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domingo, 11 de março de 2012

Um exemplo de cidadania em Curitiba:cidadão acorrenta-se em árvore

Henry Milléo/ Gazeta do Povo /
Foto: site Gazeta do Povo - 06/03/2012

Acompanhamos durante esta semana o protesto solitário do empresário Carlos Eduardo Andersen, que acorrentou-se a uma antiga árvore da espécie paineira, aqui na cidade de Curitiba, tentando impedir o seu corte criminoso e injustificado, pela prefeitura da cidade. Muitos dirão que este é um protesto "inútil", pois ao mesmo tempo que milhões de árvores são mortas na Floresta Amazônica, por exemplo, pra quê tentar salvar um mero exemplar urbano. Acho válido todo tipo de luta pela preservação ambiental e tenho consciência de que a situação da Amazônia é seríssima e precisa ser abraçada por todos nós. Mas digo, também, que este protesto urbano e solitário é extremamente necessário e parabenizo o cidadão por seu exemplo. É necessário porque esta árvore simboliza sim outras milhões de árvores urbanas que estão desaparecendo silenciosamente em todo o Brasil, não só em Curitiba. A impressão que dá é que elas, infelizmente, "saíram de moda", como eu bem ressaltei em outro artigo publicado neste blog. As pessoas não se preocupam em preservar as árvores de suas calçadas e casas. Quando constroem ou reformam uma casa tratam logo de retirar todo o verde existente ali, nesta aparente "moda" vigente, que dita uma arquitetura "limpa" (sic), geralmente utilizada por pessoas que parecem querer ostentar, ao mesmo tempo, baixo nível de cultura e alto nível de renda em suas edificações, com estilos pra lá de discutíveis. As construtoras não deixam exemplares remanescentes ao construir prédios ou condomínios. O máximo que plantam são palmeiras secas importadas, que sombra nenhuma fazem diante deste calor infernal que vivenciamos.

A prefeitura de Curitiba, que se vangloria de administrar uma "capital ecológica", parece ter decretado sentença de morte às árvores que antes faziam desta cidade um local mais agradável e civilizado que outros do Brasil. Silenciosamente (ou não) as motosserras da administração pública colocam abaixo antigas e belas árvores, como a da foto, motivo do protesto do Carlos Eduardo. Árvores que testemunharam o crescimento da cidades, estavam nos locais antes da grande expansão urbana. Os moradores vêm com argumentos injustificáveis, como o da vizinha à arvore motivo de protesto, que afirma que seu portão não fecha direito devido às raízes. Ora, se a cidadã fará uma reforma no portão de qualquer jeito, que adapte-o às raízes da árvore, pois esta estava ali muito antes da moradora construir a casa! Outros reclamam das folhas e flores (que tanto ornamentam as ruas e nos protegem do calor e das chuvas) que caem no chão. Mas reclamar da quantidade de garrafas plásticas, papéis, latas, cigarros, etc. que os humanos jogam no chão, aí ninguém reclama. Isso sim é lixo, que entope bueiros e galerias pluviais, não as folhas, as quais fertilizam a terra, alimentam pássaros, etc. São verdadeiras bênçãos de Deus as folhas e flores das árvores! E os mesmos que reclamam delas são, muitas vezes, os porcos que sujam as ruas com lixo humano, químico e perigoso. Talvez prefiram viver em um deserto cheio de lixo ao invés de um lindo bosque florido.

Estas são as contradições de uma humanidade que cada vez mais se afasta da natureza e nem se dá conta que o desconforto provocado por chuvas mais fortes do que o normal, calor e seca prolongados e outros fenômenos são consequência direta da ampla destruição ambiental que os próprios humanos vêm causando!

