domingo, 21 de junho de 2009

Destruição na Marginal do Tietê


Nesta quinta-feira o site UOL nos presenteou com imagens chocantes, como esta acima, de operários cortando as poucas árvores existentes na Marginal do Tietê, na cidade de São Paulo. (leiam matéria completa no link http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/06/18/ult5772u4375.jhtm ). Alguns dirão que são apenas alguns exemplares, que nem fazem parte de nosso ecossistema (algumas delas são realmente falsas figueiras "importadas"). No entanto as mesmas estavam adaptadas ao local e abrigavam importante biodiversidade, além de reduzirem a temperatura e a pressão das chuvas nesta região ambientalmente crítica da maior metrópole do País.

Mas isto é apenas uma parte de tudo o que está para acontecer ali. Esta imagem acima é apenas um símbolo de um projeto que começa a ser implantado nas vias expressas ao lado do finado rio Tietê, projeto que vai na contra-mão de tudo o que aquela várzea precisaria.
O que será feito ali é o absurdo dos absurdos: a implantação de mais vias para automóveis, justamente nos poucos locais onde ainda existe um pouco de verde ao lado do rio!

Precisamos voltar um pouco na história, para demonstrar que o Tietê, assim como a maior parte dos rios que cortam São Paulo, sempre foi visto e utilizado de maneira incorreta. Historicamente as margens do Tietê sempre foram alagáveis em períodos de chuva. Durante as administrações do prefeito e engenheiro Prestes Maia (primeiro nos anos 40, depois na década de 60), quando foram elaborados os principais planos viários para a cidade de São Paulo, fez-se a retificação do rio Tietê e posteriormente implantou-se o sistema de avenidas denominadas "marginais" ao rio. Claro, não pode-se questionar a importância da adequação viária em uma cidade que não pára de crescer, como é o caso de São Paulo. Mas ali ao lado do rio (como em muitos outros rios da cidade) cometeu-se três erros: a retificação, que aumenta a velocidade de escoamento da água; a impermeabilização com o asfaltamento das margens e, finalmente, a perda da vegetação da borda ("mata-ciliar"). Isso sem contar a priorização do transporte individual, que é outro grave problema ambiental que voltaremos a discutir. Bem que, na época, o engenheiro sanitarista Saturnino de Brito (responsável pelo plano urbanístico da cidade de Santos, SP) propôs um projeto em que o curso normal do rio Tietê, com seus meandros, seria mantido, criando-se parques lineares ao longo de suas margens e localizando-se as avenidas longe das margens. Isso protegeria o rio e também os motoristas das constantes enchentes, mantendo-se um pouco do ecossistema original. Mas ele não foi ouvido. E o que se fez foi o pior dos mundos (retificação e asfaltamento), o que causou as tão conhecidas enchentes nos verões paulistanos.

Recentemente, no governo de Geraldo Alckmin (PSDB), acelerou-se o programa de despoluição e desassoreamente do rio Tietê, com resultados visíveis, mas ainda longe do ideal (a população também não colabora, pois continua-se a jogar detritos dentro do rio). Mas, parte do problema das enchentes foi resolvido, através da dragagem destes detritos, aprofundando-se a calha do rio (o mesmo que "chover no molhado", mas dá algum resultado...) e também iniciou-se um amplo reflorestamento das margens do rio e dos canteiros entre as vias, através do plantio de milhares de mudas de árvores nativas do Brasil. Inclusive após cerca de 4 anos, algumas árvores já tomam um porte que dá um outro ar ao outrora esgoto a céu aberto, como é conhecido o rio paulista. Inclusive dentro deste programa foram aumentados os coletores de esgoto, para evitar o despejo in natura no curso d´água (alguns municípios vizinhos, como Guarulhos, não querem colaborar e continuam a despejar os dejetos da população dentro do Tietê).

