domingo, 1 de junho de 2008

CENSURA E RETROCESSO AMBIENTAL

Ao que parece, a ânsia deste (des)governo atual em desmoralizar e praticamente anular quaisquer políticas favoráveis ao meio-ambiente "nesse país" não tem limites. Com os (vários) exemplos ocorridos nesta última semana de maio, podemos ilustrar este triste quadro. E as florestas brasileiras que se protejam, pois a depender de quem deveria protegê-las...

CENSURA AO INPE
Primeiro vimos, no jornal O Estado de São Paulo, a notícia de que,
para evitar mais polêmica, a direção do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) adiou a divulgação de sua análise sobre desmatamento na Amazônia no mês de abril, que estava marcada para dia 26/05. Pretende debater os resultados com o novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que toma posse hoje. A intenção é divulgar os resultados 'dentro de um contexto técnico-científico' e não em um 'momento político'. Por aí vemos o intuito de censura por trás deste (des)governo. Uma respeitada instituição como o INPE agora tem seu trabalho tolhido e, além de tudo, é impedida de divulgar dados de suma importância para a população não só brasileira, mas mundial! A atitude do (des)governo neste sentido assemelha-se a "destruir o termômetro que mostra o quanto o paciente está febril". Obviamente de nada adiantará ocultar os números (que só aumentam) do desmatamento de nossas florestas. Mas sabe-se que o presidente lulla tem medo da verdade. Isso foi bastante notório neste recente episódio da demissão da Ministra do Meio-Ambiente, Marina Silva, o qual foi fomentado, dentre outros motivos, pela exposição dos números (cada vez maiores) dos desmatamentos da Amazônia.

RECUO EM CORTE DE CRÉDITO
E pelo visto, além das políticas de "ocultação da verdade", empreendidas por lulla e sua corja, após a auto-demissão de Marina, começa agora um programa para a anulação das poucas medidas de preservação ambiental e contenção da devastação que ela conseguiu ao menos dar início (não desmerecendo a capacidade e inteligência da ex-ministra, uma das poucas vozes lúcidas dentre deste desgoverno, mas que infelizmente não pôde fazer quase nada devido justamente à postura populista e pseudo-desenvolvimentista de lulla e sua quadrilha). Agora, por pressão dos ruralistas,
o governo estuda mudanças na portaria 96/2008, do Ministério do Meio Ambiente. A portaria, assinada no dia 27 de março pela então ministra Marina Silva, torna quase impossível a concessão de crédito oficial para todos os municípios do Acre, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima e outros 106 do Maranhão, Mato Grosso e Tocantins que, embora estejam no cerrado, foram incluídos pela ministra no bioma Amazônia. Ou seja, todo aquele estardalhaço feito no início do ano era para "inglês ver", para o (des)governo apenas PARECER que dá respostas rápidas à verdadeira tragédia ambiental que está acontecendo. Assim foi com as operações de apreensão de madeira ilegal: aos poucos foram sendo esvaziadas, à medida que a mídia deixa de dar atenção a elas. É um verdadeiro "fogo de palha". Apenas no momento em que uma verdade aparece, o (des)governo finge movimentar mundos e fundos para combatê-la, e logo após, ameniza as ações, que ficam restritas praticamente àquele espetáculo inicial.

UM MINISTÉRIO DE SEGUNDA CATEGORIA
E assim perece nossa política ambiental, exatamente da forma que assinalou o ex-secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente (na gestão Marina Silva), o biólogo João Paulo Capobianco, em entrevista ao Estado de São Paulo no dia 29 de maio: "A Pasta do meio-ambiente foi tratada como de 2ª categoria no governo Lula". Segundo o ex-secretário, o Planalto queria reduzir o Ministério a um órgão licenciador de obras. Isso fez este ministério ser submetido a um isolamento em relação aos grandes debates nacionais. Isso vai na contra mão das propostas iniciais de "transversalidade", que Marina tanto propagava no início do (des)governo, quando ainda havia a esperança de que ela conseguisse trabalhar. Com o passar do tempo, viu-se queo conceito do "ambientalmente sustentável" não faz parte da visão de conjunto do governo. A prioridade sempre foram as grandes obras, como hidrelétricas, rodovias e ferrovias que rasgam a a Amazônia, bem aos moldes dos governos militares dos anos 60 e 70. O que os governantes atuais não enxergam é que naquela época o conceito de preservação ambiental ainda era incipiente. Hoje está comprovado que as conseqüências da ação devastadora do homem já estão aí, na nossa cara. Mas não adianta explicar isso a "elles", que só pensam no quanto irão faturar com estas obras e nada mais. Não adianta explicá-los que, com um plano de economia de energia como o que FHC executou na época do "apagão", é possível que a população brasileira economize 50% da energia consumida, ou mesmo com a repotencialização das usinas atuais e construção de geradoras de energia renováveis (vento, sol, biomassa, etc.), conseguiríamos mais que duplicar nossa capacidade geradora sem inundar mais nenhuma represa! Isso sem contar outra montanha de absurdos que o governo lulla empreende sem nem considerar nosso meio-ambiente, simplesmente passando por cima de tudo.

Neste contexto, não podemos esperar muito do novo ministro Carlos Minc, "o carnavalesco e carimbador maluco" (aumentou substancialmente a concessão de licensas ambientais no Rio de Janeiro). Não há muito a dizer sobre ele. Mesmo que tenha boas idéias, será que o lulla e a dilma vão deixá-lo trabalhar??

2 comentários:

umberto disse...

infelizmente, em nosso país, é ter uma cultura onde se escolhe incapazes, incompetentes, traidores da pátria, e acima de tudo, corruptos... enquanto não houver uma extensa mudança em nossa cultura, através de uma boa educação, sempre estaremos presenciando a destruição não só o que temos de mais belo, a Natureza, como também, todo o país.

EDUCAÇÃO JÁ !

GABRIEL BERTRAN disse...

De fato, Umberto, o problema principal deste país é a falta de educação do povo... a corrupção e a destruição começam no dia-a-dia de cada um.

Recomendo lerem, no blog FUSCA BRASIL, a análise excelente sobre a saída da ministra Marina:

http://fuscabrasil.blogspot.com/2008/05/meio-ambiente-abandonado.html

Abraços a todos!!