Voltando à prefeitura de Curitiba, vê-se uma quantidade imensa de aprovação de obras que destroem as árvores nativas existentes nos terrenos. Até araucárias (árvore símbolo de Curitiba e do Paraná, protegida por Lei) estão sendo cortadas injustificadamente. Laudos claramente contraditórios, que afirmam que as árvores estão "doentes" (quando visivelmente não estão - elas apenas estão no local onde os proprietários querem construir, ocupando todo o terreno) são expedidos pela municipalidade para a instalação de grandes concessionárias de veículos, como foi o caso de uma na rua Mateus Leme (leiam a reportagem completa clicando aqui). E outras grandes lojas de veículos que mantinham araucárias anteriores a elas estão matando-as e depois derrubando criminosamente, como visto em uma unidade na Av. Pres. Kennedy e outra na Mario Tourinho. Quem teve a oportunidade de ver as araucárias vistosas definhando aos poucos em meio aos carros sabe do que eu estou falando. Isso fora diversos prédios em construção que derrubam-as amparados nestes "laudos", sem preservar nada. A lista é imensa e não cabe neste espaço.

A verdade é que estes agentes da destruição em nome do "desenvolvimento" acham que ninguém está vendo. Mas algumas poucas pessoas como eu ou o cidadão da foto acima vêem sim. Percebemos que há algo anormal, que antes não era assim, pois a cidade cuidava melhor de suas árvores. É só observar os edifícios construídos nas décadas de 70, 80, até 90. Preservava-se as árvores de grande porte em jardins ou áreas comuns. Parece que naquela "época áurea" da Curitiba ecológica (quando as inovações que fizeram a cidade ficar famosa mundialmente foram implementadas), havia um cuidado com a preservação do verde. Hoje está vigente um "liberou geral" discreto, mas que aumenta a cada dia. E ninguém fala nada.

As poucas árvores plantadas pela prefeitura nas ruas não possuem a mínima proteção (sem cercas e com tutores muito frágeis) e são frequentemente destruídas por vândalos. Porque isso aumenta também muito na "capital civilizada". Hoje não sobra quase nenhum orelhão, nenhuma árvore recém plantada, sem depredações. Isso sem falar de outros atentados ao patrimônio público e privado. Consequências do grande crescimento das últimas décadas? Pode ser. Mas o que se vê é a falta de educação generalizada dos brasileiros, em conluio com o poder público conivente. Falta de educação ambiental, falta de educação e cidadania em geral. Ao mesmo tempo a propaganda oficial diz que o país está crescendo (até mais que os países desenvolvidos), mas só crescemos quantitativamente. A qualidade de nosso povo, reflexo da falta de educação que o governo deveria ajudar a provê, não cresce nada. Este povo que decepa as árvores em frente a suas casas e depois reclama do calor. Este povo que não usa transporte público ou não sai a pé em pequenas distâncias e depois vêm reclamar do trânsito. Este povo que reclama do rio que transborda e inunda suas casas, mas joga todo tipo de lixo ali. Como mudar essa triste realidade??

Por isso os poucos que protestam e tentam chamar a atenção da população e das autoridades precisam ser valorizados. Como o cidadão citado no início deste artigo. Que tenhamos mais "carlos eduardos" pelas nossas cidades!!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Um apelo aos arquitetos e afins (sobre as árvores)

Em grande parte das postagens deste blog, foram tratadas questões ambientais de ordem nacional e até mundial. Claro que nunca devemos nos esquecer da emergência em que o Planeta se encontra, a qual se deve, sem dúvida, à magnitude dos problemas. Da mesma forma, é óbvio que os grandes problemas resultam de uma série de pequenos impactos, em escala local, em todas as atividades humanas. Portanto o "agir localmente, pensar globalmente" nunca esteve tão em voga como nestes tempos de sustentabilidade. 

Eu poderia debater aqui neste tópico - como já fiz em outros - aspectos da arquitetura sustentável. Sabe-se que este ainda não é, digamos assim, um "tipo" de arquitetura propriamente dito e sequer bem definido. Está em formação, até o momento não passa de um apanhado de sistemas construtivos e formas de projetar os quais, sendo mais ou menos utilizados, transformam uma construção em sustentável (ou não).

Na verdade a questão que eu quero tratar aqui, mais como um desabafo, é da ausência e até da eliminação das árvores na maior parte dos projetos arquitetônicos desenvolvidos (e executados) hoje em dia no Brasil. Ressalva-se que não quero aqui criticar o trabalho dos colegas, longe disso. Sei que muitas vezes este desprezo quase generalizado pela arborização decorre de falta de visão ou de costume e até influência de clientes mal orientados.  Sei que há exceções e parabenizo os profissionais e clientes que valorizam a arborização.

