quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Uma moda de extremo mal gosto:acabar com os galhos das árvores

Uma moda macabra, de extremo mal gosto e infelizmente comum Brasil afora parece estar aumentando aqui em Curitiba: é a de "podar" drasticamente e sem critério algum todos os galhos e folhas das árvores das ruas, sem autorização da prefeitura nem supervisão técnica. Isso é feito principalmente por comerciantes, mas também por moradores e deixam a paisagem da cidade cada vez mais feia. Não sei qual "beleza" essas pessoas vêem nestes atos, em acabar com o verde, com a sombra nestes dias tão quentes, desalojar pássaros que se abrigam nas árvores, etc. Sem contar a falta de cidadania, pois as árvores das calçadas a todos pertencem. Eu não me sinto bem em ver estas cenas e passar por estas calçadas. O espetáculo de terror repete-se dentro de propriedades, como já relatado aqui.

Vejam abaixo dois casos desta maldade, que aconteceram nesta semana:

Rua Brasílio Itberê, 4412, esquina com Rua Percy Withers, no bairro Água Verde. Vejam a árvore como estava linda antes. Foto do Google Street View

Rua Brasílio Itberê, 4412, esquina com Rua Percy Withers, no bairro Água Verde. Vejam a árvore como ficou após a violenta poda drástica. Foto do Autor, tirada em 06/11/14

Rua Brasílio Itberê, 4412, esquina com Rua Percy Withers, no bairro Água Verde. Vejam a árvore como ficou após a violenta poda drástica. Foto do Autor, tirada em 06/11/14, de outro ângulo
Como vocês podem perceber, o estabelecimento comercial foi reformado recentemente e uma das "providências" foi acabar com o verde da linda árvore em sua frente. Essa estupidez deve incluir o fato da fachada da edificação ficar mais visível. Mas precisa cometer tamanho vandalismo com o patrimônio público? Seria perfeitamente possível integrar a comunicação visual ao verde. Inclusive o verde valoriza os imóveis, pois os bairros mais sofisticados da cidade são os mais arborizados, em qualquer lugar do mundo. Nos países desenvolvidos as casas e comércios integram-se ao verde. E neste caso acima o proprietário poderia até tirar partido da árvore, pois os clientes que sentariam no deck para comer ou beber seriam privilegiados com a vista (em frente ainda existe uma praça, porém pela mentalidade que nota-se nas pessoas que reformam estes imóveis, se deixassem eles retirariam o verde até da praça!).



O outro caso é ainda mais violento, seguem as fotos abaixo:
Rua Alagoas, 2543, esquina com Rua Santa Catarina, no bairro Guaíra. Vejam como eram as duas árvores em frente ao imóvel de esquina. Foto do Google Street View.

Rua Alagoas, 2543, esquina com Rua Santa Catarina, no bairro Guaíra. Vejam ficou uma das duas árvores em frente ao imóvel de esquina, após poda violenta. Foto do Autor, tirada em 06/11/14.
Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras. Então eu não preciso dizer mais nada sobre o que esta clínica de fisioterapia fez com as lindíssimas árvores de sua frente. Tenho mais questões do que afirmações: a pessoa não tem noção do quanto ficou HORRÍVEL, HORRIPILANTE a frente do prédio agora? A pessoa (aparentemente ligada á área de saúde) transformou o que era VIDA em MORTE por que??? Acho que vou parar por aí. Não há muito o que dizer.

O que podemos concluir é que o Brasil vai mesmo na contra-mão de tudo. Quando a seca nas regiões Sudeste e Centro-Oeste mostrou-se mais árdua do que nunca neste ano, secando quase todas as represas importantes de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, etc. , deveríamos pensar no quanto cada árvore é importante para manter a umidade nas cidades.

O mais incrível é ninguém associar os fatos, ninguém perceber o quanto tudo é conectado na natureza. Mais incrível ainda é ninguém se revoltar ao passar por estes verdadeiros monumentos ao descaso com o meio ambiente, retratados nestas fotos!

Mas, o que vamos esperar de um país cuja população reelegeu os ladrões que nos roubam há 12 anos? Será que teremos que desistir de lutar por mais educação, mais informação, mais verde, mais vida? Ah,acho que são as trevas que "eles" querem...