Pois bem, justamente onde formavam-se lindos bosques, que além de diminuir a temperatura ajudariam na absorção das violentas águas das chuvas de verão, o atual governo, José Serra (também do PSDB) propõe.. asfaltar estes locais, totalmente! Ou seja, tudo o que foi feito de errado no passado agora se repete. Parece que nossos governantes não aprendem com os erros do passado! Qual seria o motivo disto? Simplesmente acabar com o trabalho de seu antecessor (que não deixa de ser adversário dentro do partido), ou seria, mais uma vez, a pressão das grandes empreiteiras, sempre sedentas por obras faraônicas, em troca de financiamentos de campanha? Não estou dizendo que isto seja privilégio deste ou daquele partido. O partido do governo federal (PT) também abre as portas para imensas obras destruidoras ambientais, como as que abrirão estradas e hidrelétricas no pouco que resta da Amazônia.

Mas voltando a São Paulo, outra solução ambientalmente viável e que nunca pensou-se para esta metrópole tão problemática é o investimento em transporte coletivo de qualidade, como os trens de superfície ou mesmo metrôs subterrâneos. A rede está sendo ampliada a passos lentos (enquanto cidades bem menores que São Paulo, como Paris, chegam a ter 400 Km de redes de metrô, a capital paulista mal chega a 60 Km). Por quê não pensou-se em uma solução do tipo para a Marginal Tietê também? Pelo contrário, prioriza-se o transporte individual, ineficiente e poluente. Não adiantará colocar 20 pistas de cada lado do rio (como se coubessem!), pois com o aumento constante da frota, elas nunca absorverão tal trânsito. Alegam que a obra serve para desafogar também o trânsito de passagem, cujos veículos apenas passam por São Paulo (para ir, por exemplo, do Vale do Paraíba para o sul do Brasil, por exemplo) e congestionam as vias Marginais. Só que este problema iria ser resolvido pelo Rodoanel, outra obra em andamento pelo governo paulista. Tudo bem que o trecho norte do Rodoanel ainda nem começou, mas quando o mesmo for concluído, haverá um esvaziamento da Marginal Tietê (ao menos supõe-se). Aí, mais uma vez prova-se que este desmatamento e esta impermeabilização constantes mostram-se inúteis!

É um tremendo equívoco urbanístico, como aliás tantos outros que comete-se no Brasil. Pensa-se no micro, nunca no macro. A região metropolitana deve ser submetida a um planejamento urbano e ambiental muito mais amplo. Não é meia dúzia de faixas de rolagem e novas pontes que vão resolver o trânsito de mais de 6 milhões de veículos. Só servirão para aumentar as enchentes... fala-se em compensação ambiental, mas com tanto asfalto haverá espaço para isto?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Boas e más notícias no Dia do Meio-Ambiente

Pois é, amigos, chegamos a mais um "Dia do Meio-Ambiente" (5 de junho) e novamente eu pergunto: há o que comemorar.

Bem, relembrando, o texto anterior deste blog deu uma pincelada sobre as últimas ações nesta área nos últimos tempos, que foram, em sua maioria, contra o meio-ambiente. Podemos eleger como a "pior de todas" esta medida provisória que praticamente entrega as terras amazônicas a seus desmatadores, aos grileiros, aos bandidos que durante décadas só causaram destruição e miséria à região! Isso só vem provar que o crime compensa no Brasil. Seja este crime praticado por grandes fazendeiros ou pelos "pobres" (SIC) sem-terra. Todos grilam, desmatam, queimam e abandonam. E agora ganham. É lamentável. Nós, ambientalistas, estamos de luto neste dia, como bem colocou o site do Greenpeace. Nem vou me ater muito a esta medida provisória, pois acredito que todos têm lido nos jornais/internet ou assistido muito sobre ela na TV.

Agora, para melhorar um pouco o astral, nem tudo são más notícias nesta semana que se passou. Apesar de que esta boa notícia que citarei agora (muitos já devem saber dela) decorre de um absurdo injustificável que continua ocorrendo no Paraná e em Santa Catarina: o desmatamento da flores ombrófila mista (matas com araucárias), da qual restam menos de 1% preservados, conforme comentamos aqui diversas vezes. Devido a este descalabro ainda continuar, ocorreu nesta semana a prisão de alguns prefeitos, vice-prefeitos, secretários e parlamentares de municípios da região sul do Paraná, em operação conjunta da Polícia Federal com o Ibama e com o Instituto Ambiental do Paraná. Leiam a reportagem completa do jornal Gazeta do Povo clicando ou copiando o link abaixo:

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=892876&tit=Politicos-sao-presos-por-desmate

Por um lado é um avanço alguém ser preso por crime ambiental no Brasil, ainda mais políticos. Por outro, duas coisas desanimam: este crime ainda continuar num estado que está quase todo desmatado; além de ser difícil confiarmos nas leis brasileiras, cheias de brechas que permitirão que estes políticos se livrem da cadeia e até das multas.

