestal Brasileiro.
Com defensores como Mello, o Ministério do Meio Ambiente não precisa de opositores. Mello, pelo visto, ignora que o Grande Sertão Veredas surgiu de um processo exemplar. Leva a assinatura de Maria Tereza Pádua, a funcionária pública que,em outros tempos,instituiu quase tantos hectares de áreas protegidas quanto os milhões que as autoridades agora pretendem suprimir. ●
* É jornalista e editor do site
O Eco (www.oeco.com.br)

domingo, 22 de março de 2009

Uma semana triste para o Meio-Ambiente: mais araucárias destruídas


A imagem acima é chocante e vale mais que mil palavras. Foi publicada na segunda-feira (dia 16/03/2009) no jornal Gazeta do Povo. Leiam a reportagem "Paraná desmata o que sobrou da araucária" na íntegra clicando no link abaixo ou copiando-o em seu navegador:

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=867467&tit=Parana-desmata-o-que-sobrou-da-araucaria

Como podemos aceitar acontecer ainda o desmatamento de uma espécie de árvore, no caso a araucária angustifolia, da qual restam menos de 1% de sua cobertura original no Paraná? E o pior de tudo, esta destruição que continua a acontecer têm a complacência de políticos da região sul do Paraná, todos envolvidos com o esquema criminoso de madeira. Ainda por cima, os mesmos políticos utilizam-se de discursos populistas para incentivar a população a continuar a destruição, dizendo que a única fonte de renda de cidades como General Carneiro é a extração criminosa de madeira! Agora eu pergunto: se estes municípios não ficaram ricos até hoje, será que ficarão acabando com os 1% de florestas que deveriam guardar como patrimônio da humanidade??? Sim, porque os serviços ambientais que as florestas nos prestam são incalculáveis. Será que estes políticos esperarão o Rio Iguaçú secar (e já teve ano em que as cataratas desapareceram) por falta das matas ciliares, e ainda colocarão a culpa no clima (como se nenhum destes fatores estivesse interligado)? Por sinal estamos no DIA MUNDIAL DA ÀGUA, há o que comemorar??

Não seria o caso destas pessoas serem denunciadas por crime de lesa-pátria? Elas estão privando as próximas gerações de usufruírem de um meio-ambiente equilibrado, estão privando estas mesmas gerações até de experimentarem o pinhão, fruto desta linda árvore que conheceu os dinossauros e já alimentou milhares de espécies animais e gerações de seres humanos!

O que mostra outra reportagem que postarei abaixo é que toda a força política desta região montanhosa, localizada na divisa com Santa Catarina, trabalha pela destruição. O pensamento é que, se eles sempre destruíram, por quê não continuar destruindo? Eles ainda tem o cinismo de dizer que a cobertura vegetal da região aumentou, com o plantio de pinus! Não tem o menor discernimento de que o pinus, espécie nativa da América do Norte, não traz quase nenhum dos benefícios ambientais que as araucárias nos trazem! O pinus seca o solo e não deixa outras espécies vegetais se desenvolverem, não atrai pássaros nativos do Brasil, não dá frutos comestíveis, como o pinhão, etc. É claro que o pinus é importante se for utilizado para EVITAR o desmatamento de florestas nativas (que além das araucárias, abriga muitas outras espécies igualmente importantes). Agora meramente substituir a rica mata-atlântica brasileira por "desertos verdes" de pinus é um contra-senso. Se houvesse um planejamento há mais de 50 anos atrás, teríamos florestas de araucárias até hoje, com plantio e corte seletivo. Mas a "colonização" do Paraná se deu na forma de terra arrasada: foi-se derrubando e queimando tudo o que se via pela frente como se fosse "mato sem valor" e com isso as boas matrizes das araucárias se foram para sempre. O que existe hoje é uma pequena amostra, da pior qualidade, o que aumenta o perigo de extinção, pois não tem-se mais variabilidade genética. Por isso a necessidade de preservar cada araucária ainda viva. Ela é uma árvore de desenvolvimento lento, por isso estas matas demorarão séculos para se recuperarem, isso se os produtores rurais e os políticos paranaenses as deixarem em paz, o que está difícil de acontecer...