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Revoluções “de cima pra baixo”

Caros amigos do blog,
Estamos com diversas denúncias de cortes de árvores a fazer e com pouco tempo. Prometo em breve publicá-las aqui. 
Quero abrir agora um parênteses para refletir sobre a perigosa situação que nosso país vive. Segue um texto para reflexão e para deixar registrado aqui. 
Agradeço a todos, desde já, pela paciência na leitura e possível compartilhamento em suas redes sociais e emails.
Abraços,
Gabriel


Revoluções “de cima pra baixo”

    O povo brasileiro está há bastante tempo acostumado a “terceirizar” as grandes mudanças do país para pequenos grupos que estão no poder. Vejamos, resumidamente, alguns casos:

Após diversos movimentos contra a exploração de nosso território pelos portugueses durante o século XVIII, Dom Pedro I faz diversos acordos e promove uma “independência” de Portugal em 1822, mantendo diversos privilégios do país europeu sobre sua ex-colônia, inclusive com a permanência da família real de origem portuguesa no poder.

    Ao longo do século XIX diversas revoltas populares localizadas clamavam pela República. O Exército Brasileiro, insatisfeito com sua relação com o segundo reinado, resolve ele mesmo promover o “golpe da República” em 1889, supostamente cumprindo uma vontade popular, mas tomando para si os privilégios de comandar o País.

    Na chegada aos anos 1930, notando diversas insatisfações país afora com os governos da  chamada Primeira República, Getúlio Vargas reúne seu grupo de apoiadores e toma o governo à força, sob desculpa de ser um governo "popular" (populista, na realidade), para implantar, logo após, uma ditadura inspirada no fascismo italiano que duraria bastante e instituiria, inclusive, o embrião do DOPS e a dura repressão aos seus opositores, com ampla censura à imprensa, negando ao povo brasileiro o direito à informação.

    Em 1964, vendo a insatisfação de parte da população com o governo de João Goulart e o perigo da implantação do comunismo no Brasil, em plena Guerra Fria, novamente os militares se travestem de “defensores do povo” e tomam o poder, não o largando por mais de 20 anos e instituindo a tortura e o terrorismo de Estado como mecanismos oficiais de eliminação das oposições. As liberdades de imprensa e de manifestação são novamente eliminados no Brasil.

    No início dos anos 80, já desmoralizados, os militares resolvem, eles mesmos, fazerem uma “abertura política”, com ampla anistia, supostamente “em nome do povo”. Demorou, mas aos poucos os brasileiros reestabeleceram seus direitos políticos e sua liberdade de expressão, mesmo sob um governo praticamente "nomeado" pelos militares (cujo ex-presidente, José Sarney, até hoje manda no Brasil, indiretamente).

    Junho de 2013, após quase 30 anos da volta da democracia, a população brasileira saiu às ruas em massa, demonstrando clara insatisfação com a má administração dos atuais governos, com a corrupção e a baixa qualidade dos hospitais, dos transportes públicos, das escolas, etc. frente aos altos gastos com a Copa do Mundo de 2014. O governo petista, com alto viés autoritário oculto em seus quadros partidários, resolve colocar nas ruas suas milícias (os pseudo “movimentos sociais”, denominados Black Blocks, PCC, MST, MTST, CUT, etc.) para promover atos de violência, tomando para si as manifestações e assustando o povo, que parou de protestar de forma espontânea, como ocorria um ano atrás.


    Maio de 2014, às vésperas da contestada Copa do Mundo, com o povo já anestesiado pelo espetáculo do futebol, o governo petista institui, em silêncio, a Política Nacional de Participação Social – PNPS (Decreto nº 8243), a qual dará poder total aos tais “movimentos sociais (desde que sejam alinhados com o governo, é claro, diga-se de passagem). E mais golpes vêm por aí, com plebiscitos para mudar a constituição e excrescências do gênero.

 

    Novamente os brasileiros estão sendo vítimas de uma “revolução de cima pra baixo”, como tantas outras. As vítimas serão, como nas outras pseudo-revoluções, a verdade, a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão e de manifestação. Porque nós, cidadãos de bem, trabalhadores e bem informados, não fomos ouvidos e seremos calados. Como sempre aconteceu, apenas os “companheiros do poder” serão chamados a opinar e governar, recebendo altos privilégios em troca, como sempre receberam. Determinados setores serão privilegiados. Quem pertencer a eles sobreviverá. E os que se opuserem?... Verão a volta do DOPS?


