quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

No Água Verde: edifício residencial destrói árvores

Nos últimos anos tem havido um desrespeito muito grande pelas árvores em Curitiba. Temos relatado aqui alguns casos, que estão longe de ser isolados. A destruição está tornando-se uma rotina, apesar de poucos perceberem. Os cidadãos, em suas vidas atribuladas e com pouco conhecimento sobre a importância da preservação ambiental - tanto no "campo" quanto nas cidades, diga-se de passagem - podem até não reparar. Mas todos estão sentindo o verão mais seco e quente das últimas décadas. Geralmente meses chuvosos, em 2014 estamos vivendo, nos dois primeiros meses do ano, uma terrível seca tanto no Sul quanto no Sudeste do Brasil, afetando nossos sistemas de abastecimento de água e energia - fundamentais para a sobrevivência humana. Tudo isso, é claro, é consequência de décadas de degradação ambiental em todo o Planeta. Vale dizer que os desequilíbrios climáticos não ocorrem apenas aqui no Brasil, mas no mundo todo. No entanto este tópico não trata de detalhar tais desordens mundo afora. Estamos relatando um caso isolado, porém que se liga a inúmeros outros que estão tornando nossa Curitiba mais árida. Este é o retrato do desrespeito às árvores, que refrescam o clima nas cidades, atraem pássaros e as tornam mais bonitas. As fotos são tristes e falam por si mesmas. (O TEXTO CONTINUA APÓS AS FOTOS)


Edifício na Rua Murilo do A. Ferreira, 72 - Água Verde, Curitiba. Foto: GOOGLE
Reparem nas duas árvores do jardim, como ainda estavam lindas e sadias.

Edifício na Rua Murilo do A. Ferreira, 72 - Água Verde, Curitiba. Foto:AUTOR.
A destruição estava em andamento no final de janeiro

Edifício na Rua Murilo do A. Ferreira, 72 - Água Verde, Curitiba. Foto:AUTOR.
As árvores já haviam sido destruídas.

Edifício na Rua Murilo do A. Ferreira, 72 - Água Verde, Curitiba. Foto:AUTOR.
Isto é o que restou da linda paineira. Lamentável.

Edifício na Rua Murilo do A. Ferreira, 72 - Água Verde, Curitiba. Foto:AUTOR.
Para completar os proprietários ainda colocaram fogo no que restou desta lindíssima árvore. Pra quê tanto ódio?

Semanas atrás, durante a ação do corte das árvores, indaguei um funcionário do prédio, que varria a serragem, sobre se havia autorização da prefeitura para isso. Ele respondeu que sim, e ainda disse, com indiferença, que as árvores estavam "condenadas". Esta tem sido a desculpa para inúmeros cortes indiscriminados por Curitiba afora. Esta cidade não é a mesma, definitivamente. O título de "capital ecológica" deveria ser retirado peremptoriamente de Curitiba, pois a mesma não o merece, visto a forma que trata sua vegetação, seus rios, seus parques, etc. Conforme relatado neste e em outros blogs, até araucárias sadias estão sendo cortadas. Somente em janeiro tivemos notícias de cinco ou mais ocorrências! Isso porque a araucária é protegida por Leis municipais, estaduais e federais, por ser árvore em claro risco de extinção!

As duas árvores já deviam estar ali antes do edifício ser construído e para isso foram previstas até adaptações na grade, para abrigá-las. Nota-se que os edifícios mais antigos preservavam muito mais. Achei que este caso seria mais um exemplo de preservação. Mas tornou-se um mal exemplo... Além do mais, pelo tamanho do prédio, é mais provável ele cair sobre as árvores do que o contrário. A moderna engenharia consegue conter raízes (as próprias fundações dos edifícios são mais profundas que as raízes das árvores). Por tudo isso (e muito mais), o corte não se justificava. Mesmo plantando-se outras espécimes (o que eu duvido), quantas décadas demorarão para proverem a mesma sombra, atraírem o mesmo número de pássaros, purificarem a mesma quantidade de ar? A perda de uma árvore antiga é algo inadmissível nos dias atuais.

Por outro lado eu pergunto o que as crianças moradoras deste belo edifício irão pensar? Que educação ambiental terão? Provavelmente crescerão pensando que árvores existem para ser cortadas. Existe grande probabilidade de tornarem-se adultos inimigos da natureza, como seus pais devem ser, por aprovarem ato tão vil.

Enfim, vivemos uma época de inversão de valores. Só valoriza-se o consumo exacerbado, a indecência, as músicas mal tocadas, a natureza destruída, o concreto, o dinheiro... O ser humano se distancia da sua essência, que é a própria natureza, quando deveria religar-se a ela com urgência!

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: por favor, compartilhem este e outros textos no Facebook e, se puderem, também denunciem na Central 156 da Prefeitura de Curitiba. O endereço da ocorrência está nas fotos. Quem sabe com a pressão dos internautas conscientes possamos reverter este quadro. Obrigado a todos!