O que deveria ocorrer urgentemente é uma grande mobilização popular contra estes prefeitos. Mas o que parece é que a população é conivente com estes crimes. A população destas pequenas cidades com medo de perderem o emprego (só que quem fica com a maior parte da renda dos crimes são os poderosos políticos e donos de terra da região). Ao mesmo tempo, a população das grandes cidades, como Curitiba, deveria parar de comprar "madeira de pinheiro", como é chamada (e já presenciei vários casos aqui na capital). Se não existir o comprador, não existirá o traficante, assim como ocorrem com as drogas! A impressão que dá é que O Instituto Ambiental do Paraná, o IBAMA e algumas ONGs sérias, como a SPVS e o SOS Mata Atlântica, trabalham sozinhos, sem apoio da maioria da população. Não seria a hora de uma grande mobilização de todas as esferas da sociedade e do governo, apresentando, inclusive, alternativas econômicas à região e também PAGANDO A QUEM PRESERVA AS FLORESTAS? Afinal estas florestas prestam os serviços de manterem nossa água e nosso ar puros, além de controlarem pragas agropecuárias e fertilizarem a terra. Isso tudo tem, e muito, valor!

Segue a reportagem de sábado (21/03/2009), sobre a influência das forças políticas em prol do desmatamento no Paraná:

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=869334&tit=Forca-politica-age-a-favor-do-desmate

sábado, 17 de janeiro de 2009

ANIVERSÁRIO DE UM ANO DESTE BLOG!

Quase passou despercebido a mim mesmo que neste último 15 de janeiro este pequeno blog fez um ano de vida! É uma história que engatinha ainda, com apenas 23 postagens (média de menos de duas por mês), que eu gostaria de intensificar, mas pergunto aos meus "leitores" (que não devem passar de 10 ainda, eh eh eh!) : há o que comemorar em termos de preservação do meio-ambiente?

Eu gostaria de escrever mais, mas fora a falta de tempo, o desânimo com tudo o que vemos Brasil e mundo afora às vezes nos contamina. Não deveríamos (e NÃO DEVEMOS) nunca desanimar, principalmente nesta luta inglória que travamos, pois a ordem mundial, natural do ser humano, sempre foi destruir, destruir e destruir; tendo a natureza como inimiga e não como parte da vida das pessoas. Mas a esperança nunca deve morrer e vamos seguindo!
Fora estes fatores de motivação (ou falta dela), também não conheço muito bem mecanismos que possam tornar nossos blogs mais conhecidos (pois gostaria muito que as idéias preservacionistas se expandissem cada vez mais). Inclusive os amigos blogueiros podem me ajudar com dicas de divulgação, eu ficarei muito agradecido!!!

Voltando ao "aniversário do blog", infelizmente comemoramos este um ano presenciando cenas tão parecidas (ou até piores) que o crime que presenciei há exato um ano atrás e que até motivou a criação deste canal virtual de comunicação: os assassinatos de araucárias em Curitiba continuam. Isto para não mencionar outras árvores, mas enfatizando a "árvore símbolo da cidade" (que parece mais um símbolo irônico, por estar desaparecendo), neste mesmo 15 de janeiro (desta vez de 2009) presenciei, em uma esquina do montanhoso bairro Pilarzinho, um pequeno condomínio destes horríveis "sobrados" todos iguais que constróe-se aos montes por aqui, em que os nobres moradores simplesmente assassinaram 3 (três) araucárias que deviam viver ali muito antes deles construírem as aberrações arquitetônicas que habitam, pela dimensão dos troncos das mesmas! Claro que já comuniquei à prefeitura (que não me respondeu - outro motivo de meu desânimo é com a inação dos órgãos públicos - até neste caso de espécimes protegidas por LEI, como é a araucária); mas não sei mais o que fazer.. é questão de educação mesmo. As pessoas consideram as árvores como estorvo e ponto final. Não estão com o mínimo interesse nos benefícios ambientais que trazem a todos e também aos pássaros de toda a região. Fora o fato de todo mundo gostar de pinhão, então por quê não manter as araucárias antigas que podem trazer estes frutos todo ano gratuitamente?