  
Embora todos saibam que eu sempre fui um legítimo “anti-PT”, faço aqui um mea culpa: eles não "reinventaram a roda", ou seja, não inventaram este tipo de golpe. De fato apenas estão reeditando algo com que o povo brasileiro está acostumado desde seu descobrimento: a viver e conviver com a mentira. O brasileiro gosta de ser enganado e o está sendo novamente. Se não evitarmos isso, veremos a história se reeditar, talvez de uma forma pior do que antes.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

No Água Verde: edifício residencial destrói árvores

Nos últimos anos tem havido um desrespeito muito grande pelas árvores em Curitiba. Temos relatado aqui alguns casos, que estão longe de ser isolados. A destruição está tornando-se uma rotina, apesar de poucos perceberem. Os cidadãos, em suas vidas atribuladas e com pouco conhecimento sobre a importância da preservação ambiental - tanto no "campo" quanto nas cidades, diga-se de passagem - podem até não reparar. Mas todos estão sentindo o verão mais seco e quente das últimas décadas. Geralmente meses chuvosos, em 2014 estamos vivendo, nos dois primeiros meses do ano, uma terrível seca tanto no Sul quanto no Sudeste do Brasil, afetando nossos sistemas de abastecimento de água e energia - fundamentais para a sobrevivência humana. Tudo isso, é claro, é consequência de décadas de degradação ambiental em todo o Planeta. Vale dizer que os desequilíbrios climáticos não ocorrem apenas aqui no Brasil, mas no mundo todo. No entanto este tópico não trata de detalhar tais desordens mundo afora. Estamos relatando um caso isolado, porém que se liga a inúmeros outros que estão tornando nossa Curitiba mais árida. Este é o retrato do desrespeito às árvores, que refrescam o clima nas cidades, atraem pássaros e as tornam mais bonitas. As fotos são tristes e falam por si mesmas. (O TEXTO CONTINUA APÓS AS FOTOS)


Edifício na Rua Murilo do A. Ferreira, 72 - Água Verde, Curitiba. Foto: GOOGLE
Reparem nas duas árvores do jardim, como ainda estavam lindas e sadias.

Edifício na Rua Murilo do A. Ferreira, 72 - Água Verde, Curitiba. Foto:AUTOR.
A destruição estava em andamento no final de janeiro

Edifício na Rua Murilo do A. Ferreira, 72 - Água Verde, Curitiba. Foto:AUTOR.
As árvores já haviam sido destruídas.

Edifício na Rua Murilo do A. Ferreira, 72 - Água Verde, Curitiba. Foto:AUTOR.
Isto é o que restou da linda paineira. Lamentável.

Edifício na Rua Murilo do A. Ferreira, 72 - Água Verde, Curitiba. Foto:AUTOR.
Para completar os proprietários ainda colocaram fogo no que restou desta lindíssima árvore. Pra quê tanto ódio?

Semanas atrás, durante a ação do corte das árvores, indaguei um funcionário do prédio, que varria a serragem, sobre se havia autorização da prefeitura para isso. Ele respondeu que sim, e ainda disse, com indiferença, que as árvores estavam "condenadas". Esta tem sido a desculpa para inúmeros cortes indiscriminados por Curitiba afora. Esta cidade não é a mesma, definitivamente. O título de "capital ecológica" deveria ser retirado peremptoriamente de Curitiba, pois a mesma não o merece, visto a forma que trata sua vegetação, seus rios, seus parques, etc. Conforme relatado neste e em outros blogs, até araucárias sadias estão sendo cortadas. Somente em janeiro tivemos notícias de cinco ou mais ocorrências! Isso porque a araucária é protegida por Leis municipais, estaduais e federais, por ser árvore em claro risco de extinção!

As duas árvores já deviam estar ali antes do edifício ser construído e para isso foram previstas até adaptações na grade, para abrigá-las. Nota-se que os edifícios mais antigos preservavam muito mais. Achei que este caso seria mais um exemplo de preservação. Mas tornou-se um mal exemplo... Além do mais, pelo tamanho do prédio, é mais provável ele cair sobre as árvores do que o contrário. A moderna engenharia consegue conter raízes (as próprias fundações dos edifícios são mais profundas que as raízes das árvores). Por tudo isso (e muito mais), o corte não se justificava. Mesmo plantando-se outras espécimes (o que eu duvido), quantas décadas demorarão para proverem a mesma sombra, atraírem o mesmo número de pássaros, purificarem a mesma quantidade de ar? A perda de uma árvore antiga é algo inadmissível nos dias atuais.