Claro que a solução para o problema vai muito além disso. Programas de incentivo governamental aos proprietários de terras que mantiverem suas matas nativas em pé seria uma das soluções. Valorizar os produtos que evitem o corte das araucárias, como os pinhões comestíveis e as folhas (grimpas), com as quais pode-se fazer madeira (chamada PMGP, um tipo de MDF), conforme outra matéria que publiquei aqui no blog (leiam em http://treesforever.blogspot.com/2008/03/idias-2-novos-tipos-de-madeira-ecolgica.html ).

Mas tudo isso para virar realidade em nosso país... um país que desvaloriza tanto sua natureza, por considerá-la infinita... acabará por perdê-la.

Continuamos de luto por esta semana, mas não vamos perder as esperanças nem vamos deixar de combater tamanhos absurdos!

Feliz Dia do Meio-Ambiente a todos!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Todos contra o Meio-Ambiente

Este blog às vezes pode parecer negativo demais, eu reconheço; mas eu pergunto a vocês, amigos, como podemos agir de outra forma diante de tantos absurdos praticados contra o meio-ambiente, principalmente aqui no Brasil?

E o contra-senso é total: em um momento que as tragédias associadas ao Aquecimento Global estão aí, na cara de todos (enchentes ano passado em Santa Catarina e este ano no Nordeste, seca recorde no Sul do país e muitos outros fatores), os governantes, os ruralistas e as televisões parecem associar-se contra a preservação do pouco que resta preservado de nossa natureza. Senão vejamos, resumidamente, algumas ações recentes. Vamos nos concentrar apenas nestes últimos 5 meses ou pouco mais:

- Aprovação do criminoso "código ambiental" em Santa Catarina (deveria se chamar "código de destruição"), o qual permite que as propriedades rurais praticamente não tenham mais mata ciliar (5 metros não é nada), dentre vários outros absurdos;
- A TV Bandeirantes desencadeou campanha deslavada contra as leis ambientais, enganando a população ao dizer que tais leis "travam o desenvolvimento do Brasil";
- Fazem coro junto com este canal de TV o ministro da agricultura Reinhold Stephanes, a ministra da casa civil "mãe do pac" Dilma Roussef, o "ministro americano" Mangabeira Unger e mais uma série de outros funcionários do primeiro escalão do (des)governo, todos contra as leis ambientais e a favor de um "desenvolvimentismo" suicida, típico dos governos militares dos anos 60 e 70;
- O fanfarrão "lulla", o qual se diz presidente, deu voz a esta campanha, com suas blasfêmias de dizer que as obras que "eççe paíz precisa" não vão pra frente por causa do bagre, da perereca, etc., bem como dizer que se existissem leis ambientais nos anos 50, Brasilia não existiria, dentre outras idiotices típicas de quem não estudou e faz discurso sem o menor embasamento;
- Com esse empenho todo, o mesmo presidente decreta lei que permite a destruição de nossas cavernas (o que o país vai ganhar destruindo estes importantes abrigos de biodiversidades quase extintas, bem como de sítios arqueológicos?), autorizando também a "doação" de terras Amazônicas aos mesmos criminosos que destruíram quase 20% da (ainda) maior floresta tropical do mundo (ou seja, ser criminoso neste país realmente continua compensando) e, o pior, aprova leis incentivando a abertura e asfaltamento de estradas nos locais mais remotos e (ainda) preservados da Floresta Amazônica (isto é uma decretação de pena de morte para a floresta);
- Para completar, a bancada ruralista no congresso tenta aprovar lei que dá autonomia a estados e municípios para legislarem da forma que bem entenderem sobre as questões ambientais, o que dá força a absurdos como esta lei catarinense e criará mais uma série de brechas para o desmatamento pelo país afora (como se já não desmatassem sem respeitar nada, imaginem amparados pela lei!).