Fico cada vez mais revoltado com os jardins dos novos empreendimentos, ou mesmo os que passam por reforma: são sempre as mesmas espécies, todas minúsculas e importadas da Ásia, do Japão; enfim, tudo menos as plantas brasileiras! E por sua altura reduzida e não-adaptabilidade ao clima, solo e fauna local, são plantas inócuas do ponto de vista ambiental, ou seja, não servem pra nada (nem para embelezar, pois as árvores brasileiras são muito mais bonitas!). Isso no País que tem a maior biodiversidade do planeta! Ou seja, é uma ignorância total, devemos estar caminhando para uma desertificação de nosso território mesmo. Não quero ser catastrofista, mas é so´ verem os exemplos: onde (ainda) têm florestas, estão tratando de cortar e queimar tudo, para plantar soja, criar boi ou mesmo para nada. E nas cidades, as poucas reservas estão desaparecendo, em geral para darem lugar a condomínios ou favelas ridículas. E as pessoas que possuem quintal e poderiam manter ao menos uma árvore para ajudar a cidade como um todo, se possuem a cortam e se não possuem não plantam, só colocam estas plantas baixinhas e ridículas!!!

Isto é um desabafo a vocês, meus amigos, que com certeza compreendem o que falo.
Sem contar que, apesar de existirem ONGs sérias na área de preservação, eu realmente não sei como trabalhar com elas. Bem que já tentei, mas existe um monopólio dos biólogos na área ambiental (sem desmerecer esta profissão, que é importantíssima), por isso raramente darão ouvidos a um profissional formado em arquitetura, como eu, achando que "não sou do ramo". Mas possuo muitas idéias e uma consciência ambiental tão grande quanto a deles. Da mesma forma que os governos, não respondem às minhas denúncias e parece que nem as levam adiante.

Diante de um quadro como este, vemos que nossa natureza está quase que totalmente desprotegida. Todos fazem o que querem, não são punidos, destrói-se cada vez mais, num momento em que vemos com nossos próprios olhos e sentimos na pele as conseqüências do aquecimento global! Está na cara, só não vê quem não quer e quase ninguém ajuda a minimizar isto!

Mesmo assim continuamos. Quero agradecer a todos os leitores e convidá-los a sempre participarem, lendo os artigos, sugerindo temas para discutirmos, divulgando estas idéias... enfim, vamos levar nossa causa adiante, embora exista tanta gente e tantas circunstâncias contra nós!

Um forte abraço a todos, muito obrigado pelo apoio e estejamos sempre juntos nesta caminhada por um Brasil e um mundo melhor !!!

GABRIEL BERTRAN

P.S.: não adotarei (ao menos por enquanto) esta "reforma ortográfica" neste blog! Também sou contra este atentado contra a língua portuguesa. Pra mim nossas IDÉIAS serão mais fortes, tais como a acentuação!

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Gabriel Bertran

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

SANTA CATARINA:TRAGÉDIA ANUNCIADA?

Nos últimos dias nós temos acompanhado pelas televisões e jornais a ampla tragédia ambiental que ocorre na região do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Nem precisamos mencionar os mais de 70.000 desalojados e os mais de 100 mortos com as enchentes e desabamentos que têm ocorrido nas cidades da região. Nem mesmo podemos deixar de nos solidarizar com todas estas vítimas. Vítimas tanto das chuvas quanto da falta de planejamento urbano por parte das autoridades, ao longo de décadas.

Seria esta uma tragédia anunciada? Acredita-se que sim, e não é de hoje. É claro que há o agravante do aquecimento global, que desequilibra o clima em todo o planeta. Já afirma-se que as chuvas deste ano na região de Blumenau estão em um volume recorde, acima de todas as medições anteriores.

Sabe-se também que todo o Vale do Itajaí está muito próximo ao nível do mar, e aquela região, em épocas remotas, já foi toda ocupada pelo mar, ficando, ao longo de milênios, o rio Itajaí-Açú como principal curso d´água. Portanto, o local que a água tenta ocupar já, digamos assim, foi dela. E todo rio possui uma área inundável a sua volta, conforme o volume de chuvas. O mesmo princípio pode ser aplicado, por exemplo, ao rio Tietê, em São Paulo (e foram fazer grandes aveninas justamente na área de inundação natural em volta do rio).