 Também não quero afirmar que o plantio e a preservação das árvores, por si só, definam uma arquitetura sustentável. A sustentabilidade é um conjunto de fatores. Nem quero comprovar cientificamente que o plantio de árvores em nossas cidades vá diminuir o aquecimento global. Sei que encontrarei diversos opositores neste quesito, os quais afirmam que as árvores não mudam em nada nosso clima global. Podem até não amenizar as mudanças climáticas a nível mundial (embora EU acredite que elas ajudem sim), mas é no microclima das cidades que seu papel é mais fortemente percebido. Querem um exemplo prático? As tempestades de verão quando atingem a grande São Paulo (o que não é incomum) são muito mais violentas, causando problemas ainda maiores, nas regiões menos arborizadas da metrópole, como é o caso da Zona Leste. Além de ser a área mais povoada, é a mais extensa e tamanha extensão é, em sua maioria, concretada e asfaltada. O que ocorre é que a maior concentração de calor causada por esta imensa faixa de concreto aumenta a intensidade das tempestades sobre este local. Ao mesmo tempo, a ausência de árvores faz com que a água chegue mais rapidamente ao solo. E este solo, por ser totalmente impermeabilizado, não dá vazão à tromba d´água. Isso leva a enchentes catastróficas, com perdas humanas e materiais significativas. Ninguém fez o cálculo ainda, mas é imenso o prejuízo pago (financeiro e emocional) pela população que não planta árvores! Está aí uma das provas (práticas) do quanto as árvores são importantes para nossas cidades, para nosso povo.

 Eu comentei acima um problema de magnitude relativamente grande, que envolve grandes áreas da maior metrópole brasileira. Mas e no nível micro? São inúmeras as vantagens das árvores no dia a dia das pessoas. Elas aumentam a nossa qualidade de vida, proporcionando uma paisagem mais aprazível, agradável aos olhos e a todos os sentidos de um modo geral, visto o microclima do local onde as casas estão localizadas ser muito mais equilibrado, agradável. É só experimentar caminhar, neste verão tropical brasileiro, por uma rua sem árvores e por outra com. A diferença é sensível. Num horário em que estejamos a 30 graus de temperatura ambiente, sob as árvores o alívio chega a até 10 graus a menos, permitindo elas que caminhemos a agradáveis 20 graus célsius! Por aí vemos a falta de caridade consigo mesmo e também com as outras pessoas quando um morador corta a árvore em frente a sua residência: está ele ao mesmo tempo se privando de um clima melhor e ainda por cima condenando todos os pedestres que ali passam a um calor insuportável! O pior é que esta é uma atitude cada vez mais comuns de norte a sul do Brasil. Atitude execrável, que deveria ser severamente punida pelas prefeituras. Mas estas são coniventes, em sua maioria.

 Continuando com as vantagens das árvores para a população em geral, já foi falado da diminuição da velocidade das águas que chegam ao solo nas tempestades. Podemos também citar a regulação, além da temperatura, da umidade relativa do ar, fator importantíssimos nestes tempos de mudanças climáticas em que, além das tempestades fortíssimas, temos tido períodos prolongados de seca inclusive no verão. Não se pode esquecer também da purificação do ar, da beleza das flores, da atração dos pássaros, da barreira contra ventos que elas formam, da fertilização da terra.. enfim, são inúmeros benefícios que elas nos trazem.

Alguns alegam os perigos de quedas de galhos sobre a rede elétrica e sobre veículos estacionados. Realmente isto ocorre, porém o plantio de espécies adequadas, com galhos fortes e feita a manutenção periódica (podas técnicas, corretamente supervisionadas), bem como as inspeções dos técnicos da prefeitura, estes transtornos são evitados. Vale dizer que já passou da hora de nossas cidades terem fiação elétrica enterrada. Ela é muito mais segura tanto do ponto de vista da arborização quanto de outros riscos que os fios expostos causam. E a beleza de não termos aquele emaranhado de fios poluindo visualmente as ruas é incalculável. Além de tudo, deixam as árvores em paz. Existem países mais pobres que o Brasil que já adotaram esta solução para a distribuição de energia, telefonia, etc. Por que aqui ainda não?

