quarta-feira, 1 de outubro de 2008

EU NÃO FALEI ??? SEM-TERRA SÃO GRANDES DESMATADORES SIM!

No dia 16 de Março deste ano eu havia escrito, aqui neste mesmo espaço, sobre o fato dos sem-terra serem grandes desmatadores, já responsáveis por mais de 15% do desaparecimento da (não sei até quando) maior floresta tropical do mundo, a Floresta Amazônica.

Pois bem, observem o que dizem as manchetes que estão nos jornais e televisões desde ontem (30 de Novembro): simplesmente os seis primeiros lugares entre os grandes desmatadores são de assentamentos do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). São números incontestáveis, que nem perderei tempo em citá-los (leia aqui, na íntegra, uma excelente matéria do jornal O Estado de São Paulo). Tais números estão até causando cada vez mais sustos no novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Agora, sem dúvida, ...

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Gabriel Bertran

sábado, 30 de agosto de 2008

ESCRAVIDÃO E DESMATAMENTO EM TERRAS DA PETROBRÁS

Nesta sexta-feira (29 de agosto), houve uma notícia muito pouco divulgada: o Ministério do Trabalho atendeu a uma denúncia de trabalho escravo, inclusive utilizando-se de crianças, em uma área de São Mateus do Sul, região sul do estado do Paraná. Os trabalhadores estavam sendo cruelmente empregados para desmatar uma área de floresta atlântica nativa, inclusive com araucárias. Agora o pior de tudo: as terras pertencem à PETROBRÁS. Sim, a mesma gigantesca empresa semi-estatal, orgulho brasileiro, que tanto apregoa na mídia que "tudo o que faz é com responsabilidade social e ambiental". Segundo as reportagens (links abaixo), as áreas estavam sendo desmatadas pelos antigos proprietários, porque a Petrobrás iria explorar xisto nelas. É muito estranha esta preocupação "ambiental e social" da Petrobrás. Será que nem sequer se deram ao trabalho de fiscalizar se as áreas, devido à sua vegetação nativa, poderiam ou não ser desmatadas? Pior ainda, nem se deram conta de que os trabalhadores empregados neste crime também eram vítimas de um outro crime, o de escravidão, dadas as condições de trabalho, sem nenhuma segurança, e moradia, sem nenhuma higiene, em que eles se encontravam?

Funcionários da Petrobrás encontrados no local não quiseram se pronunciar. E, é claro, este será mais um caso abafado nos atuais tempos "deççe paíz", em que tudo o que for feito em nome deste pseudo-crescimento, deste pseudo-desenvolvimento, do qual o (des)governo tanto faz propaganda, é justificável. Nunca se destruiu tanto as nossas florestas como agora, principalmente a Amazônia, só que na propaganda oficial tudo vai bem, o novo ministro com suas bravatas parece "botar ordem no galinheiro", enquanto vê-se pessoas morando em um galinheiro, como vocês podem conferir nesta reportagem abaixo. Inclusive ela foi exibida na Rede Globo no horário das 6h:30 da manhã, quando poucas pessoas ligam a televisão. Nos jornais em horário nobre está tudo sempre às mil maravilhas, com inflação em queda, brasileiros comprando cada vez mais, classe média crescendo, etc, do jeitinho que o (des)governo manda a imprensa noticiar. Tudo em nome da propaganda oficial, paga com a publicidade destas semi-estatais, que implantam um "Capitalismo de Estado" aos poucos em nosso país, com quadros funcionais inchados de petralhas indicados. E ai de quem falar mal "delles".


Esta é a revolução que o petismo nos trás. E dentro dela tudo é possível. Até explorar os menos de 1% de florestas de araucárias existentes no Paraná, se for feito pela estatal, não tem problema. Os fins justificam os meios. E olha que o "pré-sal" ainda nem chegou, imagine o que será feito em nome daquilo!

Aí vão as reportagens que tratam deste triplo crime:

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=802927&tit=Flagrante-de-escravidao-em-area-da-Petrobras

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM874887-7823-FISCAIS+DO+TRABALHO+LOCALIZARAM+CASOS+DE+ESCRAVIDAO+NO+PARANA,00.html

terça-feira, 22 de julho de 2008

INVERNO INFERNAL: NINGUÉM PERCEBE??

Engraçado que, nos tempos atuais, ainda ouço muita gente que não acredita nas mudanças climáticas globais, acham que é catastrofismo da imprensa e, o pior de tudo, que elas não têm nada a ver com isso.