O Vale do Itajaí foi um dos principais vetores de ocupação de Santa Catarina. E ao longo de seu curso estabeleceram-se prósperas cidades, fundadas principalmente por alemães. Mas, a dinâmica das águas dali já era conhecida de habitantes bem anteriores aos alemães, que chegaram somente no século XIX. Outro dia, conversando com um professor da faculdade de arquitetura da UFSC, por coincidência especializado na história do Vale do Itajaí, ele contou que, ao chegar na região nos anos 1840, o Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau, ele fora alertado por um caboclo que residia no local que a área onde hoje está erguida a cidade que leva seu nome era extremamente alagável. O caboclo até sugeriu um outro local próximo, mas o Dr. Blumenau não quis ouvi-lo... nada contra a engenharia alemã, que é das mais avançadas do mundo. Inclusive hoje em dia a Alemanha refloresta as margens de seus rios, devolvendo a eles sua dinâmica natural. Mas, no século XIX, a natureza ainda era "inimiga" do homem, tinha que ser domada a todo custo e achava-se que era fonte inesgotável de recursos. Hoje vemos que estes recursos estão no fim, precisamos já de três planetas terra para mantermos nosso padrão de consumo atual.

Este pensamento da natureza como inimiga faz com que construamos as cidades sem respeitá-las. No Vale do Itajaí, o aumento populacional agravou e muito a tragédia. Na grande enchente de 1984 (que já foi superada pela deste ano) não houve tantos deslizamentos como nesta, o que denota muito mais gente vivendo em encostas ou cortando-as para abrir estradas ou mesmo desmatando suas florestas naturais, que seguram a terra com as raízes. O que se vê nas imagens são morros sem a mínima sustentação, sendo levados como massa de bolo ainda não assado, e com isso empurrando casas, vidas e tudo o mais que está sobre ou abaixo deles.

É claro que temos que ajudar todas estas famílias. Muitas nem tinha conhecimentos técnicos ou ambientais para construírem nestes locais. Aí perguntamos, como sempre, onde estavam as autoridades nestas horas? Se temos leis ambientais rígidas , por quê não são cumpridas? Claro, sempre prevalece o clientelismo, o populismo de prefeitos e vereadores que querem se aproveitar da situação, "aprovando um desmatamentozinho ali e outra obrinha ali" ou mesmo fazendo vista grossa para estas aberrações. Sem apoio, as polícias ambientais e outras autoridades que poderiam fiscalizar nada fazem, e os problemas só vão aumentando até estourarem da forma que estouraram nesta semana.

Isto não acontece apenas em Santa Catarina não. Por todo o Brasil a corrupção e o descaso acabam com nossa natureza, com nossas belezas. Basta ver as imensas favelas de São Paulo e Rio de Janeiro, verdadeiras metrópoles caóticas dentro das metrópoles, avançando sobre a mata-atlântica, sobre os mananciais de água (como é o caso da Represa Billings, em SP) e sem que ninguém impeça. Pelo contrário, pode contar que sempre tem algum "político local" incentivando invasões em áreas de preservação, em troca de votos. Nas últimas eleições cheguei até ouvir promessas de uma candidata a prefeita de Curitiba (que, ainda bem, não ganhou) prometendo "afrouxar as leis ambientais" para regularizar invasões! Ou seja, legaliza-se o que está errado! Se estas áreas são de preservação (e deveriam haver muitas outras) é porque estudos foram feitos para que assim sejam consideradas! É por beneficiar toda a população que precisamos de áreas preservadas! E, em nome de um populismo barato, sacrifica-se todos por poucos!

Voltando a Santa Catarina, sabe-se que, segundo o Atlas da Mata Atlância, emitido pela ONG SOS Mata Atlântica, este foi o estado que mais desmatou este bioma nos últimos anos. E um bioma do qual restam menos de 7%, que deveria ser incontestavelmente preservado, por conter a mais alta biodiversidade do planeta. E tudo em nome de um suposto "desenvolvimento". A economia do estado cresce, mais indústrias se instalam, a agricultura se expande, o porto importa e exporta de tudo, libera-se para os turistas construírem suas casas de praia por toda parte, etc. Sem limites. Tudo isso a custo de quê? As imagens atuais dizem tudo. Será que esta mata atlântica já não está fazendo falta? É preciso repensar o tal "crescimento infinito".