Por todos estes diversos fatores é que me entristece cada vez mais os arquitetos, engenheiros e construtoras da atualidade não contemplarem a arborização em seus projetos. Em cada imóvel que é reformado a primeira coisa que se faz é, de forma deliberada e ignorante, cortar todas as árvores. E no caso de construções novas, então.. se no terreno existem árvores, elas raramente são poupadas. Após finalizada a nova casa (ou edifício), não se planta nada além de arbustos baixos (em muitos deles corremos o risco de tropeçar, de tão baixos) ou palmeiras importadas da Indonésia ou outra localidade asiática (sendo que o Brasil é um dos países mais diversos neste tipo de planta). Vale aqui abrir um parênteses: eu não sou contra as palmeiras, definitivamente. Elas até estão em extinção em nossa mata atlântica, devido à extração criminosa do palmito. Mas as palmeiras devem ser plantadas em um contexto, em conjunto com outras árvores nativas do Brasil. Não apenas palmeiras isoladas, como é bastante comum. Nos novos empreendimentos imobiliários parece haver uma "ditadura das palmeiras". Elas sozinhas não proporcionam quase nenhuma sombra e os pássaros não conseguem viver nelas. É necessário resgatar a biodiversidade inclusive em nossos jardins e calçadas, combinando diversas espécies de árvores, arbustos, etc.

Não se sabe se essa tal "moda" de jardins desprovidos de árvores e erroneamente chamados de "limpos" (e horríveis, diga-se de passagem) é passageira. Espero que seja, porque estão enfeiando por demais nossas ruas, avenidas, estradas. Vale dizer que nos bairros das cidades norte-americanas as árvores são regra, e não exceção. Ao abrir-se novos loteamentos uma das primeiras providências, junto com a pavimentação, é o plantio de árvores. Assim deveria ser aqui no Brasil. E as leis para sua preservação deveriam ser mais rígidas, bem como os incentivos à preservação das existentes (como isenção de IPTU, por exemplo) tinham que ser amplamente divulgadas e utilizadas. Inclusive deveriam propor nas câmaras leis para preservação dos "meios de quadra". São redutos do verde, amplamente arborizados, resquícios dos quintais de antigamente, que muitas vezes estão presentes em áreas densamente povoadas. Os construtoras simplesmente ignoram isto, construindo em toda a superfície possível, eliminando esta biodiversidade tão importante em nossas cidades. Conseguimos construir muito (até aumentando o potencial construtivo), preservando o verde.

 Não é somente nos parques que o verde precisa estar presente. Temos sim carência de parques em nossas cidades e eles são importantíssimos como áreas de lazer e convívio. Basta ver como ficam cheios de famílias aos domingos! Então por que ao invés dos parques estarem na cidade, a cidade não passa a estar dentro do parque? Pensem nisso arquitetos e construtores, antes de projetarem relegando o verde ao segundo plano. Vamos colocar as árvores como prioridade. Vamos lançar a moda dos "jardins biodiversos"! Comentem e divulguem essa ideia. Formemos uma corrente em prol de mais árvores em nossas casas,  edifícios, condomínios, empresas, indústrias, ruas, avenidas, estradas, etc.

sábado, 17 de janeiro de 2009

ANIVERSÁRIO DE UM ANO DESTE BLOG!

Quase passou despercebido a mim mesmo que neste último 15 de janeiro este pequeno blog fez um ano de vida! É uma história que engatinha ainda, com apenas 23 postagens (média de menos de duas por mês), que eu gostaria de intensificar, mas pergunto aos meus "leitores" (que não devem passar de 10 ainda, eh eh eh!) : há o que comemorar em termos de preservação do meio-ambiente?