Pode até haver algum catastrofismo e pode até parecer que o problema está longe de nós, pois os tornados só acontecem nos Estados Unidos (alguém esqueceu o que passou por Santa Catarina há poucos anos atrás?) e que tsunamis só atingem a Ásia.

Tudo bem, se não ocorrerem tragédias desta magnitude no Brasil, melhor, ninguém está torcendo por isso.

Mas será que ninguém percebeu que, em pleno mês de julho, considerado o "pico" do inverno, estamos tendo, diariamente, temperaturas entre 27ºC e até 29ºC, com muito sol, em plena Curitiba, considerada a "capital mais fria do Brasil"? Alguns descrentes dizem que é o "veranico de julho", mas já estamos há mais de 30 dias estamos com o tal "veranico" sobre nossas cabeças (e também com o ar extremamente seco). Fora que tivemos o "veranico de maio", depois o "veranico de junho", fazendo com que as temperaturas frias tenham virado exceção, restritas a não mais que uns 6 dias de "frio intenso" durante o mês de junho!

E o fantasma da "Curitiba fria" ainda ronda a população, principalmente os mais velhos, lembrando-se dos tempos em que a cidade ficava mais de 4 meses envolta em nuvens, com manhãs cobertas por gelo, algumas vezes até por neve. Isso faz com que a população continue acreditando que a capital paranaense é uma cidade fria, mas não é mais, definitivamente.

Não é para refletirmos sobre o que está acontecendo? O que era natural deixou de ser. Até mesmo enchentes no Nordeste brasileiro ocorreram este ano e agora o frio atacou o sertão (enquanto abandonou o Sul!). E alguns ainda dirão que nada de mais está acontecendo?

Tudo bem, tem o tal do "La Niña" soprando por aí, mas não duvido que esta corrente não seja uma das conseqüências mais visíveis do aquecimento global.

Enquanto isso, não muito longe de Curitiba (há cerca de 200 Km), a Força Verde da Polícia Militar do Paraná descobriu um corte ilegal de não menos que umas 11 mil araucárias no mês passado (depois não se falou mais nisso, se houve punição, etc.)! Eu pergunto, será que ainda existem 11 mil araucárias? Se a população atual da ex-árvore símbolo do Estado (que foi trocada pelo norte-americano pinus) hoje não passa de 1% da cobertura original, como ainda tem gente destruindo os últimos exemplares? Será que ninguém percebeu esta mudança de clima? Será que os fazendeiros ainda acham que a natureza é infinita?? Bem, poderia ser próxima de infinita se houvesse uma conscientização, um plano de manejo, e assim teríamos araucárias para sempre, parte para corte, parte para preservação. Mas optou-se por dizimar tudo. As boas matrizes se foram. O material genético atual, mesmo se for utilizado para recuperação da espécie (e DEVE!), já é bastante pobre.

É uma tragédia o que aconteceu no Paraná. E a natureza está dando a resposta, com meses de seca a fio. Mas ainda tem gente que não acredita. E acha que aqui é a "terra das araucárias". Só se forem as virtuais. Talvez existam mais araucárias pintadas em quadros do que na terra, propriamente dita...
É uma tristeza sem fim...

quinta-feira, 5 de junho de 2008

DIA MUNDIAL DO MEIO-AMBIENTE:HÁ O QUE COMEMORAR?

Alguns poderiam dizer que este blog está pessimista demais. Mas, com as notícias que temos tido nas semanas (e principalmente nos dias) que antecederam este "Dia Mundial do Meio-Ambiente"
eu pergunto a todos: há o que comemorar?

Comemora-se sim os recordes de desmatamento na Amazônia, como "nunca antes neççe paíz" (no linguajar chulo de nosso des-presidente). Afrouxam-se leis que prometiam cortar créditos dos produtores rurais que desmatam o bioma amazônico. O novo "ministro-performer" do meio-ambiente anuncia que irá capturar os milhões de bois que invadem a Floresta Amazônica (e contra os donos destes bois, nada se fará?). Isso sem contar que, nas semanas anteriores, a demissão da ministra Marina Silva mostrou que o (des)governo lulla em nada se preocupa com o meio-ambiente e quer é eliminar os poucos que se preocupam dentro de seus quadros funcionais. Tudo em nome de um "nacional-desenvolvimentismo" populista, bem aos moldes dos governos militares dos anos 70, priorizando obras que rasgarão a floresta de forma irrecuperável e em nada beneficiará suas população. E, para completar, o (des)governo elege ONGs e empresários estrangeiros pela destruição da floresta! Não, nós não precisamos de estrangeiros para destruí-la: os brasileiros já fazem isso há décadas, e fazem muito bem, diga-se de passagem. Já são quase 20% do total da floresta desmatada (e com 30% os cientistas afirmam que ela não se sustentará mais climatica e biologicamente: iniciar-se-á o processo de savanização, mas isto é assunto para outro dia). E o lulla ainda vem dizer que a "Amazônia é nossa". É nossa enquanto existir. E neste ritmo, muito em breve não teremos o que chamar de "Amazônia". Mas aí, sabe-se lá se ainda teremos clima e água para sobreviver..