Eu não estou me lembrando de todos os absurdos dos últimos meses. Sei que, enquanto isso, tenta-se enfraquecer mais um ministro do meio-ambiente, deixando o midiático Carlos Minc ainda mais fraco do que já é em suas ações.

Tem horas que nós, como ambientalistas que somos, perdemos quase todas as esperanças. Foram anos de conquistas de ONGs sérias como SOS Mata Atlântica, Greenpeace, WWF, Ipê, etc., as quais passaram a década de 80 lutando por aprovações de leis que freassem a destruição violenta pela qual a natureza passou nos últimos séculos, e que agora se vêem desmoralizadas por governos e TVs populistas, que de uma hora pra outra resolveram colocar a população contra os ambientalistas, contra a preservação!

O Brasil já é um país cuja população, por natureza, despreza o meio-ambiente. É só ver nas cidades o quanto de árvores são cortadas pelos próprios moradores, sem saber o quanto o verde os beneficia; a imensa impermeabilização das cidades que causa enchentes astronômicas; o descaso com o lixo, que é jogado em ruas, rios e córregos e quase nunca reciclado. Indo para o meio rural, basta ver o desprezo de grande parte dos agricultores pelo "mato", que deve ser cortado e queimado a todo custo. Enfim, práticas que vêm de longe e que mostram que a consciência ambiental tinha que começar na casa, na cabeça de cada um. E o pouco de avanço que podemos ter tido vai por água abaixo com este discurso errôneo de que "preservação ambiental é atraso".

Enquanto isso, num plano macro, não se investe em energias alternativas, como solar e eólica. Só se fomenta inundações dantescas na Floresta Amazônica para construir hidrelétricas (que além de acabarem com a floresta, geram gás metano e levam pobreza e sujeira às regiões próximas); fomenta-se mais usinas termoelétricas, queimando óleo e carvão; investe-se no transporte rodoviário até em áreas preservadas, quando o ferroviário poluiria menos e não impactaria as margens da via; etc.

Como se vê, o movimento ambientalista está sendo sistematicamente atacado e enfraquecido.
...

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Gabriel Bertran


sábado, 4 de abril de 2009

Canal de TV faz campanha contra ambientalismo



Nossos canais de televisão nunca foram totalmente imparciais em suas coberturas jornalísticas. Eu sempre preferi me informar mais pela mídia impressa do que pela televisiva, quase sempre sensacionalista e, muitas vezes, tendenciosa, até pelo nível de cobertura que atingem na população em geral. Esta grande influência da televisão às vezes é até positiva, em alguns casos, mas muitas vezes serve mais à manipulação da grande massa, e temos inúmeros exemplos disso ao longo dos nossos mais de 50 anos de televisão no Brasil.

Destes canais, um dos que eu considerava que tinha um jornalismo um pouco mais independente era a TV Bandeirantes, principalmente frente ao jornalismo "chapa branca" da líder TV Globo (até por esta ser, em geral, sempre aliada dos governos em exercício, sejam eles quaise forem, com raras exceções). Mas o pouco de admiração que eu tinha pela Band está caindo por terra.

Tenho acompanhado neste canal uma crescente campanha contra o ambientalismo no Brasil. Primeiro por matérias tendenciosas em seus jornais, como a que pede mudanças no Código Florestal Brasileiro, para que este seja mais permissivo aos agricultores (como se até hoje não se tivesse desmatado nada - já perdemos quase todos os nossos grandes biomas e agora o Amazônico é a ultima fronteira que está sendo pilhada sistematicamente).

O maior flagrante desta campanha "anti-ambientalista" é a repetição sistemática, durante a programação, de trechos de uma destas reportagens, mostrando produtores rurais mineiros que foram presos por crimes ambientais (talvez um caso isolado, pois raramente prende-se por este tipo de crime no Brasil). Não vou nem discutir a medida tomada pelas autoridades mineiras, talvez houvessem meios menos radicais de punir os agricultores, através de recomposição de matas, educação ambiental, etc. O problema é o tom dramático que a Bandeirantes imprime a esta verdadeira propaganda anti-ambientalista, com orquestração de fundo e dando a entender que somente os produtores rurais teriam razão, não indo a fundo na questão ambiental. E terminam a campanha com o slogan : "Se o código florestal não mudar, o Brasil vai parar".