Eu gostaria de escrever mais, mas fora a falta de tempo, o desânimo com tudo o que vemos Brasil e mundo afora às vezes nos contamina. Não deveríamos (e NÃO DEVEMOS) nunca desanimar, principalmente nesta luta inglória que travamos, pois a ordem mundial, natural do ser humano, sempre foi destruir, destruir e destruir; tendo a natureza como inimiga e não como parte da vida das pessoas. Mas a esperança nunca deve morrer e vamos seguindo!
Fora estes fatores de motivação (ou falta dela), também não conheço muito bem mecanismos que possam tornar nossos blogs mais conhecidos (pois gostaria muito que as idéias preservacionistas se expandissem cada vez mais). Inclusive os amigos blogueiros podem me ajudar com dicas de divulgação, eu ficarei muito agradecido!!!

Voltando ao "aniversário do blog", infelizmente comemoramos este um ano presenciando cenas tão parecidas (ou até piores) que o crime que presenciei há exato um ano atrás e que até motivou a criação deste canal virtual de comunicação: os assassinatos de araucárias em Curitiba continuam. Isto para não mencionar outras árvores, mas enfatizando a "árvore símbolo da cidade" (que parece mais um símbolo irônico, por estar desaparecendo), neste mesmo 15 de janeiro (desta vez de 2009) presenciei, em uma esquina do montanhoso bairro Pilarzinho, um pequeno condomínio destes horríveis "sobrados" todos iguais que constróe-se aos montes por aqui, em que os nobres moradores simplesmente assassinaram 3 (três) araucárias que deviam viver ali muito antes deles construírem as aberrações arquitetônicas que habitam, pela dimensão dos troncos das mesmas! Claro que já comuniquei à prefeitura (que não me respondeu - outro motivo de meu desânimo é com a inação dos órgãos públicos - até neste caso de espécimes protegidas por LEI, como é a araucária); mas não sei mais o que fazer.. é questão de educação mesmo. As pessoas consideram as árvores como estorvo e ponto final. Não estão com o mínimo interesse nos benefícios ambientais que trazem a todos e também aos pássaros de toda a região. Fora o fato de todo mundo gostar de pinhão, então por quê não manter as araucárias antigas que podem trazer estes frutos todo ano gratuitamente?

Fico cada vez mais revoltado com os jardins dos novos empreendimentos, ou mesmo os que passam por reforma: são sempre as mesmas espécies, todas minúsculas e importadas da Ásia, do Japão; enfim, tudo menos as plantas brasileiras! E por sua altura reduzida e não-adaptabilidade ao clima, solo e fauna local, são plantas inócuas do ponto de vista ambiental, ou seja, não servem pra nada (nem para embelezar, pois as árvores brasileiras são muito mais bonitas!). Isso no País que tem a maior biodiversidade do planeta! Ou seja, é uma ignorância total, devemos estar caminhando para uma desertificação de nosso território mesmo. Não quero ser catastrofista, mas é so´ verem os exemplos: onde (ainda) têm florestas, estão tratando de cortar e queimar tudo, para plantar soja, criar boi ou mesmo para nada. E nas cidades, as poucas reservas estão desaparecendo, em geral para darem lugar a condomínios ou favelas ridículas. E as pessoas que possuem quintal e poderiam manter ao menos uma árvore para ajudar a cidade como um todo, se possuem a cortam e se não possuem não plantam, só colocam estas plantas baixinhas e ridículas!!!

Isto é um desabafo a vocês, meus amigos, que com certeza compreendem o que falo.
Sem contar que, apesar de existirem ONGs sérias na área de preservação, eu realmente não sei como trabalhar com elas. Bem que já tentei, mas existe um monopólio dos biólogos na área ambiental (sem desmerecer esta profissão, que é importantíssima), por isso raramente darão ouvidos a um profissional formado em arquitetura, como eu, achando que "não sou do ramo". Mas possuo muitas idéias e uma consciência ambiental tão grande quanto a deles. Da mesma forma que os governos, não respondem às minhas denúncias e parece que nem as levam adiante.