Resumindo, tudo vai na contra mão de como deveria ser. Na contra mão da urgente necessidade de se preservar e, principalmente, valorizar a floresta em pé, como um bem indispensável para a sobrevivência da humanidade. Justamente quando vemos as conseqüências do aquecimento global aumentarem, escancaradamente, o Brasil não faz sua parte!

Não interessa que os ditos "países desenvolvidos" terem poluído o planeta por mais de 100 anos. Nós temos uma rara chance de dar o exemplo ao planeta. Porque o globo ficou pequeno para tanta gente, para tanto asfalto, tanto fogo, tantos veículos. O que resta, nem é garantido que vá manter o clima do planeta. Mas é o que temos. Há que se ampliar as áreas florestais sim, diminuir as emissões, frear as queimadas (75% dos gases emitidos no Brasil provém de queimadas florestais) e ainda assim será pouco, mas precisa ser feito!

Só que, em pleno Dia Mundial do Meio Ambiente, o que vemos é que o brasileiro trava uma guerra cega contra a natureza, desde os grandes centros poluídos até as mais remotas regiões Amazônicas. E o governo acompanha, não educa, não pune, não vigia, é conivente e ainda incentiva as obras destrutivas! Mal pode-se perceber que nós, seres humanos, fazemos parte da natureza... É bom que percebamos isto logo, antes que seja tarde, antes que não haja mais natureza, e conseqüentemente, mais humanidade...

Este foi um desabafo, mas como ainda deve haver esperança, FELIZ DIA DO MEIO-AMBIENTE A TODOS e... PRESERVEM SEMPRE A NATUREZA!

domingo, 1 de junho de 2008

CENSURA E RETROCESSO AMBIENTAL

Ao que parece, a ânsia deste (des)governo atual em desmoralizar e praticamente anular quaisquer políticas favoráveis ao meio-ambiente "nesse país" não tem limites. Com os (vários) exemplos ocorridos nesta última semana de maio, podemos ilustrar este triste quadro. E as florestas brasileiras que se protejam, pois a depender de quem deveria protegê-las...

CENSURA AO INPE
Primeiro vimos, no jornal O Estado de São Paulo, a notícia de que,
para evitar mais polêmica, a direção do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) adiou a divulgação de sua análise sobre desmatamento na Amazônia no mês de abril, que estava marcada para dia 26/05. Pretende debater os resultados com o novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que toma posse hoje. A intenção é divulgar os resultados 'dentro de um contexto técnico-científico' e não em um 'momento político'. Por aí vemos o intuito de censura por trás deste (des)governo. Uma respeitada instituição como o INPE agora tem seu trabalho tolhido e, além de tudo, é impedida de divulgar dados de suma importância para a população não só brasileira, mas mundial! A atitude do (des)governo neste sentido assemelha-se a "destruir o termômetro que mostra o quanto o paciente está febril". Obviamente de nada adiantará ocultar os números (que só aumentam) do desmatamento de nossas florestas. Mas sabe-se que o presidente lulla tem medo da verdade. Isso foi bastante notório neste recente episódio da demissão da Ministra do Meio-Ambiente, Marina Silva, o qual foi fomentado, dentre outros motivos, pela exposição dos números (cada vez maiores) dos desmatamentos da Amazônia.

RECUO EM CORTE DE CRÉDITO
E pelo visto, além das políticas de "ocultação da verdade", empreendidas por lulla e sua corja, após a auto-demissão de Marina, começa agora um programa para a anulação das poucas medidas de preservação ambiental e contenção da devastação que ela conseguiu ao menos dar início (não desmerecendo a capacidade e inteligência da ex-ministra, uma das poucas vozes lúcidas dentre deste desgoverno, mas que infelizmente não pôde fazer quase nada devido justamente à postura populista e pseudo-desenvolvimentista de lulla e sua quadrilha). Agora, por pressão dos ruralistas,
o governo estuda mudanças na portaria 96/2008, do Ministério do Meio Ambiente. A portaria, assinada no dia 27 de março pela então ministra Marina Silva, torna quase impossível a concessão de crédito oficial para todos os municípios do Acre, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima e outros 106 do Maranhão, Mato Grosso e Tocantins que, embora estejam no cerrado, foram incluídos pela ministra no bioma Amazônia. Ou seja, todo aquele estardalhaço feito no início do ano era para "inglês ver", para o (des)governo apenas PARECER que dá respostas rápidas à verdadeira tragédia ambiental que está acontecendo. Assim foi com as operações de apreensão de madeira ilegal: aos poucos foram sendo esvaziadas, à medida que a mídia deixa de dar atenção a elas. É um verdadeiro "fogo de palha". Apenas no momento em que uma verdade aparece, o (des)governo finge movimentar mundos e fundos para combatê-la, e logo após, ameniza as ações, que ficam restritas praticamente àquele espetáculo inicial.