Complementa-se a campanha com amplas matérias mostrando a precariedade das estradas que cortam o norte do Mato Grosso, atrapalhando o transporte da soja. Bem, para começar, estas estradas nem deveriam estar lá, pois aumentam a pressão sobre a Floresta Amazônica e o estado do Amazonas (o mais preservado por enquanto) será a próxima vítima. Mas isto nem é cogitado. O jornalismo da Bandeirantes parece trabalhar apenas em nome do "desenvolvimentismo", modelo este que já se viu falido, com muitos exemplos na Grande São Paulo e Baixada Santista, por exemplo, regiões que acabaram com seus rios e florestas em nome de um desenvolvimento industrial a qualquer custo, deixando um passivo de terras e águas tão poluídas que talvez nem em 100 anos consigam ser limpas. Hoje as enchentes e a poluição atmosférica são apenas a ponta do iceberg no que resultou este "desenvolvimentimo". Desenvolvimentismo que acabou com as florestas de araucárias no Paraná, em menos de 50 anos de exploração intensiva, alterando sensivelmente o clima, acabando com a biodiversidade e hoje deixando milhares de agricultores sem água, principalmente no oeste do estado. Os mesmos que desmataram são os que reclamam do "clima" hoje. Ninguém conta os serviços ambientais gratuitos que as florestas trazem! E, finalmente, o exemplo mais visível de todos, a tragédia das enchentes e desabamentos em massa em Santa Catarina, causadas pela combinação das mudanças climáticas mundiais com o desmatamento local, que acabou com a capacidade do solo de absorver a água e com as florestas de protegerem as encostas. E ainda por cima vêm os parlamentares catarinenses e aprovam, na semana que passou, uma lei para diminuir as reservas legais! Tudo na contra-mão, e esta lei vai de encontro com o que a TV Bandeirantes prega: diminuir as reservas legais em todo o País! Isso para, supostamente, "beneficiar" o agricultor! Ao contrário do que estes irresponsáveis jornalistas pregam, esta diminuição vai deixar a lavoura com menos água e com terra de pior qualidade. No estado de São Paulo alguns agricultores que recompõe a mata em suas propriedades já colhem os ganhos de produção. Não é preciso plantar em toda a área, mas se deixar eles plantam até dentro dos rios! A solução passaria por educação ambiental, programas de qualificação de propriedades para a agricultura orgânica e ecológico, mas nisso ninguém fala na televisão!

A campanha da Bandeirantes culminou na entrevista do ministro da agricultura, Reinhold Stephanes, no programa Canal Livre do dia 01/03/09. Era notória a tonalidade tendenciosa dos entrevistadores, jornalistas de grande credibilidade como Joelmir Beting, Fernando Mitre e Antonio Teles. Direcionavam as perguntas enfatizando o "absurdo das reservas legais" e a "perseguição aos agricultores", "tornando-os bandidos"; frases proferidas até de forma violenta, para incentivar, ainda mais, o ministro membro das elites agrárias que devastaram o Paraná, a apoiar ainda mais as iniciativas de liberalização do desmatamento! E nos intervalos comerciais (em todos), dá-lhe a mesma reportagem sobre os agricultores mineiros! Lavagem cerebral no telespectador é apelido! Na semana seguinte, no dia 08/03/09, o mesmo programa fez um "mea culpa", chamando o midiático ministro do meio-ambiente, Carlos Minc, mas mesmo assim fazendo alguns "flash-backs" com imagens do ministro da agricultura no programa anterior. O ministro Minc, como sempre saindo pela tangente, conseguiu driblar as perguntas tendenciosas dos entrevistadores, não apresentando (como sempre) soluções definitivas, mas defendendo ao menos a preservação da Amazônia. E o próprio Minc se comprometeu a não endurecer mais o código florestal...