Diante de um quadro como este, vemos que nossa natureza está quase que totalmente desprotegida. Todos fazem o que querem, não são punidos, destrói-se cada vez mais, num momento em que vemos com nossos próprios olhos e sentimos na pele as conseqüências do aquecimento global! Está na cara, só não vê quem não quer e quase ninguém ajuda a minimizar isto!

Mesmo assim continuamos. Quero agradecer a todos os leitores e convidá-los a sempre participarem, lendo os artigos, sugerindo temas para discutirmos, divulgando estas idéias... enfim, vamos levar nossa causa adiante, embora exista tanta gente e tantas circunstâncias contra nós!

Um forte abraço a todos, muito obrigado pelo apoio e estejamos sempre juntos nesta caminhada por um Brasil e um mundo melhor !!!

GABRIEL BERTRAN

P.S.: não adotarei (ao menos por enquanto) esta "reforma ortográfica" neste blog! Também sou contra este atentado contra a língua portuguesa. Pra mim nossas IDÉIAS serão mais fortes, tais como a acentuação!

Caros amigos,
Para continuar lendo este e outros textos, gostaria que vocês conhecessem este livro.
Ele possui todos os TEXTOS deste blog REVISADOS E AMPLIADOS , bem como TEXTOS INÉDITOS também!
O livro "REFLEXÕES ECOLÓGICAS EM UM MUNDO INSUSTENTÁVEL" vocês podem adquirir clicando na imagem acima, no site CLUBE DE LEITORES.

Os leitores que quiserem guardar este conteúdo em sua biblioteca ou mesmo dá-lo de presente a amigos, eu ficarei bastante honrado!

A luta do BLOG TREES FOREVER por um mundo mais sustentável e por governos mais sérios e atuantes na área ambiental vocês já conhecem. Esta luta é de todos nós e eu agradeço muito por estes quase dois anos de convivência aqui neste ambiente virtual!

Se possível, por favor ajudem-nos a divulgar este livro, enviando o site abaixo a seus amigos, conhecidos, colegas de trabalho, familiares, etc.:

http://clubedeautores.com.br/book/9850--REFLEXOES_ECOLOGICAS

Um forte abraço a todos e muito obrigado!!

Gabriel Bertran

sábado, 19 de abril de 2008

IDÉIAS 3 : MULTA PARA QUEM NÃO PLANTA ÁRVORE NA CALÇADA,EM LONDRINA

Boa tarde, amigos! Estive um pouco "sumido" por quase um mês, com muitos afazeres particulares, mas estamos de volta aí para comentar diversas notícias que têm nos chamado atenção.
Dentre elas destaco desta abaixo, que embora pequena é de grande relevância : a prefeitura da cidade de Londrina, no interior do Paraná, resolveu "fechar o cerco" àqueles moradores que não preservam as árvores em frente aos seus imóveis. Achei a iniciativa fantástica, pois é muito comum no Brasil as pessoas retirarem as árvores de frente de suas casas e, quando não as possuem, nem se preocupam em plantar novos exemplares. Existe um grande desprezo por estes seres vivos que tanto melhoram a qualidade de vida em nossas cidades. As árvores, de espécimes brasileiros, quando adequadamente plantadas nas calçadas, melhoram (e muito) o clima, absorvendo calor, protegem as cidades dos ventos, abrigam pássaros, fertilizam a terra, purificam o ar, controlam a incidência de chuvas, etc. Mas infelizmente a maior parte dos brasileiros não enxerga estes benefícios. Preferem o concreto, o calor, a aridez... enfim, vamos ler a notícia e depois voltamos com mais comentários:

"GAZETA DO POVO
Sexta-feira, 28/03/2008
PARANÁ | LONDRINA publicado na edição impressa de 28/03/2008

Calçada sem árvore dá multa
por FOLHAPRESS


Londrina – A Secretaria Municipal do Ambiente de Londrina decidiu multar em até R$ 1,4 mil os donos de imóveis no município que não cumprirem determinação do plano diretor da cidade, de que cada imóvel deve ter pelo menos uma árvore na calçada. A fiscalização, que começou pelo centro da cidade, gerou 250 notificações a comerciantes e 38 autuações contra os que não cumpriram a norma. “Nosso interesse não é multar, mas sim que a multa tenha efeito pedagógico’’, disse o secretário Gerson da Silva. Pelo plano diretor, todo imóvel deve ter uma árvore a cada 12 metros de calçada. Segundo Silva, as notificações começaram no fim do ano passado e, apesar de o Código de Postura de Londrina dar prazo de 15 dias para o plantio das árvores, o município tem sido tolerante."