Por outro lado eu pergunto o que as crianças moradoras deste belo edifício irão pensar? Que educação ambiental terão? Provavelmente crescerão pensando que árvores existem para ser cortadas. Existe grande probabilidade de tornarem-se adultos inimigos da natureza, como seus pais devem ser, por aprovarem ato tão vil.

Enfim, vivemos uma época de inversão de valores. Só valoriza-se o consumo exacerbado, a indecência, as músicas mal tocadas, a natureza destruída, o concreto, o dinheiro... O ser humano se distancia da sua essência, que é a própria natureza, quando deveria religar-se a ela com urgência!

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: por favor, compartilhem este e outros textos no Facebook e, se puderem, também denunciem na Central 156 da Prefeitura de Curitiba. O endereço da ocorrência está nas fotos. Quem sabe com a pressão dos internautas conscientes possamos reverter este quadro. Obrigado a todos!

ATUALIZANDO ESTA NOTÍCIA EM 27/04/2020 : 6 anos após a primeira denúncia, o mesmo prédio continuou destruindo o verde, conforme vocês vão ver nas fotos abaixo. Pelo visto desde então a prefeitura não fez nada, nem multou, nem exigiu plantio de novas árvores e ainda autorizou mais um corte! Parece que eles estão "curtindo com a nossa cara". Ou pelo fato do prédio ser "de alto padrão", eles pagam e conseguem a autorização...Eu realmente não sei o que acontece. No país da impunidade tudo é possível. E a sensibilidade dessas pessoas sobre o que é qualidade de vida é zero! As árvores valorizam as ruas, os imóveis, melhoram o clima (barrando ventos e sol, atraindo pássaros, etc.). Só que estes moradores, pelo visto, preferem viver em um deserto, sem árvores, sem vida. Eles lutam para eliminar a vida. Isso não é somente neste caso, ocorre aos milhares. Infelizmente os que amam as árvores são minoria. Vejam as fotos da calçada agora 100% sem árvores. Ainda alguém colocou uma placa neste último toco. Uma iniciativa de conscientização muito boa, espero que faça algum efeito.









domingo, 1 de dezembro de 2013

Dia da Árvore macabro em Curitiba

   Era dia 21 de Setembro deste ano (sei que este blog está um pouco atrasado!), o Dia da Árvore e início da primavera quando, caminhando por uma das principais avenidas de Curitiba, a República Argentina (no bairro Água Verde), ali pelo número 1215 me deparo com a seguinte cena "macabra", que vocês podem visualizar nas fotos abaixo:



    As imagens "falam" por si mesmas, mas caso alguém não consiga visualizá-las, trata-se de uma cena cada vez mais comum em Curitiba (e sei que, infelizmente, em muitas cidades brasileiras), que é a "poda drástica" de árvores, justamente quando elas estão mais frondosas, floridas, lindas, como foi este caso ocorrido na Auto-Escola das fotos acima. Ironicamente esta violência aconteceu justamente na data em que, simbolicamente, temos que lembrar da importância, cada vez maior, da preservação das árvores em nossas cidades tão áridas.
  Vemos às dezenas estas cenas por diversas ruas da cidade, principalmente em bairros um pouco mais distantes do centro (que não é o caso acima, ocorrido em local de grande movimento), talvez pela baixa fiscalização. O cidadão simplesmente se acha "no direito" de privar as outras pessoas de uma agradável sombra na calçada da via pública, de privar os pássaros de suas moradias e de sua alimentação... enfim, nos privam de belíssimos espetáculos da natureza, relegando apenas esqueletos secos e horrendos, verdadeiros filmes de terror.
  O pior de tudo é que nossa população em geral parece cada vez mais indiferente a tudo isto. Pessoas insensíveis e ignorantes talvez achem "certo" fazer isso. No caso das fotos acima, era caso dos alunos se recusarem a permanecer matriculados nesta instituição de ensino para o trânsito, por não aguentarem um visual tão macabro, justamente na pista de aulas, onde estas árvores inclusive propiciavam uma boa sombra e maior conforto aos candidatos a carteira de motorista!
  Os "podadores drásticos" podem alegar que as árvores causam "sujeira", com as folhas que caem no chão. Pois eu digo que isso é natural e degrada-se com o tempo, além de alimentar a terra. Sujeira de verdade são as garrafas de plástico, latas de alumínio, papéis,etc. que o ser humano joga das janelas dos carros e ônibus nas ruas, nos terrenos baldios, etc. Esta sujeira nunca se degrada. E ninguém parece se importar com nossas cidades cada vez mais emporcalhadas!
  É sabido que, após certa idade, fica cada vez mais difícil para a árvore se recuperar de uma poda drástica. Se fossem feitas podas sob supervisão técnica, eliminando-se galhos maiores e mais perigosos, que possam atingir fios de eletricidade, etc. é aceitável. Mas deliberadamente deixá-la sem folhas para respirar é maldade pura e certeira.
  Enfim... estes fatos me entristecem cada vez mais. A impressão que temos é que as árvores estão mesmo perdendo em Curitiba, outrora "cidade modelo" em preservação ambiental e arborização, hoje não mais. Quando não são cortadas para construírem shoppings, concessionárias de veículos, etc., elas têm todos os galhos sacrificados ou mesmo quando são mudas recém plantadas pela prefeitura, são quebradas por vândalos (ou serão os mesmos que as odeiam quando grandes?).
 Em época de mudanças climáticas, quando o conhecimento humano chegou a níveis tão avançados e a informação está ao alcance de todos, a impressão que fica é que a população brasileira só prioriza fazer compras, andar de carro, ganhar dinheiro e nada mais, importando-se quase nada com suas cidades, que vão ficando abandonadas, cheias de lixo, sem árvores, sem vida; enquanto essas pessoas refugiam-se dentro das prisões dos condomínios ou shoppings, adornados com arbustos baixinhos, horríveis, sem função ambiental nenhuma; enfim, sem conteúdo algum, como essas pessoas são, essa é a verdade!

domingo, 22 de setembro de 2013

E o símbolo de Curitiba vai desaparecendo...

Av. Pres. Kennedy, 1656 - foto do Google em 2011

Av. Pres. Kennedy, 1656 - foto do autor em 2013
Reparem nas duas fotos acima, pois elas falam por si mesmas. A primeira, obtida através do Google Street View, mostra duas três araucárias sadias, em uma esquina da Av. Presidente Kennedy, no bairro Água Verde, em Curitiba. A segunda, tirada neste ano, mostra as mesmas árvores totalmente secas. Poderia ser uma exceção, uma coincidência, mas não é. Este tipo de atitude tem acontecido por toda a cidade de Curitiba - cidade que possui a araucária estampada em seu brasão.

Com toda a certeza não é uma "doença" comum que vêm atingindo uma das árvores em maior perigo de extinção do Brasil. Esta doença chama-se "bicho-homem" e é notória a ignorância das pessoas em matar os últimos exemplares do único pinheiro brasileiro, o qual sustentou tantas gerações de paranaenses, catarinenses, gaúchos e paulistas com a venda de sua madeira, proveniente de desmatamentos indiscriminados que ameaçaram a belíssima conífera sul americana.

A prefeitura de Curitiba também tem se mostrado complacente com esta verdadeira tragédia que ocorre na cidade, pois não toma nenhuma providência - embora a araucária seja protegida por leis municipais e estaduais. Após a 'doença' atingir as árvores, as mesmas têm seus cortes criminosamente autorizados pelo Poder Público. E isso se repete em construções de prédios residenciais, concessionárias de veículos, etc.

É uma pena isso acontecer na antes denominada "capital ecológica". Nos anos 80 e 90 Curitiba ainda dava exemplos ao Brasil e ao mundo de como o desenvolvimento urbano podia conviver com as áreas verdes, com o meio ambiente preservado, enfim. Hoje os moradores da cidade atacam as árvores impunemente e a prefeitura corrobora tais ações inadmissíveis em tempos de mudanças climáticas tão graves. Será isso decorrente da falta de cultura do brasileiro em geral, da falta de educação que só aumenta entre a população? Falta educação ambiental, principalmente. Não sei explicar, porque não há razão para tanta destruição. É muito triste isso. Tirem suas próprias conclusões.