De fato não deveríamos "endurecer" o código, mas simplesmente aplicá-lo, aliado a um bom programa de requalificação de propriedades, até para que os agricultores gerem renda a partir da floresta e ganhem pela preservação. Mas não se fala nisso. Aí é minha opinião, de que nem o governo está certo na aplicação da lei, porque ela está sendo aplicada de forma errada e em muitos casos nem aplicada. E também não estão certos os que combatem esta lei, porque ela está aí é para preservar o pouco que resta de nossa natureza, de forma que nós mesmos, habitantes da nave Terra, sobrevivamos!! Os ambientalistas, em sua maioria, não são sonhadores nem radicais: são apenas realistas e baseiam-se em estudos científicos. O desenvolvimentismo dos anos 60/70 não pode voltar, mas o (des)governo atual tem uma forte tendência para voltar a este modelo, via PAC e outros planos eleitoreiros. O meio-ambiente está em segundo plano. Mas ninguém percebe que ele permeia tudo!

No momento atual temos que tomar cuidado com estas tentativas de retrocesso, como a que presenciamos em Santa Catarina e espalha-se por todo o Brasil. Pode ser nossa última chance de mudarmos para um modelo que a todos beneficia! Mas os que sempre produziram de forma predatória, não querem largar seus costumes, não querem "largar o osso". Mas é questão crucial até para ELES sobreviverem!

Voltando à TV Bandeirantes, não vou nem questionar quem pode estar financiando esta campanha contra o ambientalismo. Não é muito difícil concluir, visto o grupo ter um canal voltado ao meio rural, o "Terra Viva". Mas aí são suposições. De qualquer forma este respeitado grupo de mídia trabalha contra os brasileiros, pois o afrouxamento das leis ambientais condenará todos nós à morte..



Caros amigos,
Gostaria de divulgar a vocês que o conteúdo deste blog foi publicado no livro "REFLEXÕES ECOLÓGICAS EM UM MUNDO INSUSTENTÁVEL", conforme foto acima

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Gabriel Bertran


quarta-feira, 1 de abril de 2009

Aprovada Lei contra a Mata-Atlântica em SC !

É incrível, mesmo depois das tragédias de Novembro do ano passado, os catarinenses não aprenderam: querem continuar desmatando a mata-atlântica e agora os deputados estaduais praticamente oficializaram isso: ontem (31/03/09) foi aprovado o Projeto de Lei nº 238/08, que, dentre diversos absurdos, diminui a área de proteção permanente nas beiras de rios de 30 para 10 metros, libera plantações em topos de morro, dentre diversas outras permissões para crimes ambientais ou para legalizar os crimes já cometidos.

Foi escarrado na cara de todo mundo que a infinidade de deslizamentos e enchentes do ano passado se deveu única e exclusivamente à ocupação ilegal e predatória destas áreas que ERAM protegidas, seja no meio urbano ou rural. O Estado de SC foi o que mais desmatou a Mata-Atlântica (bioma em maior perigo no Brasil) entre 2000 e 2007. Como podem aprovar uma lei destas, ainda com o apoio da maioria dos agricultores do estado, provavelmente cooptados por políticos populistas?

Escrevam o que eu digo: agricultor que desmatar, vai colher mais lama daqui para frente. Esta lei é um verdadeiro "tiro no pé". Depois não adianta pedirem ajuda ao Brasil inteiro se os catarinenses não fazem a "lição de casa". É duro dizer isto, mas é a mais pura verdade!

Ficamos de luto mais uma vez pela Mata-Atlântica.. Protestemos contra a Assembléia Catarinense!!

Quem quiser ler a matéria completa sobre a aprovação deste absurdo leiam em:

http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&local=18&section=Geral&newsID=a2460062.xml

quinta-feira, 26 de março de 2009

Guerra contra as nossas reservas florestais!