Parabéns à municipalidade de Londrina pela iniciativa! Seria ótimo se outros municípios pelo Brasil afora tomassem iniciativas como esta. Londrina já possui um planejamento inicialmente feito por ingleses, dentro do conceito urbanístico de "cidade jardim". O mesmo conceito foi adotado em alguns bairros de São Paulo, como Jardim América, Jardim Europa, etc. Não é à toa que são regiões valorizadíssimas na capital paulista, devido à sua qualidade de vida. E esta qualidade é trazida pelas... árvores! Elas que permeiam toda a paisagem, como ocorre na maioria das cidades americanas também. Façamos uma ressalva, sobre o fato dos Estados Unidos serem o país que mais polui a atmosfera, realmente. Mas em termos de planejamento de seus subúrbios residenciais, eles estão de parabéns. As árvores simplesmente estão lá, por entre as casas, e lá ficarão, pois a vida é muito melhor entre elas! A impressão que temos nestes bairros é de estarmos no campo, em lugares bastante bucólicos, silenciosos, quando muitas vezes estamos em meio a grandes metrópoles.
Voltando ao Brasil, infelizmente bairros (ou cidades) com este conceito por aqui são exceção. E não deveriam ser privilégio de apenas alguns bairros de classe média e classe alta. Todas as classes sociais deveriam ter direito ao seu porcentual de verde. Mas pela simples falta de cultura, de educação, as pessoas nem mesmo pensam em exigir das autoridades esta qualidade ambiental urbana, pois ela não é percebida pela maior parte da população. Pode-se dar a desculpa de que ainda existem muitas prioridades de que a população brasileira ainda é carente, como hospitais, escolas, redes de esgoto, transportes de boa qualidade, etc. Não podemos negar a falta destes e de muitos outros recursos. Mas vale lembrar que, sem os recursos naturais, nada seríamos e nada seremos. Não há futuro possível sem a preservação e recuperação do meio-ambiente. Portanto todas as ações devem andar juntas. Basta ver o exemplo de São Paulo, onde as maiores incidências de tempestades e inundações no verão são nos bairros com menor área verde por habitante, como os da Zona Leste, por exemplo. A alta concentração de moradias intensamente construídas uma ao lado da outra gerou grandes áreas totalmente impermeabilizadas, facilitando a formação de "bolhas de calor", que geram uma precipitação muito mais violenta das chuvas, castigando estas mesmas áreas com a inundação, porque simplesmente este imenso volume de água não tem para onde escoar! Se houvesse um planejamento prévio de ocupação destas áreas (entremeadas por cursos d´água que foram soterrados ou desviados), com certeza a tragédia não seria tão grande como é. Esta ocupação populacional desordenada e visando apenas o construído hoje torna-se um problema difícil de resolver para as grandes cidades.
O brasileiro ainda parece ter um distanciamento muito grande da natureza. É um característica humana, é claro, que durante séculos desenvolvemos, esta de não nos considerarmos como parte da natureza. Criamos um mundo artificial que nos trouxe muitas vantagens, é claro, mas também muitos equívocos que precisam ser revistos. Esta idéia de que o espaço construído é "bom" e o espaço natural não presta e deve ser destruído é um dos maiores equívocos. É possível (e obrigatório) que ambos convivam em harmonia. Com isso cria-se a "biocidade", em que cada rua forma um corredor verde que a protege, conectando parques e outras áreas verdes que entremeiam os imóveis. Esta seria a cidade ideal, em que se está dentro da urbe, com todos os seus confortos, mas parecendo-se estar em um espaço natural, que pode ser apreciado por todos os lados. Por quê não?
É isso que a lição de Londrina tenta nos passar. Que podemos e devemos conviver bem com as árvores, pois elas melhorarão nossas vidas, trarão mais paz, menos stress.
Infelizmente ainda estamos longe deste ideal.. mas fica a idéia!