Aqui vão mais alguns endereços onde araucárias "sumiram" em Curitiba. Os nomes dos estabelecimentos não serão mencionados, para que o Google não pense que estou fazendo propaganda deles. Sugiro pesquisar na internet os locais para que vocês constatem os absurdos:

- Concessionária de veículos na Av. Presidente Kennedy, 3878 (Portão) -> três araucárias "sumiram" para dar lugar a espaço para exposição de um carro(!!) no jardim;
- Concessionária de veículos na Av. Mario Tourinho, 1212 (Campina de Siqueira) -> uma araucária na frente da loja primeiro "secou" (como a das fotos acima) e depois desapareceu, para dar lugar provavelmente a apenas um veículo;
- Concessionária de veículos na Rua Mateus Leme, 1875 (Centro Cívico) -> prefeitura autorizou a derrubada de várias araucárias centenárias para a construção da loja, alegando estarem "doentes"...
- Sede de importante órgão federal, na Rua Sandália Manzon, 210 no Bairro Santa Cândida -> diversas araucárias centenárias que ornavam o jardim do edifício "sumiram" - será que por tratar-se de órgão do governo eles também "podem tudo"? Ok, as concessionárias de veículos também podem, como notamos acima.
- Restaurante italiano na Avenida Silva Jardim, 2487 (Batel) - uma araucária localizada na parte de trás, no estacionamento do restaurante, está seca, denotando que isso foi feito propositalmente.
- Restaurante japonês na Rua Carneiro Lobo, 720, esquina com Av.Visconde de Guarapuava (Batel) - uma belíssima araucária no jardim do restaurante está secando aos poucos também. Ela era sadia antes da abertura deste estabelecimento.

Estes são os casos mais vistosos, mas existem centenas de outros, que relacionarei aqui para que vocês, leitores, acompanhem e denunciem também. Precisamos demonstrar que a população não é 100% conivente com essas práticas e que estamos notando os absurdos que acontecem nesta cidade, os quais não são muito diferentes dos que acontecem em outros lugares do Brasil. Com isso a "capital ecológica" vai, infelizmente, perdendo seu maior símbolo.

Para finalizar, coloco o brasão oficial de Curitiba e outro desenvolvido pelo movimento "Salvemos o Bosque da Casa Gomm" mais atualizado, de acordo com a realidade atual:

Brasão de Curitiba - oficial

Brasão de Curitiba adaptado à realidade atual das araucárias
Abaixo mais um capítulo deste verdadeiro massacre das araucárias, colaboração de nosso amigo Luiz Guilherme Todeschi. Aconteceu recentemente na Rua Francisco Screcim, 43, bairro Ahú, Curitiba, PR. Onde estas pessoas estão com a cabeça? Restam tão poucos exemplares...

Araucária cortada em residência na Rua Francisco Scremim, 43 - Ahú - Curitba, PR em 28/01/2014.
Para saber mais clique no link (é preciso ser cadastrado no Facebook).

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Morte de tipuana na Rua Guilherme Pugsley (Curitiba)

Hoje ocorreu o corte de uma linda árvore da espécie tipuana, imensa, próximo ao número 1269 da Rua Guilherme Pugsley, também conhecida como "via rápida Portão-Centro" (bairro Água Verde, em Curitiba, PR). A árvore estava visivelmente sadia, como muitas que injustamente são cortadas nesta cidade. 
Fiquei indignado e quando eu fui tirar algumas fotos, um funcionário da prefeitura (aparentando ser até menor de idade) começou a me insultar, fazendo gestos obscenos e gritando bem alto, de forma agressiva. Além de denotar desrespeito e um cidadão que paga seus impostos (e mantém seu salário), deu para perceber o quanto estes funcionários estão acuados, sabendo que o que fazem é errado e desaprovado por parte da população (principalmente nós, blogueiros defensores do meio ambiente). Mas o que mais se percebia na equipe era orgulho da destruição causada e a vontade de coibir quem se colocasse contra isso.
Vejam as fotos (a situação "antes" foi retirada do GoogleMaps e a "depois" eu fotografei hoje durante a execução dos serviços pela Prefeitura Municipal de Curitiba).