Bom dia, amigos! Quero compartilhar com vocês o artigo publicado ontem (25/03/2009) no jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, escrito pelo ambientalista Marcos Sá Correa. É importantíssimo que todos atentem à guerra que está se travando no Brasil contra as reservas ambientais, que já são pouquíssimas, além de muito pouco protegidas. É o tiro de misericórdia na preservação ambiental, dado por políticos e grupos interessados na destruição. O que restará depois? Bem , leiam a matéria abaixo, que reproduzo na íntegra, e voltaremos a comentar depois:

____________________________________________
O Instituto Chico Mendes se perde nas Veredas
Marcos Sá Correa *

Sem freio nem motorista, desembestado na contramão, o Brasil está em campanha para se livrar das leis que protegem as últimas relíquias de sua exuberância natural.
Há um anúncio na TV dizendo que “o País vai parar” se elas não mudarem.Mas a publicidade é o de menos.
Santa Catarina disparou na frente e, concretamente, vota até o fim do mês na Assembleia Legislativa o Projeto 0238,que desfigura o Código Ambiental do Estado a ponto de instituir a licença automática de obras não embargadas e reduzir de 30 para 5 metros a barreira de matas ciliares nos cursos d’água. A desculpa dos políticos é alforriar, com o projeto, cerca de 167 mil pequenos agricultores, espremidos pelas faixas de proteção permanente em propriedades de 50 hectares. Mas,na prática, o novo código atende antes de mais nada “os grandes”, avisa o promotor Luís Eduardo Souto, em artigo no site da Apremavi, uma ONG da serra catarinense. Os“grandes”,Souto esclarece, são 1,9% de latifundiários que dominam 32,52% da área cultivada no Estado. O “agricultor familiar”, que lhes serve de pretexto, já conta com a “autorização legal do código vigente para utilizar economicamente as áreas de preservação permanente, desde que o faça mediante sistema de manejo agroflorestal sustentável”.
Mas isso não faz diferença. Mente-se tanto no Brasil em favor dos pobres que dez projetos federais disputam, em Brasília, a honra de amputar 9,5 milhões de hectares de parques nacionais e outros tipos de reserva. Somados pelo repórter Aldem Bourscheit, dos confins da Amazônia às fronteiras do RS, eles dariam para cobrir um Estado do tamanho de SC. Só o deputado Asdrúbal Bentes quer acabar com 6,5 milhões de ha em florestas nacionais e parques no Pará.
O presidente do Instituto Chico Mendes, Rômulo Mello, alega que os projetos dos parlamentares são fracos, “sem informação técnica detalhada”. Seria plausível caso Mello se dedicasse a desmontá-los. Mas não foi isso que fez, no domingo passado, falando em programa de TV sobre o Parque Nacional Grande Sertão Veredas.
Como encarregado oficial de zelar pelas unidades de conservação do governo federal, ele pôs no ar dúvidas estranhas sobre a legitimidade do processo que resultou no parque, estabelecido num lugar “onde tem gente”. E ainda aproveitou as câmeras para propor a revisão do Código Florestal Brasileiro.
Com defensores como Mello, o Ministério do Meio Ambiente não precisa de opositores. Mello, pelo visto, ignora que o Grande Sertão Veredas surgiu de um processo exemplar. Leva a assinatura de Maria Tereza Pádua, a funcionária pública que,em outros tempos,instituiu quase tantos hectares de áreas protegidas quanto os milhões que as autoridades agora pretendem suprimir. ●
* É jornalista e editor do site
O Eco (www.oeco.com.br)

domingo, 22 de março de 2009

Uma semana triste para o Meio-Ambiente: mais araucárias destruídas


A imagem acima é chocante e vale mais que mil palavras. Foi publicada na segunda-feira (dia 16/03/2009) no jornal Gazeta do Povo. Leiam a reportagem "Paraná desmata o que sobrou da araucária" na íntegra clicando no link abaixo ou copiando-o em seu navegador:

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=867467&tit=Parana-desmata-o-que-sobrou-da-araucaria