UM MINISTÉRIO DE SEGUNDA CATEGORIA
E assim perece nossa política ambiental, exatamente da forma que assinalou o ex-secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente (na gestão Marina Silva), o biólogo João Paulo Capobianco, em entrevista ao Estado de São Paulo no dia 29 de maio: "A Pasta do meio-ambiente foi tratada como de 2ª categoria no governo Lula". Segundo o ex-secretário, o Planalto queria reduzir o Ministério a um órgão licenciador de obras. Isso fez este ministério ser submetido a um isolamento em relação aos grandes debates nacionais. Isso vai na contra mão das propostas iniciais de "transversalidade", que Marina tanto propagava no início do (des)governo, quando ainda havia a esperança de que ela conseguisse trabalhar. Com o passar do tempo, viu-se queo conceito do "ambientalmente sustentável" não faz parte da visão de conjunto do governo. A prioridade sempre foram as grandes obras, como hidrelétricas, rodovias e ferrovias que rasgam a a Amazônia, bem aos moldes dos governos militares dos anos 60 e 70. O que os governantes atuais não enxergam é que naquela época o conceito de preservação ambiental ainda era incipiente. Hoje está comprovado que as conseqüências da ação devastadora do homem já estão aí, na nossa cara. Mas não adianta explicar isso a "elles", que só pensam no quanto irão faturar com estas obras e nada mais. Não adianta explicá-los que, com um plano de economia de energia como o que FHC executou na época do "apagão", é possível que a população brasileira economize 50% da energia consumida, ou mesmo com a repotencialização das usinas atuais e construção de geradoras de energia renováveis (vento, sol, biomassa, etc.), conseguiríamos mais que duplicar nossa capacidade geradora sem inundar mais nenhuma represa! Isso sem contar outra montanha de absurdos que o governo lulla empreende sem nem considerar nosso meio-ambiente, simplesmente passando por cima de tudo.

Neste contexto, não podemos esperar muito do novo ministro Carlos Minc, "o carnavalesco e carimbador maluco" (aumentou substancialmente a concessão de licensas ambientais no Rio de Janeiro). Não há muito a dizer sobre ele. Mesmo que tenha boas idéias, será que o lulla e a dilma vão deixá-lo trabalhar??

domingo, 11 de maio de 2008

PLANO PARA DESTRUIÇÃO DA AMAZÔNIA

Nesta semana, o (des)governo do PT lançou, como sempre em solenidade bastante pomposa, mais um de seus planos vazios de ação. Intitulado "Plano Amazônia Sustentável", ele vem sendo discutido desde 2003 (ou seja, há cinco anos) e o resultado final - só agora apresentado - não representa nem um décimo do que era esperado quando fora anunciado.

Para começar que, das 24 páginas entregues à imprensa, ONGs e autoridades, 19 delas falam do famigerado PAC ("plano de aceleração do crescimento"). Só aí começa uma grande contradição: o PAC, ao menos na Amazônia, não passa de um grande "Plano para Destruição da Amazônia". Se não, como podemos falar em amazônia sustentável com esses projetos mirabolantes, típico dos governos militares da década de 70, de abertura de estradas e implantação de usinas hidrelétricas gigantescas em meio ao pouco que resta da (por enquanto) maior floresta tropical do mundo?

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Gabriel Bertran

sábado, 26 de abril de 2008

SEXTA-FEIRA MACABRA

Esta sexta-feira (25 de abril de 2008) foi muito triste para nós, ambientalistas. Talvez poucas pessoas tenham percebido as más notícias deste dia, em função de estarem mais atentas à "novela" televisiva da morte da menina Isabela Nardoni (notícia não menos triste, nem menos importante, porém explorada à exaustão por nossa imprensa).