sábado, 1 de março de 2008

SOLUÇÕES 1: Plantio de árvores em Itu pode entrar no "Guinness Book"

Ao invés de ficarmos apenas reclamando da destruição da natureza que não pára em nosso país
, vamos utilizar também este espaço para comentarmos soluções viáveis para a preservação e recuperação do meio-ambiente, pois afinal se os órgãos públicos raramente fazem sua parte, a população precisa tomar as rédeas e conscientizar-se de que precisa fazer alguma coisa!

Selecionei esta notícia, que saiu na imprensa nesta semana, por ser um exemplo relevante, ocorrido na cidade de Itu (SP), do que pode ser feito pelas comunidades, em pequena escala, mas podendo ampliar-se por toda parte. Leiam a notícia abaixo, da Folha On Line, e voltaremos a comentá-la:

28/02/2008 - 17h40

Plantio de árvores em Itu pode entrar no "Guinness Book"

MAURÍCIO SIMIONATO
da Agência Folha, em Itu

Milhares de pessoas fizeram um mutirão na quarta-feira (dia 27/02) para plantar, em 45 minutos, 30.550 mudas de árvores nativas da Mata Atlântica em duas áreas predeterminadas em Itu (103 km de SP), em um total de 11 hectares (cerca de 11 campos de futebol).

Com a ação, a prefeitura anunciou ter quebrado o recorde mundial de plantio de mudas de árvores no período --o objetivo era plantar 25 mil mudas em uma hora.

O pedido de oficialização do recorde será encaminhado à sede do "Guinness Book" ("Livro dos Recordes"), na Inglaterra.

Itu quer superar Huntly, na Escócia, que plantou 18.124 árvores em 40 minutos. Cerca de 10 mil voluntários participaram, segundo estimativa da prefeitura --eram esperados 5.000. "


Estão de parabéns os habitantes de Itu, bem como as organizações que promoveram este grande evento! Precisamos espalhar por todos os municípios do País iniciativas como esta. Temos tantas áreas livres que podem ser reflorestadas, diversas cidades que ocupam áreas outrora pertencentes à mata-atlântica hoje em dia apresentam aspectos tão áridos, que parecem situar-se no Oriente Médio, em pleno deserto, dada a falta de consciência da população brasileira! É um grande desperdício de espaço, tantas residências que possuem quintais, jardins e até calçadas espaçosas, onde não se planta nenhuma árvore, pelo contrário, elas são sumariamente destruídas muitas vezes.. Isso é triste, no país com maior biodiversidade do planeta as pessoas deveriam valorizar mais nossa flora nativa e, efetivamente, plantá-la! As árvores trazem muitas vantagens às cidades, embelezando-as com folhas e flores, trazendo pássaros, dando conforto ambiental aos moradores e pedestres com suas sombras, melhorando o clima em geral, protegendo as casas contra os ventos, etc.

Isso sem contar os parques, cada vez mais necessários como "ilhas" em meio ao concreto. Então por quê ao invés da cidade apenas possuir parques, os parques não poderiam "possuir as cidades"? Ou seja, a natureza precisa estar presente por toda parte, formando corredores ecológicos que se integram. Assim os parques ficam conectados uns aos outros por uma rede de "bairros-jardim", solução aliás que traz grande qualidade de vida às cidades americanas e inglesas, por exemplo. Mora-se na cidade como se estivesse no campo! Tudo bem, não podemos esquecer do grande nível de poluição que os "países desenvolvidos" trazem ao planeta. Mas ao menos tecnologia para isso ser revertido existe, e as árvores dão grande contribuição. Portanto temos sim que adotar soluções ambientalmente corretas que deram certo lá fora, e o passo inicial para isso é mudando nossa consciência!

O exemplo de Itu é um ótimo começo. Vamos levá-lo adiante em nossas cidades também, e competirmos por quem planta mais árvores! Esta é uma competição em que todos ganham!