Como podemos aceitar acontecer ainda o desmatamento de uma espécie de árvore, no caso a araucária angustifolia, da qual restam menos de 1% de sua cobertura original no Paraná? E o pior de tudo, esta destruição que continua a acontecer têm a complacência de políticos da região sul do Paraná, todos envolvidos com o esquema criminoso de madeira. Ainda por cima, os mesmos políticos utilizam-se de discursos populistas para incentivar a população a continuar a destruição, dizendo que a única fonte de renda de cidades como General Carneiro é a extração criminosa de madeira! Agora eu pergunto: se estes municípios não ficaram ricos até hoje, será que ficarão acabando com os 1% de florestas que deveriam guardar como patrimônio da humanidade??? Sim, porque os serviços ambientais que as florestas nos prestam são incalculáveis. Será que estes políticos esperarão o Rio Iguaçú secar (e já teve ano em que as cataratas desapareceram) por falta das matas ciliares, e ainda colocarão a culpa no clima (como se nenhum destes fatores estivesse interligado)? Por sinal estamos no DIA MUNDIAL DA ÀGUA, há o que comemorar??

Não seria o caso destas pessoas serem denunciadas por crime de lesa-pátria? Elas estão privando as próximas gerações de usufruírem de um meio-ambiente equilibrado, estão privando estas mesmas gerações até de experimentarem o pinhão, fruto desta linda árvore que conheceu os dinossauros e já alimentou milhares de espécies animais e gerações de seres humanos!

O que mostra outra reportagem que postarei abaixo é que toda a força política desta região montanhosa, localizada na divisa com Santa Catarina, trabalha pela destruição. O pensamento é que, se eles sempre destruíram, por quê não continuar destruindo? Eles ainda tem o cinismo de dizer que a cobertura vegetal da região aumentou, com o plantio de pinus! Não tem o menor discernimento de que o pinus, espécie nativa da América do Norte, não traz quase nenhum dos benefícios ambientais que as araucárias nos trazem! O pinus seca o solo e não deixa outras espécies vegetais se desenvolverem, não atrai pássaros nativos do Brasil, não dá frutos comestíveis, como o pinhão, etc. É claro que o pinus é importante se for utilizado para EVITAR o desmatamento de florestas nativas (que além das araucárias, abriga muitas outras espécies igualmente importantes). Agora meramente substituir a rica mata-atlântica brasileira por "desertos verdes" de pinus é um contra-senso. Se houvesse um planejamento há mais de 50 anos atrás, teríamos florestas de araucárias até hoje, com plantio e corte seletivo. Mas a "colonização" do Paraná se deu na forma de terra arrasada: foi-se derrubando e queimando tudo o que se via pela frente como se fosse "mato sem valor" e com isso as boas matrizes das araucárias se foram para sempre. O que existe hoje é uma pequena amostra, da pior qualidade, o que aumenta o perigo de extinção, pois não tem-se mais variabilidade genética. Por isso a necessidade de preservar cada araucária ainda viva. Ela é uma árvore de desenvolvimento lento, por isso estas matas demorarão séculos para se recuperarem, isso se os produtores rurais e os políticos paranaenses as deixarem em paz, o que está difícil de acontecer...

O que deveria ocorrer urgentemente é uma grande mobilização popular contra estes prefeitos. Mas o que parece é que a população é conivente com estes crimes. A população destas pequenas cidades com medo de perderem o emprego (só que quem fica com a maior parte da renda dos crimes são os poderosos políticos e donos de terra da região). Ao mesmo tempo, a população das grandes cidades, como Curitiba, deveria parar de comprar "madeira de pinheiro", como é chamada (e já presenciei vários casos aqui na capital). Se não existir o comprador, não existirá o traficante, assim como ocorrem com as drogas! A impressão que dá é que O Instituto Ambiental do Paraná, o IBAMA e algumas ONGs sérias, como a SPVS e o SOS Mata Atlântica, trabalham sozinhos, sem apoio da maioria da população. Não seria a hora de uma grande mobilização de todas as esferas da sociedade e do governo, apresentando, inclusive, alternativas econômicas à região e também PAGANDO A QUEM PRESERVA AS FLORESTAS? Afinal estas florestas prestam os serviços de manterem nossa água e nosso ar puros, além de controlarem pragas agropecuárias e fertilizarem a terra. Isso tudo tem, e muito, valor!

Segue a reportagem de sábado (21/03/2009), sobre a influência das forças políticas em prol do desmatamento no Paraná:

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=869334&tit=Forca-politica-age-a-favor-do-desmate