Ao acordar, deparei-me, no jornal O Estado de São paulo, com a seguinte notícia :"Senadores querem fim de operação antidesmate". Uma das poucas ações deste desgoverno federal (que nem sabemos se está sendo empreendida a contento), em resposta ao aumento brutal do desmatamento na Amazônia, mesmo nos meses em que costumeiramente a destruição costumava diminuir devido ao clima (alterado pelo tão conhecido aquecimento global), agora é alvo de tentativa de diminuição, senão anulação da mesma. Isso devido ao simples desejo de poder dos senadores, financiados pelos desmatadores, como pode-se constatar no trecho da reportagem : "Pressionados de um lado pelo lobby dos madeireiros, que movimentam a economia de várias cidades e financiam campanhas eleitorais, e de outro por prefeitos que se queixam do “desastre econômico” produzido pela Arco de Fogo, que paralisou o setor a seis meses da eleição municipal, os senadores cobram do governo federal a fatura dos prejuízos.
Para esses parlamentares, o “grande desmatador” não é o madeireiro que atua irregularmente na região, mas o governo federal, com seus programas de assentamento."

Concordo com o fato que os programas de assentamentos de sem-terra são grandes reponsáveis pela
destruição da Floresta Amazônica. Mas não podemos isentar os madeireiros, verdadeiros bandidos, que assaltam terras que não são suas, arrasando-as em nome de um lucro rápido e insustentável, que só deixa um rastro de miséra por onde passa. O que os senadores dizem à respeito do suposto "desastre" na economia local é uma grande inverdade. Esta economia é passageira, pois ao esgotarem os recursos naturais de determinadas cidades, os madeireiros mudam-se para novas "fronteiras", deixando aquelas cidades onde antes estavam estabelecidos na mais absoluta miséria. Já há várias cidades no Pará que em períodos de menos de 10 anos esgotaram suas florestas e hoje não possuem renda. E isso ocorreu aqui, no Paraná, décadas atrás, com o fim da exploração predatória das matas de araucárias em determinadas cidades do estado. Ou seja, a mentalidade do brasileiro é a de destruir, abandonar e seguir em frente, destruindo as próximas florestas. Mas a seguirem este ritmo, haverá um tempo em que não haverão mais florestas. A cultura da abundância é suicida!

Bem, voltando às notícias "macabras" desta sexta-feira, ao abrir a internet, estava na página principal do site UOL a seguinte manchete: "
Desmatar é remédio para crise da comida, diz governador de MT". Achei isso o cúmulo da "cara de pau", por parte do governador do Mato Grosso, o sr. Blairo Maggi, já conhecido como o maior produtor de soja e também maior desmatador do Brasil. Em tempos que o próprio aquecimento global é causa notória da diminuição de áreas agrícolas, devido simplesmente ao desmatamento e à poluição (no Brasil causada principalmente pela queima das florestas), este infeliz vem dizer que é necessário desmatar ainda mais!!! Ou seja, vem corroborar este modelo predador, mencionado acima, de destruir a terra, abandoná-la e sair em busca de mais florestas a serem destruídas! Mas este ciclo é finito, e estamos chegando ao limite dele. Será que os agricultores do Mato Grosso terão que passar por secas de seus rios (que é um conseqüência natural do desflorestamento) para se tocarem do quão importante são as florestas para suas lavouras??? Se possuem terras férteis e bons regimes de chuva por lá, isso se deve
unicamente à presença da Floresta Amazônica, o que significa que sem ela não terão nenhuma das benesses atuais! É um festival de imbecilidade. Como sempre, vivemos no país das imbecilidades! E não sei onde iremos parar com (des)governantes com estes pensamentos!
O mais incompreensível é que, quando mais precisamos de ações para frear, definitivamente, o desmatamento, pois este chegou a um limite insustentável, os defensores desta política antiquada continuam a postos. Será que não percebem que em pleno mês de abril estamos com temperaturas próximas dos 30º no Sul do País, quando há pouco tempo atrás já tínhamos geadas nesta época? Isso é NORMAL??
Quanto à "crise alimentar", há um grande fator especulativo nela, principalmente por parte dos países mais ricos. O mundo tem alimentos de sobra para sua população, ele só é mal distribuído. E se países como a China não conseguem produzir o suficiente, basta ver o modelo de desenvolvimento a todos custo que eles adotaram : quase todas as reservas de água chinesas estão poluídas e paisagens naturais (florestas, etc.) nem pensar mais na Ásia. Agora vêm destruir tudo o que resta aqui. Será que é isso que queremos?? Nossos políticos podem até querer isso, mas não é o que nossa população precisa, definitivamente. O problema é que esta população, comprada por estes mesmos políticos, não se toca de nossos problemas ambientais. Só querem desenvolvimento a todo custo. Até quando suportaremos isto??