 Como era antes. Fonte: Google Maps
Destruição no Água Verde. Foto do autor (19/08/2013)

Já registrei na Central 156 uma reclamação, porém estou bastante desiludido com este serviço. Eles não tomam providências e nem mesmo nos respondem. Só nos resta a solidariedade dos colegas que defendem a natureza aqui na internet mesmo. Antes que alguns venham aqui me criticar, dizendo que "é só mais uma árvore cortada", reitero que a situação é grave e emblemática. Pode ser só uma, porém por toda Curitiba são milhares de árvores sacrificadas diariamente tanto pela população ignorante quanto pela própria prefeitura, que é cúmplice. Estas tipuanas demoraram muitas décadas para crescer e formar os verdadeiros "corredores verdes", como o presente nesta rua. Estes corredores além de darem conforto a motoristas e pedestres principalmente em dias de sol forte (que são comuns SIM em Curitiba desde a primavera até o outono, passando pelo verão), atraem centenas de papagaios, que só conseguem se abrigar nos galhos mais altos. Além disso, tais árvores filtram a poluição do trânsito intenso de veículos que as quatro faixas de rolamento da "via rápida" comportam 24 horas por dia. Se os galhos caem na rede elétrica? Poda técnica é possível e além disso esta rede elétrica já deveria ter sido enterrada há décadas, como é feito nos países desenvolvidos, onde as árvores envolvem as ruas e casas.
Toda árvore é importante. Inclusive esta, que foi morta injustamente.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Curitiba:mais lixo, menos árvores

   Observem bem as fotos abaixo: foram tiradas na Rua Brasílio Itiberê, 2803, no bairro Rebouças, em Curitiba. Elas simbolizam bastante o que vem ocorrendo seguidamente na "capital ecológica": cada vez mais árvores sadias são sacrificadas pelos próprios moradores (isso quando a prefeitura não as corta), das formas mais violentas e torpes possíveis. Mas neste caso o proprietário - uma agência de empregos domésticos - se superou: posicionou uma lixeira de forma clara a tentar impedir o crescimento da árvore. Obviamente que ele cortará os brotos que o vegetal - heroicamente - irá soltar no que restou de seu tronco.
   Além do fato desta árvore não pertencer ao proprietário do imóvel ali localizado - a calçada é pública, a todos nós pertence - o desfile de horror que ele promoveu sintetiza uma metáfora do que está acontecendo atualmente em Curitiba: o lixo se prolifera cada vez mais nesta cidade. Lixo de todo tipo, que pouco é reciclado. Ao mesmo tempo o verde definha das mais diversas maneiras. Algo muito triste acontece, que a propaganda oficial tenta esconder: a cidade de Curitiba já perdeu, na prática, há muito tempo, o título de "cidade verde". As políticas ambientais que tanto fizeram sucesso nos anos 80 e 90, colocando a cidade em destaque internacional, vão sendo abandonadas aos poucos. Não se recicla mais o lixo, pois a prefeitura - em claro conluio com empresas que coletam o lixo e administram o novo aterro insustentável querem ganhar com a tonelagem. Assim, o pouco de resíduos recicláveis que raros moradores conscientes ainda separam é largado nas ruas para o caminhão do "lixo sujo" coletar. As autorizações para corte de árvores e até de matas remanescentes aumenta significativamente. Até a araucária - árvore símbolo do Paraná e de Curitiba - está sendo dizimada por construtoras e também por moradores que as matam para que sejam cortadas. Ironicamente elegeu-se como símbolo da "copa 2014" em Curitiba uma araucária cheia de bolas. Mais ironicamente ainda é que a linda praça arborizada em frente ao estádio da tal "copa" está para perder todas as suas árvores!
   Estas cenas se espalham pela cidade onde o transporte público (que já foi referência internacional também) é abandonado, as pessoas utilizam cada vez mais os carros, que congestionam as vias públicas e poluem cada vez mais o ar. E o poder público só se preocupa em criar uma "cidade espetáculo", com shows de luzes no Natal, pontes inúteis nas grandes avenidas voltadas aos carros, condomínios cafonas que não respeitam o verde, mas que vendem um verde fictício nas propagandas, etc. etc.
  Isso tudo demonstra uma clara alienação da população, junto com governos que se servem disso para se autopromoverem e elegerem-se indefinidamente, nas três esferas. Basta ver que no plano federal também abandonam-se as políticas ambientais, destrói-se o Código Florestal e a Amazônia vai sendo rasgada, represada, estuprada.. Enquanto isso o (des)governo diz que somos um "país rico e sem pobreza". Eu não sei aonde, sinceramente. A violência continua, a educação e a saúde estão em péssimo estado... Ah sim, temos grandes estádios de futebol sendo construídos! Para isso temos dinheiro de sobra! Mas aí é assunto para outro artigo. Vejam as fotos: